ac 3382

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E guardou as Minhas [coisas que eram] para ser guardadas, os Meus preceitos, os Meus estatutos e as Minhas leis’; que signifique pelas contínuas revelações vindas d’Ele mesmo, a saber, do mesmo modo que por meio das tentações, também por meio delas, Ele também unira a Essência Divina à Essência Humana, é o que se pode ver a partir disso, que ‘guardar para serem guardados os preceitos, os estatutos e as leis’ envolve todas as coisas da Palavra, a saber, devem ser guardadas todas as coisas da Palavra em geral: os ‘preceitos’, os seus internos; os ‘estatutos’, seus externos; e as leis, todas as coisas especificamente. Por essas coisas, porque estão sendo predicadas do Senhor, Que foi de eternidade a Palavra, e por Quem existem todas essas coisas, não pode ser significado, no sentido interno, que Ele mesmo as tinha observado, mas sim que Ele as revelara a Si mesmo quando esteve no estado de união do Humano com o Divino.
[2] A princípio essas coisas se mostram realmente muito afastadas do sentido da letra, e mesmo do sentido interno mais próximo, mas ainda assim, quando essas palavras são lidas pelo homem, é esse o sentido delas no céu, pois, como foi dito algumas vezes e como se pode ver pelos exemplos (n. 1873, 1874), o sentido da letra, ao subir para o céu, é despojado, e no lugar dele um outro sentido, que é celeste, substitui, a tal ponto que não se pode mais conhecer que ele vem dali. De fato, aqueles que estão no céu estão na ideia de que todas as coisas da Palavra tratam do Senhor no sentido interno, e também de que todas as coisas da Palavra procedam do Senhor, e até mesmo que o Senhor, quando esteve no mundo, pensara a partir do Divino, assim, a partir de Si mesmo, e que Ele adquiriu para Si toda inteligência e toda sabedoria por contínuas revelações provenientes do Divino. Por isso, dessas palavras não percebem eles outra coisa, pois ‘guardar para serem guardados, os preceitos, os estatutos e as leis’, não são coisas predicáveis do Senhor, porque Ele mesmo foi a Palavra, por conseguinte, Ele mesmo é Aquele que deve ser guardado, Ele mesmo é o Preceito; então Ele mesmo é o Estatuto, e Ele mesmo é a Lei. Com efeito, todas essas coisas se referem a Ele como o Primeiro de Quem elas provêm, e como o Último para Quem elas tendem214. Por isso, por essas palavras, no sentido supremo, não pode ser significada outra coisa senão a União do Divino do Senhor com o Humano por meio de contínuas revelações oriundas d’Ele mesmo. Que o Senhor pensara a partir do Divino, assim, por Si mesmo, de modo diferente do dos outros homens, foi visto (n. 1904, 1914, 1935); e que Ele adquiriu para Si a inteligência e a sabedoria por contínuas revelações provenientes do Divino, n. 1616, 2500, 2523; 2632.
[3] Que ‘guardar para serem guardadas’ sejam todas as coisas da Palavra no geral, e que os ‘preceitos’ são os internos da Palavra, os ‘estatutos’ os externos da Palavra, e que as leis são todas as coisas da Palavra especificamente, pode-se ver, no sentido genuíno, por um grande número de passagens consideradas no sentido interno, das quais se permite citar algumas, por exemplo em Davi:
“Bem-aventurados os íntegros em [seus] caminhos, que andam na Lei de JEHOVAH; bem-aventurados os que guardam os testemunhos d’Ele: Queira Deus215 [que] sejam dirigidos os meus caminhos a guardar os Teus estatutos: os Teus estatutos guardarei; não me desampares totalmente. Com todo o meu coração Te busquei, não me faça desviar dos Teus preceitos; no meu coração escondi a Tua Palavra, para não pecar contra Ti. Bendito [és] Tu JEHOVAH, ensina-me os Teus estatutos. Com os meus lábios narrei todos os Juízos da Tua boca. No caminho dos Teus testemunhos alegro[-me]. Nos Teus mandamentos medito, e respeitarei os Teus caminhos. Nos Teus estatutos me deleito; não me esquecerei da Tua Palavra. Retribui ao Teu servo, para que viva e guarde a Tua Palavra; revela aos meus olhos, para que veja as maravilhas vindas da Tua Lei. Não escondas de mim os Teus preceitos. Vivifica-me segundo a Tua Palavra; ensina-me os Teus estatutos; faze-me entender o caminho dos mandamentos” (Sl. 119:1 ao 27).
Aí, em todo o Salmo, se trata da Palavra e das coisas que pertencem à Palavra; que essas coisas sejam os preceitos, os estatutos, os juízos, os testemunhos, os mandos, os caminhos, é evidente, mas o que significa especificamente cada uma dessas coisas, não se pode ver de modo algum pelo sentido da letra; neste sentido mal se pode ver alguma coisa senão que há repetições da mesma coisa; mas pode-se ver a partir do sentido interno, em que há absolutamente outra coisa significada pelos preceitos, pelos estatutos, e outra pelos juízos, testemunhos, mandos.
[4] É semelhante em outras passagens no mesmo:
“A Lei de JEHOVAH [é] perfeita, restaurando a alma216; o Testemunho de JEHOVAH é firme, tornando sábio o simples. Os Mandamentos deJEHOVAH [são] retos, alegrando o coração; o Preceito de JEHOVAH [é] puro, iluminando os olhos. O temor de JEHOVAH [é] limpo, permanecendo pela eternidade; os Juízos de JEHOVAH [são] a verdade” (Sl. 19:8, 9, 10 [Em JFA, 7, 8, 9]).
E no Livro dos Reis: “Davi disse a Salomão:
Guarda [o que é] para guardar de Teu Deus, para andar nos caminhos d’Ele, para seguires os estatutos d’Ele, e os Preceitos d’Ele, e os juízos d’Ele, e os Testemunhos d’Ele, segundo o que está escrito na Lei de Moisés” (1Rs. 2:3);
‘guardar [o que é] para ser guardado’ está por tudo que pertence à Palavra em geral, visto que é o que é nomeado em primeiro lugar; e o que segue é considerado como menos geral. Com efeito, ‘guardar o que deve ser guardado’ é o mesmo que observar o que deve ser observado217. Em Moisés:
“Amarás a JEHOVAH, teu Deus, e guardarás [as coisas que são] para guardar d’Ele, e os estatutos e os juízos d’Ele, e os preceitos d’Ele, todos os dias” (Dt. 11:1);
onde ‘guardar [as coisas que são] para guardar’ [ou guardar as observâncias], ou seja, ‘observar o que deve ser observado, está igualmente no lugar de todas as coisas que pertencem à Palavra no geral. Os ‘estatutos’ estão pelos externos da Palavra, tais quais são os ritos e as coisas que são representativas e significativas do sentido interno; os ‘preceitos’ por sua vez estão pelos internos da Palavra tais quais são as coisas que pertencem à vida e à doutrina, principalmente as que pertencem ao sentido interno; mas a respeito da significação dos ‘Preceitos’ e dos ‘Estatutos’ se dirá, pela Divina Misericórdia do Senhor, em outra parte.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.