. ‘E beija-me, meu filho’; que signifique se puder ser unido, é o que se vê pela significação de ‘beijar’, que é a união e a conjunção proveniente da afeição; o beijo, que é o externo, não é outra coisa senão a afeição da conjunção, que é o interno; o beijo e essa afeição também correspondem. Trata-se aqui, como é evidente pelo que se disse acima, no sentido supremo, da glorificação do Natural no Senhor, isto é, do modo como o Senhor fez Divino n’Ele o Natural; mas, no sentido relativo, trata-se da regeneração do natural no homem, assim, da conjunção do natural com o racional. Com efeito, o natural não é regenerado antes senão quando foi conjunto ao racional; essa conjunção se faz por meio do influxo imediato e mediato do racional no bem e vero do natural, a saber: pelo bem do racional imediatamente no bem do natural e, por meio deste bem, no vero do natural; e mediatamente por meio do vero do racional no vero do natural, e daí no bem do natural. É a respeito dessas conjunções que se trata. [2] Essas conjunções nunca podem existir a não ser por meios providos pelo Divino, e de fato por meios tais, que são muitíssimo desconhecidos ao homem, e dos quais mal se pode ter alguma ideia por meio das coisas pertencentes à luz do mundo, isto é, das coisas que pertencem ao lume natural nele, mas sim pelas coisas que pertencem à luz do céu, isto é, à luz racional. No entanto, todos esses meios foram ainda assim desvendados no sentido interno da Palavra, e se manifestam diante daqueles que estão nesse sentido, assim, diante dos anjos, que veem e percebem a respeito desse assunto inúmeras coisas, das quais dificilmente uma só pode ser desenvolvida e explicada de um modo adequado a compreensão do homem. [3] Contudo, pelos efeitos e pelos sinais desses efeitos, torna-se de alguma maneira visível diante do homem o modo como essa conjunção se efetua, porquanto a mente racional, isto é, o voluntário e o intelectual interiores no homem, deve representar-se na mente natural dele, como essa mente na face e em sua expressão, ao ponto que, assim como a face é a expressão da mente natural, assim também a mente natural deve ser a expressão da mente racional. Quando há conjunção, como nos que foram regenerados, então tudo que o homem quer e pensa interiormente em seu racional se apresenta visivelmente em seu natural, e o natural se apresenta visivelmente na face. Tal é a face nos anjos, e tal foi a face nos antiquíssimos, que foram homens celestes. Com efeito, eles nada temiam de que os outros conhecessem os seus fins e intenções, pois não queriam outra coisa senão o bem, visto que quem se deixa conduzir pelo Senhor nunca tem em intenção nem pensa outra coisa. Quando o estado é tal, então o racional quanto ao bem se conjunge imediatamente com o bem do natural, e por meio deste com os seus veros, e também pelo vero que lhe foi conjunto no racional ele se conjunge mediatamente com o vero do natural, e por meio deste vero com o bem do natural; por esse modo se faz uma conjunção indestrutível. [4] Mas pode-se ver quanto o homem está hoje afastado desse estado, portanto, do estado celeste, em que ele crê que é da prudência civil falar de um modo e agir de outro, mostrar mesmo uma fisionomia diferente do que ele pensa e tem em intenção, e mesmo também dispor a mente mesma natural de tal modo que ela faça um com a face em oposição ao que ele pensa e quer interiormente que vem de um fim mau. Isso, para os antiquíssimos, era um crime enorme, e tais homens que procediam assim eram expulsos das sociedades deles como diabos. A partir dessas coisas como efeitos e como sinais dos efeitos, torna-se claro o que é a conjunção do racional (ou do homem interno quanto ao bem e ao vero) com o natural (ou seu homem externo), e, assim, qual é o homem anjo e qual é o homem diabo.