Texto
. ‘À casa de Bethuel pai da tua mãe, e toma de lá para ti uma mulher das filhas de Labão, irmão da tua mãe’; que signifique o bem colateral externo e, daí, o vero que deve ser conjungido, é o que se vê pela representação de ‘Bethuel’, que é o bem das nações da primeira classe (n. 2865); e pela representação de ‘Labão’, que é a afeição do bem no homem natural, ou a afeição do bem externo, e propriamente o bem colateral de uma estirpe comum (n. 3129, 3130, 3160, 3621); e pela significação de ‘tomar uma mulher de suas filhas’, que é ser associado ou ser conjungido às afeições do vero que provêm desse bem. Que ‘tomar uma mulher’ seja ser conjungido, é evidente, e que as ‘filhas’ sejam as afeições, foi visto (n. 568, 2362, 3024). Daí se vê claramente o que significam essas palavras, a saber, que o Bem Natural, representado aqui por Jacó, seria conjungido aos veros que provêm do bem colateral externo.
[2] Essas coisas acontecem assim: Quando o homem está sendo regenerado, ele é conduzido pelo Senhor primeiro como uma criança, depois como um menino, em seguida como um adolescente, e finalmente como um adulto; os veros que ele aprende como menino criança [infans puer] são absolutamente externos e corporais, porque ele ainda não pode compreender os veros interiores; esses veros não são outra coisa senão tais cognições em que estão intimamente as coisas Divinas. De fato há cognições de coisas em que não há intimamente Divino algum e cognições de coisas nas quais os há. As cognições em que há intimamente o Divino são tais que podem admitir mais e mais, sucessivamente e por ordem, os veros interiores; mas as cognições nas quais não há o Divino são tais que não admitem esses veros, mas os rejeitam. Com efeito, as cognições do bem e vero externos e corporais são como um húmus que, segundo a sua qualidade natural [indolem], admite tais sementes e não tais outras, e que produz tal gênero de sementes e sufoca tal outro. As cognições em que há internamente o Divino admitem em si o vero e bem espiritual e celeste, porque em virtude do Divino, que está por dentro e que dispõe, elas se tornam próprias a recebê-los; mas as cognições em que não há Divino, só admitem o falso e o mal, porque são de tal natureza. Essas cognições do vero externo e corporal, que admitem o vero e bem espirituais e celestes, são aqui significadas pelas ‘filhas de Labão vindas da casa de Bethuel’, enquanto as que não admitem são significadas pelas ‘filhas de Canaã’.
[3] As cognições que são aprendidas desde a infância até a meninice são como vasos muito comuns que devem ser cheios de bem, e, à medida que são cheios, o homem é iluminado; se os vasos são de tal natureza que os bens genuínos podem estar neles, então o homem é iluminado pelo Divino que está interiormente neles, e isso sucessivamente cada vez mais. Se, porém, os vasos são de tal natureza que os bens genuínos não podem estar neles, então o homem não é iluminado; de fato parece que ele é iluminado, mas [o] é por um lume fátuo, que pertencente ao falso e ao mal, mas o fato é que por esse modo ele cai cada vez mais na obscuridade quanto ao bem e vero.
[4] Tais cognições são múltiplas e em tão grande número, que dificilmente se poderia fazer o recenseamento quanto aos gêneros, e que seria ainda menos fácil distingui-las quanto às espécies, pois pelo Divino elas são derivadas de várias maneiras por meio do racional no natural; algumas, com efeito, influem imediatamente por meio do bem do racional, e daí no bem do natural, até mesmo no vero desse bem, e daí outra vez no natural externo ou corporal, e nele se distribuem em diversos ribeiros; e algumas outras influem mediatamente pelo vero do racional no vero do natural, mesmo no bem desse vero, e de novo daí no natural externo ou corporal (ver n. 3573, 3616). Sucede com essas cognições o que sucede com as nações, famílias e casas, e como com as consanguinidades e afinidades entre as nações, as famílias e as casas, a saber, que há os que descendem em linha direta do primeiro pai e outros que estão na linha obliqua, ou colateral, cada vez mais. Nos céus essas coisas são muito distintas, porque lá as sociedades e, por conseguinte, as proximidades, foram todas discriminadas segundo os gêneros e as espécies de bem e vero (n. 685, 2508, 2524, 2556, 2739, 3612). Os antiquíssimos, que foram homens celestes, representavam essas proximidades por isso: que eles habitavam discriminados desse modo em nações, famílias e casas (n. 470, 471, 483, 1159, 1246). É também por isso que fora ordenado que os que eram da igreja representativa contraíssem casamentos nas famílias de sua nação, porquanto assim eles puderam representar o céu e a conjunção das sociedades do céu quanto ao bem e vero. O mesmo sucede aqui com Jacó, que devia ir à casa de Bethuel pai de sua mãe, e lá tomar para si uma mulher das filhas de Labão, irmão de sua mãe.
[5] Quanto ao que diz respeito às cognições mesmas do vero externo, ou corporal, que provém do bem colateral e que têm, como foi dito, interiormente em si mesmas o Divino e podem assim admitir os bens genuínos, tais quais são as cognições nos meninos crianças [infantes pueros], que depois são regenerados, elas são em geral tais como as dos históricos da Palavra, como as que nele são mencionadas sobre o paraíso, sobre o primeiro homem ali, sobre a árvore de vida que estava no meio do paraíso, e sobre a árvore da ciência em que estava a serpente que enganou [a mulher]. Essas coisas são cognições que têm em si mesmas o Divino, e que admitem em si os bens e veros espirituais e celestes, porque os representam e significam. No número de tais cognições estão também todas as restantes coisas que se acham nos históricos da Palavra, por exemplo, as que dizem respeito ao Tabernáculo, ao Templo e as suas construções; do mesmo modo as que se referem às vestimentas de Aharão e de seus filhos, então do mesmo modo as que se referem às festas dos tabernáculos, das primícias das ceifas e dos ázimos, e a outras coisas semelhantes. Quando um menino criança sabe essas coisas e nelas pensa, os anjos que estão com ele pensam então nos Divinos que elas representam e significam, e como os anjos são por elas afetados, a sua afeição é comunicada, e produz o prazer e o agrado que o menino [tem] dessas coisas, e [ela] prepara a mente dele para receber os veros e os bens genuínos. Tais coisas e muitas outras semelhantes são cognições do vero externo e corporal provenientes do bem colateral.