Texto
. ‘E Jacó deu a Esaú pão e a sopa de lentilhas’; que signifique ao bem da vida foi dado do bem do vero e do bem dos doutrinais, é o que se vê pela representação de ‘Esaú’, que é o bem da vida (n. 3300, 3322); pela significação do ‘pão’, que é o bem do amor em geral, tanto o celeste quanto o espiritual (n. 276, 680, 2165, 2177), assim, também o bem que pertence ao vero, pois este é o bem espiritual; e pela significação da ‘sopa de lentilhas’, que é o bem dos doutrinais, porquanto a ‘sopa’ ou ‘guisado’ significa o acervo dos doutrinais (n. 3316), as ‘lentilhas’, por sua vez, o bem deles; que Jacó tenha dado essas coisas a Esaú significa, no sentido interno, que esses bens são pela doutrina do vero, que é representada por Jacó (n. 3305).
[2] Neste último versículo, por estas palavras e pelas que seguem, descreve-se o progresso quanto ao vero e bem, o modo como isso acontece no homem espiritual quando ele está sendo regenerado, a saber, que [esse homem] primeiramente aprende os doutrinais do vero, em seguida ele é afetado por eles, o que é o bem dos doutrinais; depois, pela intuição nos doutrinais, ele é afetado pelos veros que estão neles, o que é o bem que pertence ao vero; e finalmente ele quer viver segundo eles, o que é o bem da vida. Dessa forma, o homem espiritual, quando está sendo regenerado, progride da doutrina do vero para o bem da vida; mas quando ele está no bem da vida, então a ordem é invertida, e a partir desse bem ele considera o bem que pertence ao vero, do bem do vero ele considera o bem dos doutrinais, e deste, os doutrinais do vero. A partir dessas explicações, pode-se saber o modo como o homem, de homem sensual, se torna homem espiritual, e qual é o homem quando ele se tornou espiritual.
[3] Que esses bens, a saber, o bem da vida, o bem do vero e o bem dos doutrinais, sejam distintos entre si, é o que podem ver aqueles que pensam com cuidado; o bem da vida é o que dimana da vontade, o bem do vero, o que provém do entendimento, mas o bem dos doutrinais, o que provém do conhecimento; o doutrinal é aquilo em que eles estão.
[4] Que as ‘lentilhas’ signifiquem o bem dos doutrinais, vê-se por isto, que o trigo, a cevada, as favas, as lentilhas, o milho, a aveia, são dessas coisas que significam o pão, mas com uma diferença na espécie. Que o ‘pão’ em geral seja o bem, é evidente pelas coisas que foram ditas e demonstradas (n. 276, 680, 2165, 2177); assim, espécies de bem são significadas pelas coisas que foram nomeadas: as espécies mais nobres do bem pelo ‘trigo’ e a ‘cevada’, e as espécies menos nobres pelas ‘favas’ e as ‘lentilhas’, como ainda se evidencia por esta passagem em Ezequiel:
“Tu, toma para ti trigo e cevada, e favas e lentilhas, e milho e aveia, e põe-nos em um [mesmo] vaso, e faça-os para ti pão” (4:9, 12, 13).