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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Eis o que significam essas palavras segundo o sentido interno: ‘Quando, pois, virdes a abominação da desolação’ significa a devastação da igreja, devastação que chega então quando o Senhor não é mais reconhecido, por conseguinte, quando não há mais nenhum amor nem nenhuma fé n’Ele, e quando não há mais caridade alguma para com o próximo; e, consequentemente, quando não há fé alguma do bem e do vero. Quando estas coisas estão na igreja, ou melhor, na extensão onde há a Palavra, a saber, no que se pensa no fundo do coração, embora não na doutrina da boca, então há ‘desolação’; e aquilo de que se acaba de falar é a ‘abominação da desolação’; daí, “quando virdes a abominação da desolação” é quando alguém observa tais coisas; o que se deve fazer então é indicado nos vers. 16, 17, 18.
[2] ‘Descrita por Daniel, o profeta’ significa, no sentido interno, pelos profetas, pois onde algum profeta é designado por seu nome na Palavra, o que se entende não é esse profeta, mas é a Palavra Profética mesma, porque os nomes nunca penetram no céu (n. 1876, 1888); mas por um profeta não é significada uma mesma coisa do que por outro (O que é significado por Moisés, Elias e Eliseu, ver no prefácio do cap. 18 e o n. 2762). Quanto a Daniel, ele significa todo profético referente à vinda do Senhor e ao estado da igreja; aqui, ao último estado da igreja. Nos Profetas se fala muito da devastação; e ali, no sentido da letra, por ela é significada a devastação da Igreja Judaica e Israelita, mas no sentido interno é a devastação da igreja no geral, portanto, é também a devastação que se efetua agora.
[3] ‘Estando no lugar santo’ significa a devastação quanto a todas as coisas pertencentes ao bem e ao vero; o ‘lugar santo’ é o estado do amor e da fé. Que no sentido interno o ‘lugar’ é o estado, foi visto (n. 2625, 2837, 3356, 3387); o santo desse estado é o bem que pertence ao amor e, daí, o vero que pertence à fé; não se entende outra coisa na Palavra pelo santo, porque esse bem e esse vero procedem do Senhor, que é o Santo mesmo ou o Santuário. ‘Quem lê, preste atenção’ significa que essas coisas devem ser bem observadas pelos que são da igreja, principalmente pelos que estão no amor e na fé, é destes que se trata agora.
[4] ‘Então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes’ significa que os que são da igreja não devem olhar senão para o Senhor, por conseguinte, só devem ter em vista o amor a Ele e a caridade para com o próximo. Que a ‘Judeia’ signifique a igreja é o que será explicado mais abaixo; que pelo ‘monte’ se entenda o Senhor mesmo, mas que os montes signifiquem o amor a Ele e a caridade para com o próximo, foi visto (n. 795, 796, 1430, 2722). Segundo o sentido da letra, seria que, quando Jerusalém, assim como aconteceu, fosse sitiada pelos romanos, seria necessário dirigir-se não para essa cidade, mas para os montes, segundo essas palavras em Lucas:
“Quando virdes Jerusalém cercada pelos exércitos, então sabei que está perto a devastação; então os que [estiverem] na Judeia, fujam sobre os montes, e quem [estiver] no meio dela saia; mas os que [estiverem] nas regiões não entrem nela” (21:20, 21).
[5] Mas sucede o mesmo com Jerusalém nesta passagem, isto é, que, no sentido da letra, é Jerusalém que se entende, enquanto no sentido interno é a igreja do Senhor (ver n. 402, 2117). Com efeito, todas as coisas, em geral e em particular, que são referidas na Palavra sobre o povo judeu e israelita, são representativas do Reino do Senhor nos céus, e do Reino do Senhor nas terras, isto é, da igreja, como já se tem explicado muitas vezes; daí vem que por ‘Jerusalém’, no sentido interno, não se entende em parte alguma Jerusalém, nem pela ‘Judéia’, a Judéia; mas são coisas pelas quais puderam ser representadas as coisas celestes e as espirituais do Reino do Senhor, e a fim de que representassem, elas também foram feitas. Assim a Palavra pôde ser escrita de modo que estivesse ao alcance da compreensão do homem que a lesse, e segundo o entendimento dos anjos que estão com o homem; foi também por isso que o Senhor falou [com] uma semelhante linguagem, porque se Ele tivesse empregado uma outra, ela não teria sido adaptada ao alcance dos que a teriam lido, principalmente naquela época, nem ao mesmo tempo ao entendimento dos anjos, assim, não teria sido recebida pelo homem nem compreendida pelos anjos.
[6] ‘Quem estiver sobre o telhado da casa não desça para levar249 o que vem da sua casa’ significa que os que estão no bem da caridade não saiam daí para as coisas que pertencem aos doutrinais da fé; o ‘telhado da casa’ significa, na Palavra, o estado superior do homem, assim, o seu estado quanto ao bem; as coisas que estão embaixo significam o estado inferior do homem, assim o estado quanto ao vero; o que é a ‘casa’, foi visto (n. 710, 1708, 2233, 2234, 3142, 3538). Quanto ao estado do homem da igreja, eis o que acontece: quando o homem é regenerado, ele aprende o vero por causa do bem, porquanto há nele a afeição do vero por causa do bem; mas quando foi regenerado, ele age então a partir do vero e do bem; depois de ter chegado a esse estado, ele não deve voltar ao estado anterior, pois se o fizesse, ele raciocinaria a partir do vero sobre o bem no qual ele está, e assim perverteria seu estado. Com efeito, todo raciocínio cessa e deve cessar quando o homem está no estado de querer o vero e o bem, pois então é a partir da vontade, por conseguinte, da consciência, que ele pensa e age, e não a partir do entendimento, como antes; se ele pensasse e agisse novamente a partir do entendimento, ele cairia em tentações nas quais ele sucumbiria; é isto que é significado por estas palavras: “Quem estiver sobre o telhado da casa não desça a levar o que vem da sua casa”.
[7] ‘E quem [estiver] no campo, não volte atrás para tomar a sua vestimenta’ significa que os que estão no bem do vero não saiam também do bem dele para o doutrinal do vero. Na Palavra, o ‘campo’ significa esse estado do homem quanto ao bem; o que é o ‘campo’, foi visto (n. 368, 2971, 3196, 3310, 3317, 3500, 3508). E a ‘veste’, ou a túnica, significa o que reveste o bem, isto é, o doutrinal do vero, porque esse doutrinal é como uma vestimenta para o bem; que a vestimenta tem essa significação é o que se mostrou (n. 297, 2576, 3301). Qualquer um pode ver que nessas palavras estão escondidas coisas mais elevadas do que as que se mostram na letra; com efeito, o Senhor mesmo as pronunciou.

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