. ‘Sonhou’; que signifique a previdência, é o que se vê pela significação de ‘sonhar’, que, no sentido interno, é predizer as coisas futuras. Com efeito, os sonhos proféticos, que eram Divinos, foram predições das coisas futuras, como se pode ver pelos que são mencionados na Palavra (n. 1975, 1976). Como as coisas futuras são significadas, no sentido interno, pelos sonhos e por sonhar, no sentido supremo, em que se trata do Senhor, é a Previdência que é significada. De fato, as predições provêm da Divina Providência do Senhor; que não é de outra parte que vêm as predições sobre as coisas que não ocorrem segundo a ordem comum da natureza e, por conseguinte, não podem ser previstas, é o que se pode ver pela Palavra, mesmo por estas expressões em Moisés: “Quando o profeta tiver falado em Nome de JEHOVAH, mas sem que a palavra tenha sido cumprida, e sem [que] haja sucedido esta palavra, JEHOVAH não falou, por arrogância pronunciou isso o profeta” (Dt. 18:22). [2] E ainda que as predicações das coisas que aconteceram tenham sido feitas por maus e por adorações de um outro deus. No mesmo: “Se se levantar no meio de ti um profeta ou sonhador de sonhos, e te der um sinal ou prodígio, e acontecer o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses que não conhecestes e sirvamo-los. Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porque JEHOVAH, vosso Deus, vos tenta” (Dt. 13:1-3). Por essas passagens, fica evidente que a predicação mesma procede do Divino, mas que o conselho de adorar outros deuses procede do próprio profeta, a quem isso foi permitido para tentar, assim como é dito. É também por essa razão e por muitas outras, que muitíssimas vezes outrora os que adoravam os baalins e outros deuses e também profetizaram, tiveram visões e sonhos, e que as coisas que eles anunciaram também aconteceram, e que muitas vezes eles seduziram (ver Jeremias, cap. 23); sem falar dos outros, que foram chamados adivinhos, augures, prestigiadores e pytons, os quais eram do número dos que se aplicavam à magia natural, pela qual não pode ser predita coisa alguma do Divino, mas somente o que era contra o Divino, isto é, contra o Senhor e contra o bem do amor e o vero da fé n’Ele. Esse proceder mágico, seja ele qual for, se manifesta na forma externa.