Texto
. ‘E te dará a bênção de Abrahão’; que signifique a conjunção do Divino mesmo com o bem e o vero do Natural, vê-se pela significação da ‘bênção’, que é a conjunção (n. 3660, 3667); e pela representação de ‘Abrahão’, que é o Divino mesmo do Senhor, que se chama Pai (n. 2011, 3251, 3439); e como essas palavras são dirigidas a Jacó, por quem será representado o Divino Natural do Senhor quanto ao Divino Bem e ao Divino Vero nesse Natural, é a conjunção do Divino mesmo com o bem e o vero do Natural que é significada, no sentido interno, por “dará a ti a bênção de Abrahão”. No sentido da letra, é a posse da terra de Canaã que se entende pela bênção de Abrahão, e também pelas palavras que seguem “para que herdes a terra das tuas peregrinações, a qual DEUS deu a Abrahão”. É também segundo esse sentido que são compreendidas essas expressões por todos que creem que os históricos da Palavra não encerram coisas mais celestes nem coisas mais secretas, e principalmente pela nação judaica, que daí reivindica a si uma prerrogativa acima de todas as nações e de todos os povos. Essas expressões tinham sido compreendidas do mesmo modo por seus pais, e sobretudo por Jacó, que se pode ver qual foi, a partir do que se disse logo acima (n. 3667), a saber, que ele não conhecia JEHOVAH, nem quis reconhecer, a não ser que Ele lhe concedesse coisas corporais e mundanas. Que, porém, não sejam Abrahão, nem Isaque, nem Jacó que foram entendidos, mas que por Jacó seja representado o Senhor quanto ao Natural que Ele devia fazer Divino, é bastante evidente pelas explicações. Que seja qual for o homem que representa, mau ou bom, é o mesmo, e que o mau, pode igualmente representar, e que tenham representado o Divino do Senhor, foi visto (n. 665, 1097, 1361).
[2] Pode-se ver a mesma coisa pelas coisas representativas que existem também hoje. Com efeito, todos os reis, quaisquer que sejam, e quaisquer que sejam as qualidades da realeza mesma neles, representam o Senhor. Todos os sacerdotes, sejam eles quais forem e sejam quais forem as suas qualidades, O representam igualmente por meio do sacerdócio mesmo. A realeza mesma e o sacerdócio mesmo são santos, seja qual for a qualidade de quem ministra. Daí vem que a Palavra que o mau ensina seja igualmente santa, e que o mesmo aconteça com sacramento do Batismo e da Santa Ceia, e outras coisas semelhantes. Daí também se pode ver que nunca rei algum pode atribuir a si coisa alguma da santidade que pertence à sua realeza, nem sacerdote algum atribuirá a si coisa alguma da santidade que pertence ao seu sacerdócio; na proporção que ele reivindicar ou atribuir a si tal [santidade]; nessa mesma proporção ela imprime sobre si o caráter de ladrão espiritual, ou impõe a si a marca de furto espiritual; e também quanto mal ele faz, isto é, tanto quanto ele age contra o justo e o equitativo e contra o bem e o vero, outro tanto, se ele é rei, este se despoja do representativo da santidade da realeza, e outro tanto, se ele é sacerdote, ele se despoja do representativo da santidade do sacerdócio, e representa o oposto. Vem daí que, na igreja representativa judaica, promulgaram-se tantas Leis sobre a santidade, em que estavam sobretudo os sacerdotes quando exerciam as suas funções. Na continuação, pela Divina Misericórdia do Senhor, serão ditas várias coisas sobre esse assunto.