. Por um grande número de experiências fui instruído a esse respeito, e até aprendi que não só as coisas que pertencem à mente humana, isto é, ao pensamento e à afeição do homem, correspondem aos espirituais e aos celestes que pelo Senhor pertencem ao céu, mas que também todo o homem no geral, e no particular tudo que está no homem, de tal sorte, que não há a menor parte, nem mesmo a menor coisa de uma parte, que não corresponda; e que daí é que o homem existe e subsiste continuamente; e também que se não houvesse uma tal correspondência do homem com o céu, e pelo céu com o Senhor, assim, com um anterior a si e, por meio dos anteriores, com o primeiro, o homem não subsistiria um momento sequer, mas seria dissipado e aniquilado. [2] Há, como acaba de ser dito, duas forças que mantêm cada coisa em sua ligação e em sua forma, a saber, uma força atuando por fora e uma força atuando por dentro, no meio das quais está a coisa que é contida; o mesmo se dá com o homem quanto a cada uma de suas partes, até as mínimas. Sabe-se que são as atmosferas que por fora, por uma contínua pressão ou peso e, daí, por uma força atuante, mantêm todo o corpo em uma ligação; que a atmosfera aérea mantém também por influxo no pulmões; e que a mesma atmosfera mantenha seu órgão, que é a orelha, com as suas formas construídas para as modificações do ar; que a atmosfera etérea mantenha do mesmo modo as ligações interiores, pois ela influi livremente por todos os poros e conserva inseparáveis em suas formas as vísceras interiores de todo o corpo por uma pressão quase semelhante e, desse modo, por uma força atuante; e que a mesma atmosfera mantém também e seu órgão, que é o olho, com as suas formas construídas para as modificações ali. Se a essas coisas não correspondessem forças internas que reagissem contra essas forças externas, e que, por conseguinte, contivessem, e pusessem em equilíbrio as formas intermediarias, elas não subsistiriam um momento sequer. [3] É, pois, evidente que deve haver necessariamente duas forças para que alguma coisa exista e subsista. As forças que influem e atuam por dentro vêm do céu e do Senhor pelo céu, e têm em si a vida. Tal fato é claramente manifestado pelo órgão do ouvido; se não houvesse modificações interiores que pertencem à vida, a que correspondem modificações exteriores que pertencem ao ar, o ouvido não existiria; o mesmo sucede com o órgão da visão; se não houvesse uma luz interior que pertence à vida, luz a que correspondesse uma luz exterior que pertence ao sol, a visão não existiria de modo algum. A mesma coisa acontece em relação a todos os outros órgãos e a todos dos membros no corpo humano; há forças atuando por fora que são naturais não vivas em si mesmas, e há forças atuando por dentro vivas em si mesmas, que contêm cada coisa, e que fazem que todas a coisas vivam, e de fato segundo uma forma, qual a que lhes foi dada para o uso.