. Sentido Interno *3362. Tratou-se, no capítulo 21, de Abimeleque, que firmara uma aliança com Abrahão e que, então, Abrahão o tinha repreendido a respeito de um poço de águas, do qual os servos dele se apossaram. Aqui acontecem, entre Abimeleque e Isaque, coisas quase semelhantes, até mesmo nisso, que Isaque tenha dito ser sua esposa a sua irmã, assim como Abrahão também tinha dito. A partir disso, é evidente que nisso há um arcano Divino, pela razão que tais fatos acontecem pela segunda vez e são relatados pela segunda vez, e também que tanto em uma como em outra circunstância se fala de poços. Ora, não seria tão importante saber alguma coisa a respeito, exceto se o Divino estivesse ali escondido; mas o sentido interno ensina o que está ali escondido, e mostra que se trata da conjunção do Senhor com aqueles que estão em Seu Reino nos céus e nas terras por meio dos veros e, de fato, pelas aparências do vero de um grau superior com os anjos, e pelas aparências do vero de um grau inferior com os homens, consequentemente, por meio da Palavra, em cujos sentidos interno e externo estão essas aparências. Com efeito, os Veros Divinos mesmos são tais, que nunca podem ser compreendidos por anjo algum, menos ainda por algum homem; eles excedem toda faculdade de entendimento deles. Contudo, para que haja conjunção do Senhor com os anjos e com os homens, os Veros Divinos influem neles nas aparências; e esses veros, quando estão nas aparências, podem não só ser recebidos, mas também reconhecidos. Isso se faz de um modo adequado a compreensão de cada um; razão por que as aparências, isto é, os veros angélicos e humanos, são de três graus. São esses os arcanos Divinos que estão contidos, no sentido interno, dos acontecimentos e relatos referentes a Abimeleque e a Abrahão, e, no sentido interno, dos acontecimentos e relatos a respeito de Abimeleque e Isaque.