. ‘E as peles dos cabritos das cabras fez vestir’; que signifique os veros externos do bem doméstico, é o que se vê pela significação das ‘peles’ [pellium], que são os externos, de que se tratará no que segue; e pela significação dos ‘cabritos das cabras’, porque provêm do rebanho que pertence a casa, que são os veros que pertencem ao bem doméstico, de que se tratou nos n. 3518, 3519; ali também é evidente o que é o bem doméstico e o que são os veros que vêm desse bem. Cada bem tem seus veros e cada um dos veros tem seu bem, estes devem estar conjuntos para que sejam alguma coisa. Que as ‘peles’ signifiquem os externos, é porque as peles são as coisas mais externas do animal, nas quais terminam as coisas interiores; o mesmo acontece com a cútis ou a película236 no homem. Isso tira seu significativo do representativo na outra vida; há ali os que se referem à província da pele [cutis], a respeito dos quais se tratará quando se tratar do Máximo Homem, pela Divina Misericórdia do Senhor, ao fim dos capítulos que seguem; e esses são aqueles que estão somente no bem externo e nos veros desse bem. Daí vem que ‘cútis’ e também ‘pele’ significa os externos237, o que também é evidente pela Palavra, como em Jeremias: “Por causa da multidão da tua iniquidade, foram reveladas as tuas franjas, e foram violados os teus calcanhares. Será que o etíope converterá a sua pele, e o leopardo as suas manchas? Também podeis vós fazer o bem, [tendo sido] ensinados a fazer o mal?” (13:22, 23); aí as ‘franjas’ são os veros externos, os ‘calcanhares’, os bens externos; que o ‘calcanhar’ e os ‘sapatos’ sejam os naturais ínfimos, foi visto (n. 259, 1748); e como esses veros e bens provêm do mal, como foi dito, eles são comparados a um ‘etíope’ (ou negro) e à sua pele; depois, a um ‘leopardo’ e às suas manchas238. [2] Em Moisés: “Se tomando tiveres tomado em penhor a vestimenta do teu companheiro, antes que o sol se ponha restituí-la-ás a ele, porque esta [é] a única cobertura dele, esta [é] uma vestimenta para a pele dele em que se deitará” (Êx. 22:25, 26 [Em JFA, 22:26, 27]). Como todas as ‘leis’, mesmo as cívicas e jurídicas, que estão na Palavra, têm uma correspondência com as leis do bem e do vero, que estão no céu, e em razão disso elas são dadas, assim também acontece com esta, pois de outro modo seria inteiramente impossível descobrir a razão por que a ‘vestimenta tomada em penhor deveria ser restituída antes que o sol se pusesse’, e por que se diz que é ‘uma vestimenta para a pele dele em que se deitará’. A correspondência é evidente pelo sentido interno, que é que não se deve privar dos veros externos os companheiros por meio de enganos, que são os doutrinais segundo os quais eles vivem, e os ritos. Que a ‘vestimenta’ sejam tais veros, foi visto (n. 297, 1073, 2576); mas o ‘sol’ é o bem do amor ou a vida que dali provém (n. 1529, 1530, 2441, 2495); ‘restituí-lo antes que o sol se ponha’ significa para que isso não pereça; e como essas coisas são os externos dos interiores, ou as terminações deles, diz-se que ‘a vestimenta é para a pele em que ele se deitará’. [3] Como as peles significavam os externos, ordenou-se que a cobertura da Tenda fossem ‘peles de carneiros’ vermelhos e ‘peles de texugos’ por cima (Êx. 26:14). Com efeito, a Tenda era o representativo dos três céus, assim, dos celestes e dos espirituais que pertencem ao Reino do Senhor. As cortinas que estavam ao redor representavam os naturais, que são os externos (n. 3478), estas são as peles de carneiros e as peles de texugos. E porque são os externos que cobrem os internos, ou os naturais que cobrem os espirituais e os celestes, assim como o corpo cobre a sua alma, por esse motivo isso fora ordenado; é igualmente por isso que Aharão e seus filhos, quando os acampamentos partiam, cobriam com um véu a Arca do Testemunho, e punham por cima dessa cobertura uma ‘pele de texugo’; ... e sobre a mesa e sobre o que estava em cima, eles estendiam um pano de escarlate tingido duas vezes, e cobriam essa cobertura com uma ‘pele de texugo’; ... punham igualmente o castiçal e todos os seus utensílios debaixo de uma cobertura de ‘pele de texugo’; ... depois todos os vasos do ministério... punham debaixo de um pano de jacinto e os cobriam com uma cobertura de ‘pele de texugo’ (Nm. 4:5, 6, 8, 10, 11, 12). Qualquer um que pensa santamente a respeito da Palavra, pode saber que os Divinos foram representados por meio de todas essas coisas, não só pela Arca pela Mesa, pelo Castiçal e pelos vasos do ministério, mas do mesmo modo também pelos mantos de escarlate duas vezes tingido e de jacinto, depois pelas coberturas de peles de texugo, e que por essas coisas foram representados os Divinos que estão nos externos. [4] Como os profetas representavam os que ensinam e, portanto, a doutrina do bem e do vero extraída da Palavra (n. 2534), e Elias, a Palavra mesma (n. 2762), e do mesmo modo João [Batista], que por isso é dito ‘o Elias que devia de vir’ (Mt. 17:10, 11, 12, 13), é por isso que, a fim de que representassem a Palavra tal qual ela é na forma externa, isto é, na letra, Elias “foi cingido em seus lombos com um cinto de pele” (2 Reis, 1:8); e João tinha uma cobertura de pelos de camelos e um cinto de pele ao redor de seus lombos” (Mt. 3:4). Como pele e cútis significava os externos, que são os naturais relativamente aos espirituais e aos celestes, e foi um costume na Antiga Igreja falar e escrever por meio de coisas significativas, também por isso em Jó, que é um livro da Antiga Igreja, a ‘pele’ e a ‘cútis’ significa a mesma coisa, como se pode ver por algumas passagens nesse livro, e também por esta: “Conheço o meu Redentor, [ele] vive, e no último sobre o pó se levantará, e depois pela minhapele essas coisas serão envoltas, e da minha carne verei a Deus” (19:25, 26); ‘ser envolto pela pele239’ está por sê-lo pelo natural tal qual o homem o tem consigo depois da morte (n. 3539); ‘da carne ver Deus’ é vê-lo pelo proprium vivificado (ver n. 148, 149, 780); que o Livro de Jó seja um livro da Antiga Igreja, é evidente, como foi dito, pelo estilo ali, que é representativo e significativo; mas não é um desses Livros que são chamados a Lei e os Profetas, a causa vem de que não tem um sentido interno que trata somente do Senhor e de Seu Reino, visto que é isso unicamente o que constitui um Livro genuíno da Palavra.