Texto
. ‘Quem tocar nesse varão, e na mulher dele, morrendo morrerá’; [que] signifique que o Divino Vero e o Divino Bem não devem ser abertos, e ainda assim não se deve aproximar deles pela fé, por causa do perigo da danação eterna se eles forem profanados, é o que se vê pela significação de ‘tocar nesse varão e na mulher dele’, que é aproximar-se do Divino Vero e do Divino Bem que são representados por Isaque e Rebeca; aqui, o vero é nomeado em primeiro lugar e o bem em segundo lugar porque se trata dos que estão na igreja espiritual, os quais podem adulterar e até profanar o vero, mas não o bem, e como assim acontece, foi dito ‘o varão e a mulher’ (n. 915, 2517), e pela significação de ‘morrendo morrerá’, que é a danação eterna, que é a morte espiritual; aqui, por causa da profanação de que se trata.
[2] Que venha da Providência do Senhor que ninguém seja admitido no bem e no vero, isto é, no reconhecimento e na afeição deles, exceto se neles puder permanecer ulteriormente, por causa do perigo da danação eterna, foi visto acima (n. 3398). Tem-se com o bem e o vero, como já foi dito e demonstrado algumas vezes, que no homem eles se retiram para dentro quanto mais este está no mal e no falso, por conseguinte, que os anjos que do céu estão com ele tanto mais se retiram, e os espíritos diabólicos, que do inferno estão com ele, se aproximam outro tanto; assim vice-versa. O afastamento do bem e do vero, por conseguinte, dos anjos, de junto do homem que está no mal e no falso não se mostra para ele, porque então ele está na persuasão que o mal é o bem e o falso é o vero, e isso por causa da afeição deles e, daí, do prazer que ela lhe proporciona [in quo statu cum est]; e quando ele se acha nesse estado, ele não pode de modo algum saber que o bem e o vero estão afastados dele. Diz-se então que o bem e o vero, ou os anjos, estão afastados do homem quando o homem não é mais afetado por eles, isto é, quando eles não mais o deleitam, mas sim quando, ao contrário, ele é afetado do que pertence ao amor de si e ao amor do mundo, isto é, quando somente essas coisas o deleitam.
[3] Saber o bem e o vero ou tê-los pela memória e trazê-los nos lábios, não é ter o bem e o vero, mas ter o bem e o vero é ser afetado deles pelo coração. Também não é ter o bem e o vero quando se é afetado deles para adquirir por meio deles reputação e riquezas, então é da honra e do ganho que se é afetado e não do bem e do vero, e é fazer destes meios de obter aqueles. Na outra vida, nos que são tais, os bens e os veros que eles conheceram, e até pregaram, são retirados, mas o amor de si e do mundo, dos quais provinha a vida deles, permanece. A partir disso, pode-se ver o modo como acontece com o bem e o vero, a saber, que a ninguém é permitido aproximar-se deles pela afeição e pela fé, exceto se for tal que possa permanecer neles até o fim da sua vida; mas os que profanam não podem ser mantidos afastados deles.