. ‘E pernoitou ali, porque o sol morreu’; que signifique a vida no [estado] obscuro, vê-se pela significação da ‘noite’, que é um estado de sombra (n. 1712); assim, ‘pernoitar’ é viver nesse estado; e pela significação de ‘o sol morrer’, que é no obscuro, porque então é a ‘tarde’, pela qual é significado o [estado] obscuro, como foi visto (n. 3056). Aqui pelo [estado] obscuro se entende o [estado] obscuro da inteligência quanto ao vero, e o [estado] obscuro da sabedoria quanto ao bem, porque a luz que os anjos possuem pelo Senhor tem em si mesma a inteligência e a sabedoria, e também procede daí, (n. 1521, 1524, 1529, 1530, 3138, 3167, 3195, 3339, 3341, 3636, 3637, 3643). Por isso, quanto mais eles estão na luz, tanto mais eles também estão na inteligência e sabedoria; e quanto mais eles não estão na luz, isto é, quanto mais eles estão na sombra, tanto mais não estão na inteligência e sabedoria (n. 2776, 3190, 3337). Daí vem que as coisas do entendimento, na linguagem comum [in familiari sermone], são ditas também coisas da luz. O homem ignora que esse modo de se expressar vem daí, razão por que crê que se fala assim somente por comparação. No entanto, além dessa expressão, há ainda várias outras que vêm da percepção de coisas pertencentes à outra vida, percepção na qual o homem está quanto ao espírito; estas expressões são recebidas na linguagem, porque são reconhecidas interiormente, mas são obliteradas pelas coisas corpóreas, que são de tal natureza, que extinguem as coisas pertencentes à percepção em que está o seu homem interior. [2] Que o ‘pôr do sol’ signifique, na Palavra, o falso e o mal em que estão aqueles entre os quais não há caridade alguma nem fé, e, portanto, também o último tempo da igreja, foi visto (n. 1837); e, também, que ele significa ainda o obscuro quanto às coisas que pertencem ao bem e vero, tal qual é o obscuro para os que estão em um grau mais afastado dos doutrinais Divinos, foi visto (n. 3691). Que o ‘pôr do sol’ ou ‘o sol morreu’ signifique tais coisas, é o que se pode ver por estas passagens na Palavra: Em Miqueias: “Vós [tereis] noite em vez de visão, e vós [tereis] trevas em vez de adivinhação; e o sol morrerá sobre os profetas, e enegrecerá sobre eles o dia” (3:6); ‘o sol morrerá sobre os profetas’ significa que não haverá mais neles vero nem entendimento do vero; os ‘profetas’ são os que ensinam os veros da doutrina (n. 2534). Em Amós: “Acontecerá nesse dia [que] farei o sol morrer ao meio-dia, e cobrirei de trevas a terra em um dia de luz, e converterei as vossas festas em luto, e todos os vossos cânticos, em lamentações” (8:9, 10); ‘fazer o sol morrer ao meio-dia’ é o obscuro quanto ao vero entre os que estão nas cognições do bem e vero. Que ‘ao meio-dia’ seja o estado da luz, ou das cognições do vero, foi visto (n. 1458, 3195). [3] Como em Isaías: “Não morrerá mais o teu sol, e a tua lua não se retirará, porque JEHOVAH será para ti por luz da eternidade” (60:20); onde se trata do Reino do Senhor; ‘o sol não morrerá mais’ está por que eles estarão na vida do bem e na sabedoria, porque estarão no amor e na luz celeste do Senhor; ‘a lua não se retirará’ está em lugar de que eles estarão na vida do vero e na inteligência, porque estarão no amor e na luz espiritual do Senhor. Que o Senhor, na outra vida, seja o sol para os anjos celestes, a lua para os anjos espirituais, e que a sabedoria e a inteligência lhes venham daí, foi visto (n. 1053, 1521, 1529, 1530, 1531, 2441, 2495, 3636, 3643). Daí se pode ver o que é, no sentido interno da Palavra, o ‘nascer do sol’ e o ‘pôr do sol’. [4] Em Davi: “JEHOVAH, meu Deus, [Tu] és mui grande! revestiste a glória e a honra; Aquele que se recobre de luz como veste, estende os céus como uma cortina; fez a lua para as festas fixas; o sol conhece o seu ocaso; dispões as trevas e faz-se noite” (Salmo 104:1, 2, 19, 20); aqui a ‘lua’ está semelhantemente pela inteligência, e o ‘sol’, pela sabedoria, estes procedem do Senhor; o ‘ocaso do sol’ [ou pôr do sol] é o [estado] obscuro de uma e de outra; ‘dispor as trevas para que se faça noite’ é moderar o estado de obscuridade. Com efeito, que haja nos anjos mudanças de estado entre o máximo de luz e o mínimo de luz, ou entre o mais alto grau de sabedoria e um menor grau de sabedoria, e que essas mudanças de estado são como a manhã quando o sol nasce, como o meio-dia, quando ele está em seu ponto mais elevado [in summo ortu], como a tarde, quando ele se põe, e depois, como a manhã, quando ele nasce de novo, é o que se dirá, pela Divina Misericórdia do Senhor, em outro lugar. [5] Em Josué: “Desde o deserto e do Líbano até o grande rio, o rio de Eufrates, [de] toda a terra dos heteus e até o grande mar, o acaso do sol será o vosso limite” (Josué, 1:4); onde se descreve a extensão da terra de Canaã, que, no sentido interno, é o Reino do Senhor, como foi visto (n. 1607, 3038, 3481). 252Que o ‘rio de Eufrates’ seja um de seus limites, a saber, um limite das coisas espirituais e celestes, foi visto (n. 1866); e o ‘grande mar’ e o ‘pôr do sol’ são o outro, pelo qual é representado o último grau, que é relativamente obscuro. Que todos os limites [ou fronteiras] e todos os lugares nessa terra sejam representativos, foi visto (n. 1585). [6] Em Moisés: “Se tomando tomardes em penhor a vestimenta do teu companheiro, antes que o sol se ponha, restituir-lhe-ás, porque esta [é] a única cobertura dele, esta [é] a vestimenta para a pele dele, em que se deitará” (Êx. 22:25, 26, 27 [Em JFA, 22:26, 27]); e em outra passagem: “Se [for] varão pobre, não te deitarás sobre o penhor dele, restituindo restituir-lhe-ás o penhor antes que o sol se ponha, e te abençoará, e te será [por] justiça perante JEHOVAH, teu Deus” (Dt. 24:12, 13). Que nesta lei, assim como nas restantes, há um representativo e um significado da lei Divina, que se refere ao bem e vero no Reino do Senhor, de onde procede essa [lei humana], é o que se vê por cada um dos pormenores. O que há nesta lei é aquilo pelo que ela existe, que não se deve defraudar o companheiro dos veros externos, que são as coisas doutrinais segundo as quais eles vivem e seus rituais; que as vestes sejam tais veros, foi visto (n. 297, 1073, 2576). Que ‘restituísse antes que o sol se ponha’ é antes que o vero pereça nele; e porque esse vero é externo, diz-se que ‘é a veste para a pele em que ele se deitará’. [7] No mesmo: “A alma que tiver tocado a imundícia, imunda será até a tarde, e não comerá das coisas santas, mas quando tiver lavado a sua carne nas águas, e tiver o sol se posto, limpo será; e depois comerá das coisas santas” (Lv. 22:6, 7); e em outra passagem: “Quem não é limpo, à tarde lavar-se-á nas águas, e quando o sol se pôr, entrará no meio do campo” (Dt. 23:11, 12); pode-se ver que essa lei tira também a sua origem das leis do bem e vero, ou das leis da ordem, que estão no Reino do Senhor, pois de outro modo não teria sido ordenado, que o homem ficaria manchado até a tarde, e que então ele se lavaria nas águas, e que seria puro depois que o sol se pusesse. Eis, no Reino do Senhor, a lei da ordem, de que esta provém; é que os espíritos bons e os espíritos angélicos, quando caem no estado do amor de si e, por conseguinte, no estado do falso, são um pouco repostos em seu estado natural, ou inferior, e nele são imbuídos das cognições do bem e vero quanto a coisa de que se trata; é o que é significado por ‘se lavar nas águas de tarde’, porque se lavar nas águas é ser purificado dos falsos (n. 3147, 3148); e que as águas sejam as cognições do vero (n. 28, 680, 739, 2702, 3058); e depois que eles estiveram nesse estado obscuro, que é significado pelo pôr do sol, eles voltam ao seu estado precedente, significado por: “serão limpos e entrarão no meio do campo”. Em outra parte, pela Divina Misericórdia do Senhor, falar-se-á desse assunto pela experiência. Agora, pelo que acaba de ser dito, é evidente que o ‘pôr do sol’ significa, na Palavra, um estado obscuro quanto ao vero entre os bons, e um estado de falso entre os maus.