. ‘Os servos de Isaque cavaram no vale, e acharam ali um poço de águas vivas’; que signifique a Palavra quanto ao sentido literal, no qual está o sentido interno, é o que se vê pela significação de ‘cavar no vale’, que é inquirir inferiormente, segundo os veros, onde, pois, eles estão, porquanto ‘cavar’ é inquirir, e o ‘vale’, é o inferior (n. 1723, 3417); e pela significação do poço de ‘águas vivas’, que é a Palavra, na qual estão os Veros Divinos, assim, a Palavra quanto ao sentido literal no qual está o sentido interno. Que a Palavra seja dita ‘fonte’ e de fato ‘fonte de águas vivas’, é sabido. Que a Palavra é também dita ‘poço’, vem isso de que o sentido da letra é relativamente tal, e de que a Palavra, relativamente aos espirituais, não é uma fonte, mas sim um poço (ver n. 2702, 3096). Visto que o ‘vale’ é o que é inferior, ou, o que dá no mesmo, o que é exterior, e que no vale foi achada a fonte, e como o sentido literal é o sentido inferior ou exterior da Palavra, por isso é o sentido literal que é entendido. Mas como neste sentido há o sentido interno, isto é, o sentido Celeste e Divino, por isso se diz das águas desse poço que são ‘vivas’, como também as águas que saiam de debaixo do limiar da Nova Casa em Ezequiel: “E acontecerá [que], toda alma ferina que rasteja, por qualquer parte em que o rio vier ali, viverá; e haverá em extremo muito peixe, porque vêm para ali essas águas, e serão sanadas, e viverá tudo onde vier o rio” (47:8, 9); onde o ‘rio’ é a Palavra; as ‘águas que fazem tudo viver’ são os Divinos Veros que estão nela; o ‘peixe’ são os conhecimentos (n. 40, 991). [2] Que a Palavra do Senhor seja tal, que dá a quem tem sede, isto é, dá a vida a quem deseja a vida, e que seja uma fonte cujas águas são vivas, o Senhor também ensina em João: “Jesus disse à mulher de Samaria junto ao poço de Jacó: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é O que te diz: Dá-Me de beber; tu pedirias a ele, e dar-te-ia água vivente. ...Quem beber da água que Eu lhe darei não terá sede pela eternidade; mas a água que lhe darei se tornará nele uma fonte de água jorrando pela vida eterna” (4:10, 14). Que a Palavra seja viva e, portanto, dê a vida, vem isso de que, no sentido supremo, ali se trata do Senhor, e no íntimo, do Seu Reino, no qual o Senhor é tudo; e como é assim, é a vida mesma que está na Palavra e que influi nas mentes daqueles que leem em santidade a Palavra. Daí vem que o Senhor diga de Si, quanto a Palavra que procede d’Ele, ser ‘uma fonte de águas jorrando pela vida eterna’ (ver também o n. 2702). [3] Que a Palavra do Senhor, do mesmo modo que é dita ‘fonte’, também é dita ‘poço’, vê-se em Moisés: “Cantou Israel [este] cântico: Sobe, poço! Respondei-lhe: o poço, cavaram[-no] os príncipes, escavaram os primeiros do povo sob o Legislador, com os seus bastões” (Nm. 21:17, 18); estas palavras foram pronunciadas no lugar chamado Beer, isto é, no lugar do poço; que nesta passagem o poço significa a Palavra da Antiga Igreja de que se falou no n. 2897, é evidente pelas explicações que antecedem ali; os ‘príncipes’ são os veros principais dos quais provém; que os príncipes são os veros principais, foi visto (n. 1482, 2089); os ‘primeiros do povo’ são os veros inferiores, tais quais são aqueles que estão no sentido literal (n. 1259, 1260, 2928, 3295); que o ‘Legislador’ seja o Senhor, é evidente; os ‘bastões’ são os poderes que estão nos veros inferiores.