ac 3417

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E acampou-se no vale de Gerar, e habitava ali’; que signifique que era para os racionais inferiores, ou das aparências interiores para as exteriores, é o que se vê pela significação de ‘acampar-se’, que é dispor em ordem; pela significação do ‘vale de Gerar’, que são as coisas racionais inferiores ou as aparências exteriores do vero, visto que o ‘vale’ significa as coisas inferiores, ou, o que é o mesmo, as exteriores (n. 1723), e ‘Gerar’, as coisas que pertencem à fé, assim, as que pertencem ao vero (n. 1209, 2504, 3365, 3384, 3385), e pela significação de ‘habitar’, que é estar e viver (n. 3384). Daí é evidente que ‘acampou-se no vale de Gerar, e habitava ali’ signifique que o Senhor dispôs os veros a fim de que eles fossem também adequados à compreensão e ao gênio dos que estão não na vida, mas nos doutrinais da fé, como se pode ver pela Palavra, onde também os veros estão dispostos assim.
[2] Seja um exemplo: Aqueles que estão nos doutrinais e não do mesmo modo na vida não sabem outra coisa senão que o Reino celeste é semelhante aos reinos na terra nisto: que ali, para se tornar grande, deve-se mandar nos outros; o prazer dessa dominação é o único prazer que eles conhecem e que preferem a qualquer outro prazer. É por isso que o Senhor também falou na Palavra segundo essa aparência; por exemplo, em Mateus:
“Quem faz e ensina, esse é chamado grande no Reino dos céus” (5:19);
e em Davi:
“Eu disse: Deuses vós [sois], e filhos do Altíssimo todos vós” (Sl. 82:6; João, 10:34, 35);
e porque os próprios Discípulos também não tiveram no começo outra opinião a respeito do Reino celeste, senão uma opinião de grandeza e de preeminência, como na terra (como se vê em Mateus, 18:1; Marcos, 9:34; Lucas, 9:46); e eles também tinham a ideia de ficarem assentados à direita e à esquerda do Rei (Mt. 20:20, 21, 24; Mc. 10:37), é também por isso que, segundo a compreensão e também o seu gênio deles [animum illorum], o Senhor respondeu, dizendo, quando se elevou entre eles uma contenda sobre quem seria o maior dentre eles:
“Comereis e bebereis sobre a Minha mesa no Meu Reino, e vos assentareis em tronos julgando as doze tribos de Israel” (Lc. 22:24, 30; Mt. 19:28);
visto que então eles não sabiam que o prazer celeste não era o prazer da grandeza e da preeminência, mas o prazer da humilhação e da afeição de servir aos outros, assim, de querer ser não o maior, mas o menor, como o Senhor o ensina em Lucas:
“Aquele que dentre todos vós for o menor, esse será o maior” (9:48).
[3] Assim, aqueles que estão no conhecimento das cognições e não na vida da caridade, esses não podem saber que existe outro prazer senão o que resulta da preeminência, e como unicamente esse prazer incide em suas mentes e faz o todo da vida deles, por isso eles ignoram absolutamente o prazer celeste, que resulta da humilhação e da afeição de servir aos outros, isto é, o prazer do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo, por conseguinte, a bem-aventurança e a felicidade que daí provêm. Esta é a causa de que o Senhor falou de forma adaptada à franqueza deles, a fim de que pudessem ser assim estimulados e introduzidos ao bem, tanto para aprender, como para ensinar e fazer; mas Ele ensina entretanto o que é a grandeza e o que é a preeminência no céu, por exemplo em Mt. 19:30; 20:16, 25, 26, 27, 28; Mc. 10:31, 42, 43, 44, 45; Lc. 9:48; 13:30; 22:25, 26, 27, 28. Essas coisas e outras semelhantes são aparências do vero do grau inferior; com efeito, torna-se grande, tem-se relativamente preeminência, poder, mando, porquanto um só dos anjos é mais poderoso do que miríades de espíritos infernais, mas não por si próprio, mas pelo Senhor; e tanto mais o anjo tem poder pelo Senhor, quanto mais ele crê que nada pode por si próprio, assim, quanto mais crê ser o menor; e ele pode tanto mais crer isso, quanto mais ele está na humilhação e na afeição de servir aos outros, isto é, no bem do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo.

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