. ‘E trouxe-lhe, e comeu’; que signifique a conjunção do bem primeiro; ‘e trouxe-lhe vinho, e bebeu’ que signifique a conjunção do vero em seguida, é o que se pode ver pela significação de ‘comer’, que é ser conjunto e apropriado quanto ao bem, do que se tratou logo acima (n. 3568); pela significação do ‘vinho’, que é o vero que provém do bem (n. 1071, 1798); e pela significação de ‘beber’, que é ser conjunto e apropriado quanto ao vero (n. 3168). Quanto a isto, que o bem do racional, que é representado por ‘Isaque’, conjunja a si primeiramente o bem, e o vero em seguida, e isso por meio do natural, que é Jacó, assim acontece: O natural, quando está nesse estado, que consiste em que o bem está por fora e o vero por dentro, de que acima se tratou (n. 3539, 3548, 3556, 3563), então ele admite várias coisas que não são bens, embora sejam ainda assim coisas úteis, tais quais são os meios para o bem em sua ordem; contudo, o bem do racional não conjunge nem apropria a si daí outras coisas, senão as que convêm ao seu bem, pois o bem não recebe outra coisa, tudo que não lhe convém ele rejeita; ele deixa as coisas restantes no natural para que sirvam de meios para admitir e introduzir várias outras coisas que lhe são convenientes. [2] O racional está no homem interno; o que ele ali executa, o natural não o conhece, pois está acima de sua esfera de apercepção; daí vem que o homem, que vive somente uma vida natural, nada possa saber das coisas que se realizam nele em seu homem interno, ou em seu racional; o Senhor as dispõe, o homem não sabendo absolutamente coisa alguma; daí vem que o homem nada saiba do modo como ele é regenerado, e dificilmente saiba que está sendo regenerado. Mas se quiser saber, preste atenção simplesmente aos fins que tem em intenção, os quais raramente descobre a outrem. Se os fins são para o bem, a saber, que se aplica mais ao próximo e ao Senhor do que a si próprio, então ele está no estado de regeneração; mas se os fins são para o mal, a saber, que ele se aplica mais a si próprio do que ao próximo e ao Senhor, saiba então que está no estado nulo de regeneração. [3] O homem, por meio dos fins de sua vida, está na outra vida: por meio dos fins do bem, no céu com os anjos, mas por meio dos fins do mal, no inferno com os diabos. Os fins no homem não são outra coisa senão os seus amores; com efeito, o que o homem ama, isto ele tem por fim; e como os seus fins são seus amores, eles são a sua vida íntima (ver n. 1317, 1568, 1571, 1645, 1909, 3425, 3565). Os fins do bem no homem estão em seu racional, e são esses fins que são chamados o racional quanto ao bem, ou o bem do racional. Pelos fins do bem, ou pelo bem que está nos fins, o Senhor dispõe todas as coisas que estão no natural, pois o fim é como a alma, e o natural é como o corpo dessa alma; tal qual é a alma, tal é o corpo em que ela está envolta; assim, tal qual é o racional quanto ao bem, tal é o natural com que está revestido. [4] Sabe-se que a alma do homem começa no óvulo da mãe, e é aperfeiçoada em seguida em seu útero, e que daí ela é envolta por um corpo delicadíssimo, e mesmo tal, que por meio dele a alma possa convenientemente agir no mundo em que ela nasce. Coisa semelhante acontece quando o homem nasce de novo, isto é, quando ele é regenerado; a nova alma que então ele recebe é o fim do bem, que começa no racional. Ela está aí a princípio como em um óvulo, e em seguida é ali aperfeiçoada como em um útero; o corpo delicadíssimo em que essa alma está envolta é o natural, e ali está o bem que se torna tal, que ele age com obediência segundo os fins da alma. Os veros aí se têm como as fibras no corpo, pois os veros são formados a partir do bem (n. 3470). Daí se vê que a imagem da reforma do homem é apresentada na formação dele no útero; e se queres crer, é também o bem celeste e vero espiritual, que procede do Senhor, que forma o homem e põe então nele um poder, para que ele possa receber um e outro sucessivamente, e de fato na qualidade e quantidade que ele visa como homem os fins do céu, e não como um animal bruto os fins do mundo. [5] Que o racional quanto ao bem conjunge a si primeiro o bem e, em seguida, o vero por meio do natural, coisas que são significadas por isso, que Jacó trouxe a iguaria e o pão a Isaque e ele comeu, e que lhe tenha levado vinho, e ele bebeu, é o que também pode ser ilustrado pelos ofícios que o corpo presta à sua alma. É a alma que concede ao corpo ter apetite pelas comidas, é também ela que lhe dá o saborear; as coisas comestíveis são introduzidas por meio do prazer do apetite e pelo prazer do sabor, assim, por um bem externo; mas as coisas comestíveis que são introduzidas não entram todas na vida, mas algumas servem como solventes [menstrua] para aquilo que deve ser digerido, alguns outros para aquilo que deve ser temperado, alguns para aquilo que deve ser aberto, alguns para aquilo que deve ser introduzido nos vasos; mas os bons, que foram escolhidos, são introduzidos no sangue e se tornam sangue; a partir desse sangue a alma conjunge a si tais coisas que são de uso. [6] Coisa semelhante acontece com o racional e o natural, ao apetite e ao sabor correspondem o desejo e a afeição de saber o vero, e às coisas comestíveis correspondem os conhecimentos e as cognições (n. 1480); e como eles correspondem, eles também se comportam de forma similar. A alma, que é o bem do racional, concede o desejá-los e que se seja afetado por eles; assim, ela introduz pelo prazer, que pertence ao desejo, e pelo bem, que pertence à afeição, as coisas que pertencem ao conhecimento e à doutrina; mas as coisas que ela introduz não são todas tais que se tornem o bem da vida, mas algumas servem como meios para o que deve ser, por assim dizer, digerido e combinado, algumas para o que deve ser aberto e introduzido; mas os bens, que pertencem à vida, ela os aplica a si, e assim os conjunge a si, e a partir desses bens ela forma para si veros. Daí se vê o modo como o racional dispõe o natural para que ele lhe sirva assim como à alma, ou o que é o mesmo, para que sirva ao fim, que é a alma, para aperfeiçoar-se, a fim de que possa ser de uso no Reino do Senhor.