. ‘E Rebeca disse a Jacó, seu filho, dizendo’; que signifique a percepção do Senhor proveniente do Divino Vero a respeito do vero natural, é o que se vê pela representação de ‘Rebeca’, eis que ela é o Divino Vero do Divino Racional do Senhor (n. 3012, 3013, 3077); pela significação de ‘dizer’, que é perceber (n. 1791,1815, 1819, 1822, 1898, 1919, 2080, 2506, 2515, 2552, 2619); e pela representação de ‘Jacó’, que é o Natural do Senhor quanto ao vero (n. 3305); daí é evidente que por ‘Rebeca disse a Jacó, seu filho’ é significada a percepção do Senhor proveniente do Divino Vero a respeito do Natural vero. Que o Senhor, a partir do Divino Bem do Divino Racional, que é representado por ‘Isaque’, quis pelo bem do Natural, que é representado por ‘Esaú’, adquirir para si o Vero pelo qual Ele glorificaria ou tornaria Divino o Natural, e que o Senhor, a partir do Divino Vero do Divino Racional, que é representado por ‘Rebeca’, quis pelo Vero do natural, que é representado por ‘Jacó’, adquirir para si o Vero pelo qual o Racional seria glorificado, ou feito Divino, não pode ser compreendido, exceto se isso for ilustrado pelas coisas que existem no homem quando este é regenerado ou tornado novo pelo Senhor. E sequer por esta ilustração, a não ser que se saiba como acontece com o racional quanto ao bem e quanto ao vero ali; é por isso que devem ser ditas algumas palavras. [2] A mente racional se distingue em duas faculdades: uma faculdade dela se chama vontade, e a outra, entendimento. O que dimana da vontade quando o homem é regenerado chama-se bem, o que dimana do entendimento é chamado vero. Antes de o homem ser regenerado a vontade não faz um com o entendimento, mas ela quer o bem, enquanto este, o vero, de tal forma que o empenho da vontade é percebido, até certo modo, distinto do empenho do entendimento; porém, isso é percebido somente por aqueles que se refletem e sabem o que é a vontade e as coisas que dela dependem, e o que é o entendimento e as coisas que dele dependem, mas não por aqueles que não sabem e, por isso, não refletem; e porque a mente natural é regenerada por meio da mente racional (ver n. 3493), e realmente segundo tal ordem: que o bem do racional não influa imediatamente no bem do natural e o regenere, mas sim por meio do vero que pertence ao entendimento, assim, segundo a aparência proveniente do vero do racional. São essas as coisas de que se trata no sentido interno neste capítulo; com efeito, ‘Isaque’ é a mente Racional quanto ao bem que pertence à vontade, ‘Rebeca’ é a mente quanto ao vero que pertence ao entendimento, ‘Esaú’ é o bem do Natural que existe pelo bem do Racional, ‘Jacó’ é o vero do Natural que existe pelo bem do Racional por meio do vero que está ali. [3] A partir dessas explicações, pode-se ver quais arcanos estão contidos no sentido interno da Palavra, mas ainda assim são pouquíssimos os que podem ser descritos de modo que possam ser compreendidos; os que transcendem e não podem ser descritos são infindos. Com efeito, quanto mais a Palavra penetra profundamente, isto é, quanto mais interiormente no céu, tanto mais seus arcanos são infindos e também inefáveis, não apenas diante do homem, mas também diante dos anjos do céu inferior, e quando vão ao céu íntimo, os anjos dali percebem que os arcanos são infinitos e inteiramente incompreensíveis para eles, porque são Divinos. Tal é a Palavra.