ac 3607

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Aproximar-se-ão os dias do luto do meu pai, e matarei Jacó, meu irmão’; que signifique a inversão e a privação da vida do vero por si245, é o que se vê pela significação dos ‘dias de luto’, que é o estado de inversão; e pela significação de ‘matar Jacó, o irmão’, que é privar o vero da vida por si mesmo. Tem-se essas coisas assim como com as que foram ditas logo acima sobre a significação do ‘ódio’ no sentido interno, a saber, que não é o ódio; e também se pode ver pelas coisas que acontecem continuamente na outra vida: ali, todo bem que dimana do céu em direção àqueles que estão no mal, é vertido [ou mudado] em mal, e nos infernais ele é mudado em seu oposto; semelhantemente o vero é vertido em falso (ver n. 2123); por isso, vice-versa, o mal e o falso que estão com tais infernais são, no céu, o bem e o vero. Para que também se torne o bem, há no caminho espíritos que afastam as ideias do mal e do falso, a fim de que a ideia do bem e do vero se apresente. (A respeito desses afastamentos, ver os n. 1393, 1875). E, além disso, quando o mal e o falso chegam aos que estão no bem e no vero, eles não se mostram como mal e falso, mas sob uma outra aparência conforme a índole e o estado da bondade neles.
[2] Daí também se pode ver que ‘matar Jacó, o irmão’, não é, no sentido interno, matar, mas é a privação dessa vida, que não convém ao vero. Com efeito, o vero não tem vida por si, mas a tem pelo bem, pois o vero é somente um vaso recipiente do bem (ver n. 1496, 1832, 1900, 2063, 2261, 2269, 2697, 3049, 3068, 3128, 3146, 3318, 3387), e no bem há a vida, mas não no vero, exceto a que procede do bem (n. 1598, e vários outros lugares). É por essa razão que a privação da vida que o vero tem por si não é a extinção do vero, mas é a vivificação dele, pois quando ao vero parece ter vida por si, então ele não tem vida, a não ser essa vida que em si não é a vida; mas quando é privado dela, então ele é dotado da vida mesma, a saber, por meio do bem procedente do Senhor, Que é a vida mesma.
[3] Isso se mostra manifestamente pelos que estão na outra vida, os que estão no vero só, as ideias deles aparecem fechadas de tal modo que as coisas que são do céu não podem influir, a não ser de um modo tão geral que mal se conhece que há um influxo daí. Porém, aqueles que estão ao mesmo tempo no bem, as ideias deles aparecem abertas de tal modo que as coisas que são do céu influem como em um pequeno céu, ou como em uma imagem de si, pois pelo bem neles [as ideias são abertas] por meio dos veros (n. 1869, 2425). Que o vero seja privado da vida que ele tem por si quando o bem começa a estar no primeiro lugar, ou ter domínio, pode-se ver pelas coisas ditas e demonstradas anteriormente a respeito da prioridade aparente do vero no primeiro tempo e da prioridade do bem depois; essa privação da vida que o vero tem por si é a que é aqui significada. Que se diga dessas coisas ‘luto do pai’, é porque os ‘dias do luto’ significam a inversão do estado; essa inversão do estado foi acima significada pelo ‘estremecimento muito grande que estremeceu Isaque’ (vers. 23, n. 3593), e pelo ‘brado grande e muito amargo com o qual bradou Esaú’ (vers. 34, n. 3597).

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