ac 3432

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E cavou outro poço, e não contenderam sobre ele’; que signifique o sentido literal da Palavra, é o que se vê pela significação do ‘poço’, que é a Palavra (n. 3072, 3024); aqui, a Palavra quanto ao sentido literal, pois se diz que ‘ele se transferiu dali e cavou outro poço, e que eles não contenderam sobre ele’, pelo que é significado esse sentido da Palavra, que é exterior e que eles não negam, esse sentido é o que é chamado literal. O sentido literal da Palavra é tríplice, a saber, histórico, profético e doutrinal; cada um desses sentidos é tal que ele pode ser compreendido até por aqueles que estão nos externos.
[2] Com a Palavra acontece assim: No tempo antiquíssimo, quando a igreja era celeste, não houve Palavra, já que o homem daquela igreja tinha a Palavra inscrita em seu coração. Com efeito, o Senhor lhes ensinava imediatamente por meio do céu o que é o bem e, daí, o que é o vero; e Ele lhes concedia perceber um e outro a partir do amor e da caridade, e saber a partir da revelação. O Senhor foi, para eles, a Palavra mesma [ipsissimum Verbum]. Após essa igreja sucedeu outra, que não era celeste, mas sim espiritual; esta, no começo, não teve outra Palavra, senão o que tinha sido reunido desde os antiquíssimos, essa Palavra era o representativo do Senhor e o significativo de Seu Reino; assim, para eles, o sentido interno foi a Palavra mesma. Que eles tenham tido também uma Palavra escrita, tanto histórica como profética, que não existe mais, e que nela tenha havido, semelhantemente, um sentido interno, que se referia ao Senhor, foi visto (n. 2685). Por isso a sabedoria desse tempo foi tanto falar quanto escrever por meio de coisas representativas e significativas: dentro da igreja, a respeito das coisas Divinas, e fora da igreja, a respeito das outras coisas, como é evidente pelos escritos desses antigos, escritos que estão conosco. Mas na sucessão dos tempos, essa sabedoria pereceu ao ponto que, por fim, não sabiam mais que havia neles algum sentido interno, mesmo nos livros da Palavra. Tal era a nação judaica e israelita; ela224 teve como santa a Palavra profética por causa disso, que ressoava alguma coisa de antigo, e que eles ouviam o nome de JEHOVAH no sentido da letra, não crendo que contivesse alguma coisa Divina escondida mais elevadamente. O mundo cristão não pensa de um modo mais santo a respeito da Palavra.
[3] A partir dessa explicação, pode-se ver o modo como a sabedoria, no tempo que sucedeu, dos íntimos, tenha se retirado para os mais externos, e o homem se afastara do céu e, por fim, tenha descido ao pó da terra, no qual ele agora põe a sabedoria. Como aconteceu assim com a Palavra, a saber, que o seu sentido interno fora sucessivamente obliterado, e hoje a um tal ponto que não se sabe que ele existe, quando, todavia, ele é a Palavra mesma [ipsissimum Verbum] em que o Divino está mais perto, por isso neste capítulo estão descritos os seus estados sucessivos.

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