. ‘E vieram os servos de Isaque’; que signifique as coisas racionais, é o que se pode ver pela significação dos ‘servos’, que são os racionais, bem como os conhecimentos (n. 2567); e pela representação de ‘Isaque’, que é o Senhor quanto ao Divino Racional (n. 1893, 2066, 2072, 2083, 2630, 3194, 3210). Pelas coisas que procedem, vê-se o que é aqui representado do Senhor por Isaque, a saber, que é a Palavra quanto ao seu sentido interno, visto que por ‘Abimeleque’, ‘Ahuzzath’ e ‘Ficol’ são significados os doutrinais da fé que provêm do sentido literal da Palavra tais como são os doutrinas daqueles que são ditos filisteus em um sentido bom, isto é, aqueles que estão somente nos doutrinais da fé e, quanto à vida, no bem, mas no bem que pertence ao vero, tendo esses doutrinais alguma conjunção com o sentido interno, assim, com o Senhor. [2] Com efeito, aqueles que estão somente nos doutrinais da fé e na vida conforme esses doutrinais estão em uma certa conjunção, mas afastada, por essa causa: porque eles não sabem o que é a caridade para com o próximo, e menos ainda, o que é o amor ao Senhor proveniente de alguma afeição, mas somente a partir de alguma ideia da fé, assim, não estão em percepção alguma do bem, mas em uma espécie de persuasão que tal coisa é o vero e, assim, que seja o bem porque os doutrinais deles ditam; quando eles foram confirmados nesses doutrinais, eles podem estar igualmente no falso como no vero, pois nenhuma outra coisa confirma ao homem o que é vero a não ser o bem. O vero, na realidade, ensina o que é o bem, mas sem percepção, porém o bem ensina o que é o vero a partir da percepção. [3] Qualquer um pode saber o modo como isso acontece, depois, o que é e qual é a diferença, somente a partir deste preceito geral da caridade: “Todas as coisas que quiserdes que os homens vos façam, assim também fazei vós a eles” (Mt. 7:12); aquele que age a partir do preceito, este de fato faz o bem aos outros, mas porque assim lhe foi mandado, portanto, não pela afeição do coração; e todas as vezes que faz, começa por si próprio; e também, ao fazer o bem, pensa a respeito do mérito. Mas aquele que age não a partir do preceito, mas sim a partir da caridade, isto é, a partir da afeição, este age a partir do coração, assim, a partir do livre; e todas as vezes que ele age, começa a partir do querer o bem, assim, a partir do que é para ele um prazer; e porque no prazer há uma recompensa, ele não pensa a respeito do mérito. [4] Daí, agora se pode ver que diferença há entre fazer o bem a partir da fé e fazê-lo a partir da caridade, e que os que o fazem a partir da fé estejam mais afastados do bem mesmo, que é o Senhor, dos que o fazem a partir da caridade. Aqueles não podem ser introduzidos facilmente no bem da caridade até a percepção, porque estão pouco nos veros, pois não se pode ser introduzido nesse bem, a não ser que anteriormente tenham sido desenraizadas as coisas que não são veros, o que não é possível fazer quando os não veros foram enraizados até a persuasão.