ac 3428

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E cavaram outro poço, e contenderam também sobre ele’; que signifique o sentido interno da Palavra, se ele existe, é o que se pode ver pela significação de ‘outro poço’, e de ‘contender’, de que se tratou acima, assim, pela série. Com efeito, os que negam alguma coisa, como os que negam o sentido interno da Palavra, quando contendem ou disputam de novo, não pode ser a respeito de outra coisa senão se existe. Sabe-se que a maior parte das contestações hoje não vão mais longe; mas quanto mais alguém se detém na controvérsia se tal coisa existe e se é dessa maneira, nunca é possível fazer progresso em alguma coisa que pertença à sabedoria. De fato, na coisa mesma sobre a qual se está em controvérsia há coisas inumeráveis que nunca podem ver enquanto não a reconhecem, pois então ignoram todas e cada uma das suas coisas ao mesmo tempo.
[2] A erudição de hoje dificilmente ultrapassa esses limites, a saber, se tal coisa existe e se ela é de tal maneira; é por isso também que se mantém excluída da inteligência do vero. Por exemplo, aquele que discute somente sobre a existência do sentido interno da Palavra, este nunca pode ver as inumeráveis coisas, e mesmo infindas, que estão no sentido interno. E ainda para exemplo, aquele que põe em contestação se a caridade é alguma coisa na igreja, e se tudo que pertence à caridade não proviria da fé, este não pode conhecer as inúmeras coisas, e até infindas, que estão na caridade; e ainda mais, ele permanece mesmo em uma completa ignorância a respeito do que é a caridade.
[3] O mesmo acontece com a vida após a morte, com a ressurreição dos mortos, com o juízo final, com o céu e com o inferno; aqueles que se limitam a disputar sobre a existência dessas coisas, estes estão por tanto tempo fora das portas da sabedoria, e são como os que batem à porta e nem sequer podem dirigir os seus olhares para os magníficos palácios da sabedoria; e o que é surpreendente, tais indivíduos que assim procedem se creem mais sábios do que os outros, e tanto mais sábios quanto melhor podem dissertar se tal coisa é assim, e confirmar mais que ela não é assim, quando, todavia, os simples que estão no bem, aos quais eles desprezam, podem, sem discussão alguma e, menos ainda, sem uma controvérsia constituída, aperceber em um momento o que essa coisa é e qual é a sua qualidade. Estes têm o senso comum da apercepção do verdadeiro; aqueles, porém, extinguiram esse senso por meio dessas coisas que querem primeiro discutir se existem. O Senhor fala a respeito de uns e de outros quando diz que as coisas foram escondidas dos sábios e inteligentes e reveladas às crianças (Mt. 11:25; Lc. 10:21).

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