Texto
. Que o movimento seja uma mudança de estado, é por isso, porque o movimento acontece no espaço e no tempo; e, na outra vida, não é nula a ideia do espaço e do tempo, mas em vez dela há a ideia do estado. Na realidade, na outra vida, todas as coisas aparecem como no espaço e sucedem como no tempo, mas são em si mudanças de estado, pois elas daí resultam. Isso é conhecidíssimo de cada espírito, até dos maus, que, por mudanças de estado que eles induzem nos outros, fazem com que apareçam em outra parte, quando, entretanto, eles ali não estão. É também o que pode ser conhecido do homem a partir disso, que quanto mais o homem se acha em um estado de afeições e, daí, em um estado de regozijo, e quanto mais ele se acha em um estado de pensamento e, daí, em um estado de ausência do corpo, tanto mais ele não está no tempo, pois muitas horas então mal lhe parecem como uma; e isso por essa causa, porque há em seu homem interno, ou em seu espírito, estados aos quais correspondem os espaços e os tempos no homem externo. Portanto, o movimento, porque é uma progressão sucessiva no espaço e no tempo, é uma mudança de estado no sentido interno.
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