ac 3542

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E sobre a lisura do pescoço dele’; que signifique a fim de que o vero não se mostrasse disjungido, é o que se vê pela predicação de ‘liso’ ou da ‘lisura’, que é a respeito do vero (n. 3527); e pela significação do ‘pescoço’, que é o que conjunge, do que se tratará no que segue; aqui, portanto, como era uma aparência sobre a lisura do pescoço dele, é a fim de que o vero não se mostrasse disjungido. O modo como essas coisas acontecem, pode-se ver pelas coisas que acima (n. 3539), foram ditas e demonstradas, a saber, que esses bens e esses veros, que emanam do entendimento e não ao mesmo tempo da vontade, não sejam o bem nem os veros, seja qual for o modo que apareçam na forma externa; e se há a vontade do mal, o bem e os veros se disjungem, não se conjungem. Ao contrário, se há alguma vontade do bem, então eles não se disjungem, mas se conjungem, embora tenham sido dispostos em uma ordem inversa, pois por eles o homem é regenerado; e porque assim dispostos eles servem primeiramente para regenerar o homem, diz-se que assim o vero que disjunge não apareceria; mas nas coisas que seguem se tratará várias vezes disso.
[2] Que o ‘pescoço’ signifique o que conjunge, vem de que no homem os superiores, que pertencem à cabeça e os inferiores que pertencem ao corpo comunicam entre si por meio do pescoço, que se interpõe; daí vem que tanto o influxo quanto a comunicação, por conseguinte, a conjunção, são significados por esse intermediário; o que se pode ver ainda melhor pelas correspondências do Máximo Homem com essas coisas que pertencem ao corpo humano; correspondências de que se tratará ao fim do capítulo; daí, coisa semelhante é significada pelo ‘pescoço’ na Palavra; por exemplo, em Isaías:
“O espírito d’Ele [é] como um rio que inunda, até o pescoço dividirá em dois” (30:28);
ali, o ‘rio que inunda’ é o falso que transborda assim; ‘dividir em dois até o pescoço’ está por interpor-se e interceptar a comunicação e, daí, a conjunção dos superiores com os inferiores; estas são interpostas e interceptadas quando o bem e vero espiritual não é recebido.
[3] Em Habacuque:
“Feriste a cabeça da casa do ímpio, denudando o fundamento até o pescoço” (3:13);
‘ferir a cabeça da casa do ímpio’ está por destruir as principais coisas do falso; ‘denudando os fundamentos até o pescoço’ está em lugar de ‘interceptando assim a conjunção’. Em Jeremias:
“As prevaricações entrelaçadas subiram sobre o meu pescoço, derrubou as minhas forças; entregou–me Deus nas mãos, não posso reerguer[-me]” (Lm. 1:14);
as ‘prevaricações entrelaçadas subiram sobre o meu pescoço’ estão pelos falsos que se voltam para as coisas interiores, ou as coisas racionais.
[4] Como pelo ‘pescoço’ era significada essa comunicação e essa conjunção, por isso pelos vínculos do pescoço é significada a intercepção [ou interceptação], por conseguinte, a desolação do vero, que existe então, quando os espirituais, que influem continuamente desde o Senhor, não são mais admitidos no racional do homem nem, consequentemente, em seu natural. É essa intercepção ou desolação que é representada, em Jeremias, por
“que ele devia fazer para si laços e jugos, e pô-los sobre o seu pescoço, e enviá[-los] aos povos, ... e devia dizer que eles serviriam a Nabucodonosor, rei de Babel, ...e que os que não entregassem o seu pescoço sob seu jugo, que seriam visitados pela espada, pela fome e pela peste; ...mas os que submetessem o seu pescoço seriam deixados sobre a terra” (27:2, 3, 8, 11);
‘entregar seu pescoço sob o jugo do rei de Babel e servir a ele’ está por ser desolado quanto ao vero e vastado quanto ao bem, que ‘Babel’ seja a coisa que devasta, foi visto (n. 1327 no fim), e que sejam vastados, a fim de que as coisas santas não sejam profanadas, n. 301, 302, 303, 1327, 1328, 2426, 3398, 3399, 3402; e como pela interceptação do influxo do bem e do vero serve-se ao mal e ao falso, também por isso ‘entregar o pescoço sob o jugo’ é servir.
[5] No mesmo:
“Disse JEHOVAH: Quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei de Babel, dentro de dois anos de dias de sobre o pescoço de todas as nações” (28:11);
em lugar de que elas seriam libertadas das vastações. Em Isaías:
“Sacode-te do pó, levanta[-te], assenta[-te], ó Jerusalém; abre os vínculos do teu pescoço, ó cativa filha de Sião” (52:2);
‘abrir os vínculos do pescoço’ está por admitir e receber o bem e vero. Em Miqueias:
“Eis, Eu, penso sobre esta família um mal, do qual não retirareis os vossos pescoços, e não ireis eretos, porque aquele [será] um tempo do mal” (2:3);
‘não retirar o pescoço do mal’ está por não admitir o vero; ‘não ir ereto’ está por assim não olhar para os superiores ou para as coisas que pertencem ao céu (n. 248).

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