Texto
. Que no sentido interno da Palavra, a ‘Judeia’ não signifique a Judeia, como também ‘Jerusalém’ não significa Jerusalém, é o que se pode ver na Palavra por muitas passagens. Na Palavra a Judeia não é nomeada assim, mas se diz ‘terra de Judá’; e ali essa terra, do mesmo modo que a terra de Canaã, significa o Reino do Senhor, por conseguinte, também a igreja, porque esta é o Reino do Senhor nas terras; e isso porque Judá, ou a nação judaica, representou o Reino celeste do Senhor, e Israel ou o povo israelita, o Reino espiritual do Senhor; e por ter sido tal a sua representação, é também por isso que quando são nomeados na Palavra, outra coisa não é significada no sentido interno.
[2] Que seja essa a sua significação, ver-se-á claramente pelas coisas que, pela Divina Misericórdia do Senhor, serão ditas na continuação sobre Judá e sobre a terra de Judá; mas desde já, pode-se vê-lo por estas poucas passagens nos Profetas: em Isaías:
“O meu dileto [teve] uma vinha no chifre do filho do azeite; cercou-a, tirou-lhe as pedras e plantou-a com vide nobre; e edificou uma torre no meio dela, e também cavou um lagar nela, e esperou que produzisse uvas, mas produziu uvas bravas. E agora, ó habitante de Jerusalém, e varão de Judá, julgai, peço, entre Mim e entre a minha vinha. ... Pô-la-ei em desolação, ... porque a vinha de JEHOVAH Zebaoth [é] a casa de Israel, e o varão de Judá as plantas das delícias d’Ele; e esperava o juízo, mas eis supuração250; justiça, mas eis clamor” (5:1, 2, 3, 6, 7);
aí, no sentido da letra, se trata do estado perverso dos israelitas e dos judeus; mas no sentido interno trata-se do estado perverso da igreja representada por Israel e por Judá; o ‘habitante de Jerusalém’ é o bem da igreja. Que o ‘habitante’ seja o bem, ou, o que é o mesmo, os que estão no bem, foi visto (n. 2268, 2451, 2712, 3613), e que ‘Jerusalém’ seja a igreja, n. 402, 2117; a ‘casa de Israel’ igualmente. Que a ‘casa’ seja o bem, n. 710, 1708, 2233, 2234, 3142, 3538; e que ‘Israel’ seja a igreja, n. 3305; o ‘varão de Judá’ igualmente, porque o ‘varão’ significa o vero (n. 265, 749, 1007, 3134, 3310, 3459), e ‘Judá’ significa o bem, mas com esta diferença, que o ‘varão de Judá’ significa o vero procedente do bem do amor ao Senhor, que se chama vero celeste, isto é, os que estão em um tal vero.
[3] No mesmo:
“Levantará um estandarte para as nações, e juntará os expulsos de Israel e as coisas dispersas de Judá reunirá das quatro asas da terra: então afastarás a rivalidade de Efraim, e os inimigos de Judá serão cortados; Efraim não rivalizará com Judá e Judá não estreitará Efraim. [...] JEHOVAH amaldiçoará a língua do mar do Egito, e agitará a mão sobre o rio com a veemência do seu espírito. ... Então haverá uma vereda para os remanescentes do povo d’Ele, os que restarão desde Asshur” (Is. 11:12, 13, 15, 16);
aí, no sentido da letra, se trata dos israelitas e dos judeus trazidos do cativeiro; mas no sentido interno trata-se de uma nova igreja no geral, e, em particular, em cada homem que é regenerado ou que se torna igreja; os ‘expulsos de Israel’ são os seus veros; as ‘coisas dispersas de Judá’ são os seus bens; ‘Efraim’ é o seu intelectual que não oporá mais resistência; o ‘Egito’ são as coisas que pertencem ao conhecimento, Asshur, o raciocínio tirado dessas coisas, que perverteram; os ‘expulsos’, as ‘coisas dispersas’, os ‘remanescentes’ e as ‘coisas restantes’, são os veros e os bens que restam. Que ‘Efraim’ seja o intelectual, é o que se verá mais em outro lugar; que o ‘Egito’ seja o que pertence ao conhecimento, foi visto (n. 1164, 1165, 1462, 2186, 2588, 3325); que ‘Asshur’ seja o raciocínio, n. 119, 1186; e os ‘remanescentes’ [reliquiae], os bens e veros escondidos pelo Senhor no homem interior (n. 468, 530, 560, 561, 660, 661, 798, 1050, 1738, 1906, 2284).
[4] No mesmo:
“Ouvi isto, casa de Jacó, os que são chamados do nome de Israel, e saíram das águas de Judá, porque por cidade da santidade [eles] são chamados, e sobre o Deus de Israel se apoiaram” (Is. 48:1, 2);
as ‘águas de Judá’ são os veros que procedem do bem do amor ao Senhor, daí esses veros são os bens mesmos da caridade, que são chamados bens espirituais e que fazem a igreja espiritual, a saber, a igreja interna, que é Israel, e a igreja externa, que é a casa de Jacó. Daí se vê claramente o que significam [as palavras] “a casa de Jacó, os que são chamados do nome de Israel e saíram das águas de Judá”.
[5] No mesmo:
“Produzirei de Jacó uma semente, e de Judá um herdeiro dos Meus montes, e possui-lo-ão os Meus eleitos, e os Meus servos habitarão ali” (Isaías, 65:9);
o ‘herdeiro dos montes saído de Judá’ é, no sentido supremo, o Senhor; no sentido representativo, são os que estão no amor a Ele, por conseguinte, no bem de um e outro amor; que as ‘montanhas’ [ou ‘montes’] sejam esses bens, foi visto (n. 3652).
[6] Em Moisés:
“Cria um leão [em] Judá, desde a presa subiste meu filho, curvou-se, deitou-se como um leão, e como um leão velho, quem despertá-lo-á?” (Gn. 49: 9);
aí é bastante evidente que por Judá se entende, no sentido supremo, o Senhor, e que no sentido representativo se entendem os que estão no bem do amor a Ele. Em Davi:
“Quando saiu Israel do Egito, a casa de Jacó de junto de um povo bárbaro, tornou-se Judá o santuário d’Ele, Israel os domínios d’Ele” (Salmo 114:1, 2);
aí ‘Judá’ também está pelo bem celeste que pertence ao amor ao Senhor, e ‘Israel’ está pelo vero celeste ou bem espiritual.
[7] Em Jeremias:
“Eis, dias virão, dito de JEHOVAH, e suscitarei a Davi um gérmen justo, que reinará Rei, e prosperará, e fará o juízo e a justiça na terra; nos dias d’Ele salvar-se-á Judá, e Israel habitará em segurança; é este o Nome d’Ele que chamarão: JEHOVAH nossa justiça” (23:5, 6; e 33:15, 16);
aí se trata do Advento do Senhor, ‘Judá’ designa os que estão no bem do amor ao Senhor, e ‘Israel’, os que estão no vero desse bem. Que por ‘Judá’, não se entende Judá, nem por ‘Israel’, Israel, pode-se ver, pois Judá não foi salvo mais, nem mesmo Israel. Igualmente no mesmo:
“Reduzirei o cativeiro de Judá e o cativeiro de Israel, e edificá-los-ei como antes” (Jr. 33:7).
Igualmente no mesmo:
“Nesses dias e nesses tempos, dito de JEHOVAH, virão os filhos de Israel, eles e os filhos de Judá juntamente, rindo e chorando irão, e a JEHOVAH seu Deus buscarão, e a Sião buscarão pelo caminho, para onde as faces deles [estarão voltadas]” (Jr. 50:4, 5).
No mesmo:
“Nesse tempo chamarão Jerusalém, o trono de JEHOVAH; e serão reunidas para ela todas as nações por causa do Nome de JEHOVAH, a Jerusalém não irão mais após a obstinação do seu coração mau; nesses dias irão a casa de Judá para a casa de Israel, e virão juntos da terra do norte sobre a terra” (Jr. 3:17, 18).
[8] No mesmo:
“Eis, dias virão, dito de JEHOVAH, em que semearei a casa de Israel e a casa de Judá de semente de homem e de semente de bestas; ... e firmarei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova; ... esta [é] a aliança que firmarei com a casa de Israel depois desses dias: Porei a Minha Lei no meio deles, e sobre o coração deles escrevê-la-ei” (Jr. 31:27, 31, 33);
que não é Israel ou a casa de Israel que se deve entender nessas passagens, é isso bastante evidente, pois eles foram dispersos entre as nações, e eles nunca foram libertos de seu cativeiro; consequentemente, não é também Judá ou a casa de Judá que se deve entender, mas por eles, no sentido interno, foram significados os que são do Reino espiritual [e] do Reino celeste do Senhor, é com estes que há uma nova aliança, e é em seu coração que a Lei foi escrita. A nova aliança é a conjunção com o Senhor pelo bem (n. 665, 666, 1023, 1038, 1864; 1996, 2003, 2021, 2037); a lei escrita no coração é a percepção do bem e do vero que procede desse bem, é também a consciência.
[9] Em Joel:
“Sucederá nesse dia [que] destilarão as montanhas mosto, e [d]as colinas fluirão leite, [d]e todos os rios de Judá fluirão águas, e sairá uma fonte da casa de JEHOVAH e regará a torrente de Shittim. O Egito estará em vastação, e Edom estará em deserto de vastação, por causa da violência dos filhos de Judá, dos quais derramaram o sangue inocente na sua terra. E Judá se assentará na eternidade e Jerusalém de geração em geração” (3:18, 19, 20);
a partir de cada uma das palavras dessa passagem é ainda evidente que não é Judá que se entende por Judá, nem Jerusalém por Jerusalém, mas são os que estão no santo do amor e da caridade, porque esses se assentarão para a eternidade e de geração em geração.
[10] Em Malaquias:
“Eis, Eu envio o Meu Anjo, que preparará o caminho diante de Mim, e de repente virá ao seu templo o Senhor a Quem vós buscais, e o Anjo da aliança ao Qual desejais; então será agradável a JEHOVAH a minchah de Judá e de Jerusalém, como nos dias da eternidade, e como anos anteriores” (3:1, 4);
aí se trata do Advento do Senhor, que então a minchah de Judá e de Jerusalém não tinha sido agradável a JEHOVAH, isso é evidente; é, pois, claro que por Judá e Jerusalém são significadas tais coisas pertencentes à igreja do Senhor; o mesmo sucede em toda parte em que, na Palavra, Judá, Israel e Jerusalém são nomeados. Daí, agora se pode, pois, ver o que é significado em Mateus pela ‘Judeia’, a saber, a igreja do Senhor ali vastada.