Texto
. ‘Não sei o dia de minha morte’; que signifique a vida no natural, é o que se vê pela significação do ‘dia’, que é o estado (n. 23, 487, 488, 493, 893, 2788); e pela significação da ‘morte’, que é ressurgir ou a ressurreição para a vida (n. 3226); assim, pelo ‘dia da morte’ é significado o estado de ressurreição para a vida, ou, o que é o mesmo, a vida; que seja no natural, isso é evidente, porque se trata da vida ali. Não é possível ver como essas coisas acontecem, a não ser que se saiba como acontece com a vida no racional e com a vida no natural, ou, o que é o mesmo, com a vida do homem interno e com a vida do homem externo. A vida do homem racional, ou interno, é distinta da vida do homem natural, ou externo, e de fato, de tal modo distinta, que a vida do homem racional, ou interno, existe independentemente da vida do homem natural, ou externo; mas a vida do homem natural, ou externo não pode existir sem a vida do homem racional, ou interno. Com efeito, o externo vive pelo interno ao ponto mesmo que, se a vida do homem interno cessasse, a vida do externo se tornaria nula imediatamente. De fato, os exteriores dependem assim dos interiores do mesmo modo que os posteriores dependem dos anteriores, ou do mesmo modo que o efeito depende da causa eficiente, pois se causa eficiente cessasse, logo o efeito seria nulo; acontece também assim com a vida do homem externo relativamente à vida do homem interno.
[2] Pode-se ver isto manifestamente pelo homem; com efeito, quando o homem está no mundo, ou vive no corpo, o racional dele é distinto do natural a tal ponto, que o homem pode ser desviado dos sensuais externos que pertencem ao corpo, e também, de certo modo, dos sensuais interiores que pertencem ao seu homem natural, e estar em seu racional, assim, no pensamento espiritual. Vê-se isto ainda melhor a partir disso: que o homem, quando morre, deixa inteiramente os sensuais externos que pertencem ao corpo, e retém então a vida de seu homem interior; e também no fato que, embora ele tenha consigo os conhecimentos, que pertencem à memória externa, ou natural; na realidade ele os tem consigo, mas ainda assim não frui dele (ver n. 2475, 2476, 2477, 2479, 2483, 2485, 2486). Daí é evidente que o homem racional, ou interno, é distinto do homem externo; mas quando o homem vive no corpo, então o seu racional não se mostra distinto do natural por essa causa: porque ele está no mundo ou na natureza; e porque assim a vida do racional aparece no natural, ao ponto que nenhuma vida parece estar no racional se ele não está ao mesmo no natural. Que não pareça então haver vida no racional senão tanto quanto o natural a ele corresponde, foi visto acima (n. 3493). Daí se pode ver que há no natural uma vida correspondente, que é significada por essas palavras que Isaque disse a Esaú: “Não sei o dia de minha morte”; porquanto por ‘Isaque’ é representado o racional, e por ‘Esaú’, o natural, um e o outro quanto ao bem ali.