. Havia comigo, desde muito tempo, espíritos de uma outra terra astral, aos quais quando falei da sabedoria de nosso globo, e lhes disse que entre os conhecimentos dos quais os eruditos têm reputação há também os analíticos, por meio dos quais muito se ocupam em examinar as coisas que pertencem a mente e aos pensamentos da mente, e que eles chamam metafísicas e lógicas, mas que eles fizeram pouco progresso além dos termos e de algumas regras flexíveis; e que eles estão em contestação a respeito dos termos, por exemplo, sobre o que se entende por forma, o que por substancia, o que por mente, o que por alma, e que por meio dessas regras gerais flexíveis, eles disputam severamente sobre os veros. Percebi então por esses espíritos que tais disputas abstraem todo sentido e todo entendimento da coisa, quando neles se detêm como nos termos, e pensam a respeito de tais coisas por meio de regras artificiosas. [2] Diziam-me eles que tais argumentações são meramente pequenas nuvens negras, que obstruem a vista intelectual, e que elas lançam o entendimento no pó. Acrescentavam que com eles não acontece o mesmo, mas que eles têm ideias mais claras das coisas por isso, que nada sabem de tais [modos de raciocinar]. Permitiu-se-me ver quanto eles eram sábios. Eles representavam de um modo admirável a mente humana como uma forma celeste, e as afeições da mente como esferas de atividade que nela eram convenientes, e isso com tanta destreza que eles foram muito elogiados pelos anjos. Eles representavam também como o Senhor transforma em afeições agradáveis as afeições que em si mesmas são desagradáveis. [3] Doutos de nosso globo estavam presentes, e nada podiam compreender, ainda que na vida do corpo tivessem falado muito de tais coisas filosoficamente. Por sua vez os espíritos tendo percebido os pensamentos desses doutos, no fato de se apegarem somente aos termos e de se inclinarem para disputar acerca de cada coisa, se é ou não assim, chamavam tais [modos de racionar] de espumas feculentas.