ac 3610

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Eis que Esaú, teu irmão, se consola a teu [respeito], para te matar’; que signifique o intento [animum] para inverter o estado e privar o vero da vida por si, é o que se vê pela significação de ‘consolar-se de alguém’, que é apaziguar a inquietude do ânimo pela esperança a respeito de alguém e de alguma coisa (‘a teu [respeito]’ envolve a inversão do estado do vero); e pela significação de ‘matar-te’, ou ‘matar Jacó’, que é privar o vero da vida por si, do que se tratou logo acima (n. 3607), onde se mostrou que privar o vero da vida não é extingui-lo, mas vivificá-lo. Com efeito, assim acontece com a vida do vero: quando aqueles que estão no vero (ou na afeição do vero) não vivem segundo o vero que conhecem e de que são afetados, há então uma sorte de volúpia e de prazer proveniente do amor de si ou do amor do mundo, que se ajunta à afeição do vero, e que se mostra como um bem, quando, todavia, isso não é um bem, a não ser relativamente ao uso, que desse modo podem ser introduzidos e aprendidos os veros, que podem depois servir ao bem mesmo e à vida do bem. Quando o vero se encontra nesse estado, isto é, aqueles que estão na afeição do vero, então se diz que o vero tem a vida por si; que esta não seja a vida, vê-se a partir disso, que a vida não está no amor de si nem no amor do amor do mundo, nem no prazer e na volúpia desses amores, mas sim no amor celeste e no amor espiritual e no prazer e na volúpia desses amores. Por essa razão, quando o vero, isto é, aqueles que estão em uma tal afeição do vero, são privados dessa vida, então eles recebem pela primeira vez a vida, ou então são pela primeira vez vivificados.
[2] Aqueles que estão na afeição de si próprios e na afeição do mundo não podem de modo algum compreender essas coisas; eles creem, com efeito, que não pode haver outra vida, consequentemente, que, se fossem privados dessa vida, não viveriam absolutamente, pois os que estão nessa vida não podem de modo algum saber o que é a vida espiritual e a vida celeste. Todavia, acontece que, quando se é privado dessa vida, a saber, da vida da afeição de si e da afeição do mundo, então influi do Senhor uma vida tal qual é a vida angélica e celeste, com uma sabedoria e uma felicidade inefável, vida a partir da qual, quando a vida anterior é olhada, a anterior se mostra como nula, ou tão vil como a dos animais, pois nada há de Divino nela, exceto que possam pensar e falar, e aparecer assim pela forma externa como os outros.
[3] Quanto a isto, que o bem estivesse com o intento de inverter o estado e privar o vero da vida por si, coisas que são significadas por ‘Esaú consolando-se a teu [respeito] para te matar’, assim se tem: O bem no homem que é regenerado está continuamente na intenção de inverter o estado e reduzi-lo a uma ordem tal que o vero não esteja no lugar anterior, mas sim, como convém ao estado do céu, como posterior. Contudo, esse intento conserva-se oculta elevadamente, e não é apercebida antes que isso tenha sido feito. Acontece com isso como com o que acontece com o amor conjugal, que na infância e na meninice não aparece, mas se conserva entretanto oculto, e não se mostra antes que todas e cada uma das coisas se achem dispostas para que ele possa se manifestar; durante esse tampo, produz-se, ou são produzidos todos os meios que lhe são convenientes. Ocorre coisa semelhante no reino vegetal: em cada árvore e em cada planta esconde-se intimamente um empenho para produzir frutos ou sementes, mas esse empenho não pode se manifestar antes, senão quando tiver primeiro produzido todos os meios, a saber, os galhos, as folhas, as flores, os quais, depois que foram produzidos, então esse empenho se manifesta em ato.
[4] Assim também acontece com aqueles que nascem de novo; o conjugal que pertence ao bem e ao vero se conserva por muito tempo escondido, mas está entretanto presente assim como o empenho na causa eficiente e, daí, no efeito, mas não aparece antes que todas as coisas tenham sido dispostas, e quando tudo foi disposto, então pela primeira vez ele avança e se manifesta; é esse empenho que se entende pelo intento para inverter o estado e de privar o vero da vida por si. Daí fica evidente que o sentido interno é aqui absolutamente diferente do que quer dizer o sentido da letra, a saber, que é a redução do vero à ordem e a vivificação dele, não sua destruição nem a privação de sua vida.

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