. ‘E respondeu Isaque, seu pai, e disse a ele’; que signifique a percepção a respeito do Bem Natural, que ele se tornaria Divino, vê-se pela significação de ‘Isaque’, que é o Divino Racional do Senhor quanto ao Divino Bem que ali está (n. 3012, 3194, 3210); pela significação de ‘dizer’ nos históricos da Palavra, que é perceber, do que se falou muitas vezes; e pela representação de ‘Esaú’, a quem ele disse, que ele é o Bem Natural, do qual também se falou acima muitas vezes. Que esse Bem se tornaria Divino, vê-se pela bênção, de que se tratará. Foi dito acima que Esaú representava o Divino Natural do Senhor quanto ao Divino Bem, e Jacó o Divino Natural do Senhor quanto ao Divino Vero; mas aqui se diz que Esaú representa o Bem Natural que devia tornar-se Divino, e no que precede se disse que Jacó representou o Vero Natural que devia também se tornar Divino; o modo como essas coisas aconteceram, pode-se ver pelas coisas que foram ditas (n. 3494 e 3576); destas, para que se mostrem de um modo ainda mas claro, devem ser ditas umas poucas palavras. [2] O Bem Natural, que Esaú primeiro representa, é o Natural da infância do Senhor, Natural que era Divino pelo Pai [ex Patre], mas humano pela mãe [ex matre]; e o quanto que veio da mãe, esteve imbuído do mal hereditário; esse natural, porque era tal, não pôde estar logo em uma ordem tal, que pudesse receber o Divino que estava no íntimo, mas teve de ser antes reposto na ordem pelo Senhor. Aconteceu coisa semelhante com o Vero que é representado por ‘Jacó’, pois onde está o bem ali está o vero para que seja alguma coisa. Todo cogitativo pertence ao vero adjunto ao voluntário, que pertence ao bem, mesmo nas crianças; portanto, depois que o Senhor pôs n’Ele o Natural quanto ao bem e quanto ao vero em uma ordem tal, para que ele recebesse o Divino, e assim Ele mesmo influísse de Seu Divino, e sucessivamente expelisse todo o humano que procedeu da mãe, então Esaú passa a representar o Divino Natural do Senhor quanto ao Bem, e Jacó o Divino Natural do Senhor quanto ao Vero. [3] Contudo, Esaú e Jacó representavam o Divino Bem e o Divino Vero do Divino Natural do Senhor, como conjuntos entre si como irmãos, que, considerados em si, não são outra coisa senão um só poder para formar e receber juntamente o bem e vero ativo; é desse bem e vero, a saber, ativo, que se trata depois. A partir disso, fica evidente quantos arcanos estão contidos no sentido interno da Palavra, estes arcanos são tais, que sequer os muitíssimo gerais deles cai no entendimento do homem, como são talvez esses que foram agora ditos. Como o homem então compreenderia os inumeráveis arcanos que derivam destes? Não obstante, eles são adequados ao entendimento e à compreensão dos anjos, que têm, pelo Senhor, a respeito desses arcanos e de outros semelhantes, ideias celestes iluminadas por representativos de uma amenidade e de uma bem-aventurança inefáveis. Daí se pode pensar — mas de um modo afastado, porque tais coisas estão na sombra do entendimento humano — qual é a sabedoria angélica.