. Toda linguagem dos espíritos, e também dos anjos, se faz por intermédio dos representativos; com efeito é por admiráveis variações de luz e de sombra que eles apresentam as coisas que pensam, e isso de um modo vivo, diante da vista interna e, ao mesmo tempo, diante da vista externa daquele com quem eles falam, e é por mudanças convenientes do estado das afeições que eles as insinuam. As representações que existem nas conversações não são semelhantes às de que acima se falou, mas são tão prontas e tão instantâneas junto com as ideias da conversação deles. É como se fosse escrita alguma coisa em uma longa série e que, ao mesmo tempo, se exibisse isso em imagem perante os olhos; pois, coisa admirável, as próprias coisas espirituais, sejam quais forem, podem manifestar-se de um modo representativo por espécies de imagens que são incompreensíveis para o homem, nas quais estão interiormente as coisas que pertencem à percepção do vero, e mais interiormente ainda as que pertencem à percepção do bem. Também há no homem coisas semelhantes, pois o homem é um espírito revestido por um corpo. É o que se pode ver no fato que toda linguagem que o ouvido percebe, passa, quando sobe para os interiores, para ideias bastante semelhantes a coisas visíveis, e vai dessas ideias a ideias intelectuais, e assim é que se faz a percepção do sentido das palavras211. Quem refletir com retidão sobre esse assunto, pode saber por esse modo que nele mesmo há um espírito, que é o seu homem interno, e saber também que terá uma tal linguagem depois da separação do corpo, porque ele está nessa mesma linguagem quando vive; mas não lhe é evidente que esteja nela por causa da obscuridade, e até mesmo da escuridão que as coisas terrestres, corporais e mundanas induzem.