ac 3373

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E à tua semente’; que signifique o vero, vê-se pela significação da ‘semente’, que é o vero (n. 29, 255, 1025, 1447, 1610, 1940, 2848, 3310); assim, é o vero procedente do Divino do Senhor, que é ‘tua semente’. Aqueles que compreendem a Palavra somente segundo o sentido da letra não podem saber outra coisa senão que a semente é a posteridade, por conseguinte, aqui, a posteridade de Isaque oriunda de Esaú e Jacó (principalmente de Jacó), porque nessa nação houve a Palavra, e nela existem tantos históricos a respeito deles. Mas no sentido interno pela ‘semente’ não se entende uma posteridade proveniente de Isaque, mas todos aqueles que são filhos do Senhor, assim, os filhos de Seu Reino, ou, o que é o mesmo, os que estão no bem e no vero que procedem do Senhor; e porque esses são a ‘semente’, segue-se que o bem e vero mesmo que procede do Senhor é a semente, pois por isso são os filhos; é também por isso que os veros mesmos que procedem do Senhor são chamados os ‘filhos do Reino’ em Mateus:
“Quem semeia a boa semente é o Filho do homem; o campo é o mundo, a semente são os filhos do reino” (13:37, 38);
daí também, em geral, pelos ‘filhos’ são significados os veros (n. 489, 491, 533, 1147, 2623).
[2] Qualquer um que pensa um pouco mais elevadamente ou mais interiormente, pode saber que pela ‘semente de Abrahão’, ‘de Isaque’ e ‘de Jacó’, tantas vezes mencionada, e de que se diz tantas vezes que seria abençoada, e isso de preferência a todas as nações e povos do globo terráqueo, não pode significar, na Divina Palavra, a posteridade deles. Com efeito, dentre todas as nações, estes estiveram menos que todos os outros no bem do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo, e mesmo não estiveram em nenhum vero da fé, pois eles não sabiam de modo algum o que é o Senhor, o que é o Reino d’Ele, assim, o que e o céu, e o que é a vida depois da morte, tanto porque não queriam saber, quanto porque se viessem a saber a respeito dessas coisas, teriam absolutamente negado em seu coração, e assim teriam profanado os bens e veros interiores, assim como eles profanaram os exteriores por isto, que se tornaram tantas vezes abertamente idólatras. Esta é a causa de que tão raramente aparecerem alguns veros interiores no sentido da letra da Palavra do Antigo Testamento. Como eles eram tais, por isso o Senhor, a respeito deles, por Isaías, disse:
“Cegou deles os olhos; e endureceu deles o coração, para que não vejam com os seus olhos, e entendam com o coração, e se convertam, e [Eu] os cure” (João, 12:40);
e disse a respeito deles, quando disseram ser a semente de Abrahão:
“Disseram: Somos a semente de Abrahão; Abrahão é nosso pai; disse-lhes Jesus: Se fosseis filhos de Abrahão, faríeis as obras de Abrahão: Vós por pai tendes o diabo, e os desejos do vosso pai quereis fazer” (João, 8:33, 39, 44);
aqui por ‘Abrahão’ se entende também o Senhor, como em toda a parte na Palavra; que eles não tenham sido a semente d’Ele ou os filhos, mas sim do diabo, é o que está claramente dito. Daí é bastante evidente que pela semente de Abrahão, de Isaque e de Jacó, na Palavra tanto histórica como profética, não são, de modo algum, entendidos os judeus, porque a Palavra é Divina em toda a parte, mas são entendidos todos que são a semente do Senhor, isto é, todos que estão no bem e vero da fé n’Ele. Que é do Senhor só que procede a semente celeste, isto é, todo bem e vero, foi visto (n. 1438, 1614, 2016, 2803, 2882, 2883, 2891, 2892, 2904, 3195).

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