. ‘E Esaú desprezou a primogenitura’; que signifique que o bem da vida, durante esse tempo, tenha feito pouco-caso da prioridade, é o que se vê pela significação de ‘desprezar’, que é fazer pouco-caso; pela representação de ‘Esaú’, que é o bem da vida (n. 3300, 3322); e pela significação da ‘primogenitura’, que é a prioridade (n. 3325); que seja durante esse tempo ou quanto ao tempo, foi visto (n. 3324, 3325, 3330); daí é evidente que por ‘Esaú desprezou a primogenitura’ é significado que o bem da vida, durante esse tempo, fazia pouco-caso da prioridade. Para se compreender o que significam, no sentido interno, as coisas que, neste capítulo, foram ditas de Esaú e de Jacó, é necessário afastar completamente o pensamento dos históricos, assim, das personagens de Esaú e de Jacó, e deve-se substituí-las pelas coisas que elas representam, a saber, o bem do natural e o vero do natural, ou, o que é o mesmo, o homem espiritual que é regenerado por meio do vero e bem; visto que os nomes, no sentido interno da Palavra, não significam outra coisa senão coisas reais. Quando, em lugar de Esaú e de Jacó, se compreende o bem do natural e o vero do natural, então fica evidente o modo como acontece a regeneração do homem por meio do vero e bem; a saber, que no começo o vero nele tem em aparência a prioridade e também a superioridade, ainda que em si o bem seja anterior e superior. [2] Para que se torne mais evidente o modo como acontece com a prioridade e a superioridade, ainda se dirá algumas poucas palavras. Pode-se saber que nada pode jamais entrar na memória do homem e aí permanecer, exceto se houver alguma afeição ou algum amor que induza; se a afeição for nula, ou o que é o mesmo, se for nulo o amor, não haverá nenhuma apercepção; é com essa afeição ou esse amor que a coisa que entra adere e permanece aderida, como se pode ver a partir disto, que quando uma semelhante afeição ou um semelhante amor retorna, essa coisa volta rapidamente e se apresenta com muitas outras que tinham entrado anteriormente a partir de uma semelhante afeição ou um semelhante amor, e isso em série. Daí vem o pensamento e, a partir do pensamento, a linguagem do homem; igualmente também quando a coisa retorna, se isso se efetua a partir dos objetos dos sentidos, ou dos objetos dos pensamentos, ou da linguagem de um outro, a afeição com a qual a coisa tinha entrado é também reproduzida; isso a experiência ensina, e qualquer um pode ter uma confirmação, caso reflita. [3] Os doutrinais do vero entram também semelhantemente na memória, e as coisas que nos primeiros tempos os inserem, como acima foi dito (n. 3330), são as afeições dos diversos amores. A afeição genuína, que é a do bem da caridade, não é então apercebida, mas ainda assim está presente, e quanto mais ela pode estar presente, tanto mais ela é adjunta, pelo Senhor, aos doutrinais do vero, e também tanto mais estes permanecem adjuntos. Quando, pois, o tempo chegou, para que o homem possa ser regenerado, então o Senhor inspira a afeição do bem, e por meio dela Ele estimula as coisas que por Ele mesmo foram adicionadas a essa afeição, essas coisas são chamadas, na Palavra, ‘relíquias’, e então por meio dela, a saber, pela afeição do bem, Ele afasta sucessivamente as afeições dos outros amores, por conseguinte, também as coisas que estiveram unidas com elas; e assim a afeição que pertence ao bem, ou, o que é o mesmo, o bem da vida, começa a dominar. Esse bem teve também o domínio anteriormente, mas isso não podia aparecer para o homem, pois, quanto mais o homem estiver no amor de si e do mundo, tanto mais não aparece o bem que pertence ao amor genuíno. Pelo que acaba de ser dito, pode-se agora ver o que é significado, no sentido interno, por essas coisas que são relatadas historicamente a respeito de Esaú e de Jacó. * * * * * * *