ac 3368

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Não desças ao Egito; reside na terra que digo a ti’; que signifique que não para os conhecimentos, mas para as coisas racionais, que, iluminadas pelo Divino, são aparências do vero, é o que se vê pela significação do ‘Egito’, que são os conhecimentos (n. 1164, 1165, 1462, 1186); e pela significação da ‘terra’, que aqui são as coisas racionais que, iluminados pelo Divino, são as aparências do vero, porquanto a terra que aqui se entende é Gerar, onde habitava Abimeleque, rei dos filisteus; e por ‘Gerar’ é significada a fé, e por ‘Abimeleque’, a doutrina da fé visando as coisas racionais, e pelo ‘rei dos filisteus’ são significados os doutrinais (n. 3363, 3365). Por isso pela ‘terra’, a saber, por ‘Gerar’, onde habitava Abimeleque, não foi significada outra coisa no sentido interno.
[2] Com efeito, a significação da terra é variada (ver n. 620, 636, 1066), e significa a qualidade da nação de que é predicada (n. 1262); mas no sentido próprio ela significa a igreja (n. 3355), e porque significa a igreja, também significa as coisas que pertencem à igreja, isto é, as coisas que no homem fazem a igreja; por conseguinte, os doutrinais da caridade e da fé, assim também as coisas racionais que, iluminadas pelo Divino, são as aparências do vero. Estas, com efeito, são os veros da igreja, assim, os seus doutrinais (ver acima os n. 3364, 3365). Quer se diga as coisas racionais iluminadas pelo Divino, quer ser diga as aparências do vero, quer se diga os veros celestes e espirituais tais quais eles estão no Reino do Senhor nos céus, ou no céu, e tais quais eles estão no Reino do Senhor nas terras, ou na igreja, é o mesmo. As mesmas coisas são também chamadas doutrinais, mas isso por causa dos veros que estão nelas. O racional angélico e humano é e se chama ‘racional proveniente das aparências do vero iluminadas pelo Divino’, sem elas não há racional; assim, as coisas racionais são essas aparências.
[3] Que aqui se diga que não desceria ao Egito, isto é, que não desceria para os conhecimentos, é porque precedentemente se tratou dos conhecimentos, já que a peregrinação de Abrahão ao Egito representava a instrução do Senhor nos conhecimentos na meninice (n. 1502). Quanto ao arcano, que não descesse ao Egito mas a peregrinar na terra de Gerar, isto é, que não olhasse para os conhecimentos, mas para as coisas racionais, assim se tem: Todas as aparências do vero nas quais está o Divino pertencem ao racional a tal ponto, que os veros racionais e as aparências do vero são a mesma coisa; mas os conhecimentos pertencem ao natural a tal ponto, que as coisas naturais e os veros do conhecimento são a mesma coisa. Os veros racionais ou as aparências do vero nunca podem ser e existir senão pelo influxo do Divino no racional, e por meio das coisas racionais nos conhecimentos que pertencem ao natural. As coisas que então se fazem no racional aparecem no natural do mesmo modo que a imagem de muitas pessoas aparece ao mesmo tempo em um espelho, e assim se apresenta diante do homem, e também diante do anjo; mas diante do anjo, não com tanta evidência no natural, mas sim naqueles que estão no mundo dos espíritos e no espiritual-natural; daí para estes os representativos do vero.
[4] É o que também acontece com cada homem, pois, como foi dito anteriormente, aquele que está no bem é um exíguo céu, ou, o que é o mesmo, a imagem do máximo céu; e porque o Divino Vero não pode influir imediatamente nos conhecimentos que pertencem ao seu homem natural, mas influi por meio das coisas racionais, como dito, por isso aqui se diz que não descesse ao Egito, mas que residisse na terra de Gerar. Contudo, não é possível ter uma ideia clara sobre esse assunto, exceto se se souber qual é o influxo, bem como quais são as ideias. É por isso que, pela Divina Misericórdia do Senhor, se tratará dessas coisas no fim dos capítulos, onde estão as experiências.

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