. ‘Todos os poços que os servos do pai dele cavaram, nos dias de Abrahão, pai dele, os filisteu os tapavam’; que signifique que aqueles que estão nos conhecimentos das cognições não queriam saber os veros interiores que procedem do Divino, assim, que eles os obliteraram, é o que se vê pela significação dos ‘poços’, que são os veros (n. 2702, 3096), aqui, os veros interiores que procedem do Divino, porque dos ‘poços’, pelos quais os veros são significados, se diz ‘terem sido cavados pelos servos do pai dele nos dias de Abrahão, pai dele’, porquanto por ‘Abrahão’ é representado o Divino mesmo do Senhor (n. 2011, 2833, 2836, 3251, 3305 no fim); pela significação de ‘tapar’, que é querer não saber e, assim, obliterar; e pela representação dos ‘filisteus’, que são aqueles que estão somente nos conhecimentos das cognições (n. 1197, 1198). [2] Trata-se agora das aparências do vero de um grau inferior, nas quais podem estar aqueles que estão nos conhecimentos das cognições, e aqui eles se entendem pelos ‘filisteus’. Assim acontece com os veros interiores que procedem do Divino e são obliterados pelos que são chamados filisteus: Na Antiga Igreja e depois, foram denominados filisteus aqueles que pouco se aplicaram à vida, mas muito à doutrina, e na sucessão do tempo também rejeitaram as coisas que pertencem à vida, e reconheceram como o essencial da igreja as coisas que pertencem à fé, que eles separaram da vida. Consequentemente, consideraram como nada os doutrinais da caridade, os quais, na Antiga Igreja, eram o todo da doutrina, e assim os obliteravam, enquanto enalteceram em lugar deles os doutrinais da fé, e neles puseram toda a religiosidade; e porque assim se retiraram da vida que pertence à caridade, ou da caridade que pertence à vida, eles, mais do que os outros, foram ditos incircuncisos, visto que os incircuncisos significavam todos que não estiveram na caridade, fosse qual fosse o modo pelo qual estivessem nos doutrinais (n. 2049 no fim). [3] Tais homens, que se retiraram da caridade, afastaram-se também da sabedoria e da inteligência, porquanto ninguém pode saber nem entender o que é o vero, salvo se estiver no bem, isto é, na caridade. Com efeito, todo vero provém do bem e visa o bem; assim, aqueles que estão sem o bem não podem entender o vero e nem sequer querem sabê-lo. Com tais espíritos, na outra vida, quando estão longe do céu, aparece às vezes uma luz nívea, mas essa luz é qual a luz do inverso, que, porque é privada de calor, nada faz frutificar. Por isso também, quando tais espíritos se aproximam do céu, a luz deles é vertida em meras trevas, e a mente deles em coisas semelhantes, isto é, em estupor. A partir dessas explicações, agora se pode ver o que se entende por: Aqueles que estão somente nos conhecimentos das cognições não queriam saber os veros interiores que procedem do Divino, e assim eles os obliteraram.