Texto
. ‘E romperás para o mar e para o oriente’; que signifique a extensão infinita do bem; ‘e para o norte e para o sul’; que signifique a extensão infinita do vero; assim, todos os estados do bem e do vero, é o que se vê pela significação de ‘romper’, que é a extensão, aqui, a extensão infinita, porque ela é predicada do Senhor; pela significação do ‘mar’ (ou do ‘ocidente’), que é o bem ainda obscuro, portanto, o bem que começa; pela significação do ‘oriente’, que é o bem luminoso, portanto, perfeito; pela significação do ‘norte’, que é o vero ainda no obscuro; e pela significação do ‘sul’, que é o vero na luz.
[2] Em muitas passagens na Palavra, menciona-se o mar (ou o ocidente), o oriente, o norte e o sul, mas como ninguém ainda soube que esses nomes, assim como todas e cada uma das outras coisas, tiveram um sentido interno, no qual elas significavam não coisas mundanas conforme o sentido da letra, mas sim coisas espirituais e celestes, e que no sentido supremo elas significavam os Divinos do Senhor mesmo, por isso não puderam saber outra coisa, senão que pelo ocidente, o oriente, o norte e o sul, na Palavra, entende-se somente as plagas [ou regiões] do mundo, e por ‘romper para essas plagas’ entende-se a multiplicação. Mas que por essas regiões não são significadas as plagas nem a multiplicação de algum povo, mas sim os estados do bem e do vero, e a extensão deles, pode-se ver por todas as passagens na Palavra, principalmente nos Profetas, em que essas plagas são mencionadas. Com efeito, no céu se desconhece completamente o que é o ocidente, o oriente, o norte e o sul, já que ali o Sol, que é o Senhor, não é como o sol do mundo, que nasce e se põe, e por sua maior elevação faz o meio-dia, e pela menor faz a noite, mas aparece constantemente, de fato, segundo os estados daqueles que recebem a luz dele procedente, visto que a luz que dele procede tem em si a sabedoria e a inteligência (ver n. 1619 a 1632, 2776, 3138, 3167, 3190, 3222, 3223, 3339, 3341, 3485, 3636, 3643); por essa razão ele aparece segundo o estado de sabedoria e de inteligência de cada um. Entre aqueles que estão no bem e no vero, ele aparece em um calor e uma luz, mas celeste e espiritual, assim como o sol quando está em seu levantar e ao meio-dia; mas entre aqueles que não estão no bem e no vero, ele aparece como o sol quando está em seu deitar e na noite. Daí é evidente que pelo ‘oriente’, o ‘sul’, o ‘ocidente’ e o norte são significados, no sentido interno da Palavra, os estados do bem e do vero.
[3] Cumpre saber que, na Palavra, os estados do bem e do vero não são descritos somente por meio das plagas das quais se falou, mas também por meio dos tempos ou os estados do ano, a saber, a primavera, o verão, o outono e o inverno, bem como pelos tempos ou os estados do dia, a saber, a manhã, meio-dia, a tarde e a noite, e isso vem de uma causa semelhante; mas quando se trata da extensão do bem e do vero, ela é descrita por meio das plagas. Quanto ao que significa espiritualmente cada plaga, pode-se ver pelas passagens em que elas são mencionadas na Palavra. Mostrou-se anteriormente que o ‘oriente’ é o Senhor e é o bem do amor e da caridade, que procede do Senhor (n. 101, 1250, 3249), e que o ‘sul’ é o vero na luz (n. 1458, 3195 no começo).
[4] Quanto ao que significam o ‘ocidente’ e o ‘norte’ no sentido genuíno, e o que eles significam no sentido oposto, pode-se ver pelas passagens seguintes: Em Isaías:
“Não temas, porque Eu [estou] contigo, do oriente trarei a tua semente, e do ocidente te ajuntarei; direi ao norte: Dá; e ao sul: Não [te] detenhas; trazei os meus filhos de longe, e as minhas filhas desde a extremidade da terra” (43:5, 6);
trata-se da nova igreja espiritual que é aqui ‘Jacó’ e ‘Israel’; ‘trazer do oriente a semente’ e ‘ajuntar do ocidente’ estão pelos que estão no bem; ‘dizer ao norte: Dá, e ao sul: Não te detenhas’ está no lugar daqueles que estão no vero.
[5] Em Davi:
“Dirão os remidos de JEHOVAH, os quais [Ele] remiu da mão do inimigo, e das terras os reuniu, do nascente e do poente, do norte e do mar; erraram no deserto, na solidão do caminho, não encontraram cidade de habitação” (Salmo 107: 2, 3, 4);
trata-se daqueles que estão na ignorância do bem e do vero; ‘do nascente e do poente’ está pelos que estão na ignorância do bem; ‘do norte e do mar’ está pelos que estão na ignorância do vero; dos que estão na ignorância do bem se diz que eles ‘tinham errado no deserto’; dos que estão na ignorância do vero se diz que eles ‘erraram na solidão do caminho’; e a respeito da ignorância de um e do outro se diz que ‘não encontraram cidade de habitação’. Que a ‘cidade’ seja o doutrinal do vero, foi visto (n. 401, 2449, 2943, 3216); e que a ‘habitação’ seja predicada do bem, n. 2268, 2451, 2712.
[6] Em Isaías:
“Eis, estes virão de longe, e eis aqueles do norte e desde o ocidente, e aqueles da terra de Sinim” (49:12);
o ‘norte’ está pelos que estão no obscuro quanto ao bem; diz-se que ‘eles vêm de longe’ porque eles se afastaram da luz que procede do Senhor.
[7] Em Amós:
“Eis, dias virão, em que enviarei a fome na terra, e vagarão de mar a mar, e desde o norte até o nascente correrão a buscar a palavra de JEHOVAH, e não acharão” (8:11, 12);
a ‘fome’ está pela escassez e a falta de cognições (n. 1460, 3364); ‘vagar de mar a mar’ está por procurar onde estão as cognições (que os ‘mares’ sejam as cognições em geral, foi visto, n. 28, 2850); ‘correr desde o norte até o nascente’ está em lugar das cognições que estão no obscuro até as que estão na luz; que sejam as cognições, é evidente, pois se diz: ‘A buscar a palavra de JEHOVAH, e não acharão’.
[8] Em Jeremias:
“Proclama estas palavras para o norte, e diz: Volta, ó rebelde Israel, não farei cair as Minhas faces sobre vós; pois Eu [sou] misericordioso; ... Naqueles dias irão, a casa de Judá à casa de Israel; e virão juntas da terra do norte, sobre a terra que fiz herdar a vossos pais” (3:12, 18);
trata-se da restauração da igreja das nações; o ‘norte’ está em lugar daqueles que estão na ignorância do vero e, entretanto, na vida do bem; que aqui não se entende o ‘norte’ nem a ‘terra do norte’, é evidente, visto que não houve mais Israel. No mesmo:
“Viva JEHOVAH, que fez subir os filhos de Israel da terra do norte” (Jr. 16:15);
o ‘norte’ está semelhantemente em lugar da ignorância do vero.
[9] No mesmo:
“Eis, Eu os trarei da terra do norte, e os reunirei dos lados da terra, entre eles o cego e o coxo” (Jr. 31:8);
a ‘terra do norte’ está em lugar da ignorância do bem porque há ignorância do vero; e como a terra de Canaã representava o Reino do Senhor e, daí, também o bem (ver acima n. 3705), e as cidades que estão no meio dela, como Sião e Jerusalém, como representavam o bem íntimo, ao qual foi conjunto o vero, daí vem que essas terras que distavam dela representavam o obscuro quanto ao bem e vero; tudo aquilo que está no obscuro é chamado ‘terra do norte’ e também ‘lados da terra’.
[10] Além disso, como todo bem que influi do Senhor com a luz termina no obscuro do homem, o ‘norte’ também é chamado ‘convenção’, como em Isaías:
“Disseste em teu coração: Aos céus subirei, sobre as estrelas de Deus elevarei o meu trono, e sentarei no monte da convenção, nos lados do norte” (14:13).
No mesmo:
“Uiva, portão; clama, cidade; derreteu-se a Filisteia, tu toda inteira, porque do norte veio uma fumaça, e nenhum solitário em [suas] convenções” (Is. 14:31).
Em Davi:
“Grande [é] JEHOVAH, e louvado muito na cidade do nosso Deus, na montanha da santidade d’Ele; o regozijo de toda a terra, a montanha de Sião, os lados do norte, a cidade do grande Rei” (Sl. 48:2, 3 [Em JFA, 48:1, 2]).
Depois, no mesmo:
“Teu [é] o céu, também tua [é] a terra, e o globo e a plenitude dele Tu fundaste; o norte e a direita260 Tu criaste” (Sl. 89:12, 13 [Em JFA, 89:11, 12]);
aqui o ‘norte’ está pelos que estão mais afastados da luz do bem e do vero; a ‘direita’ pelos que estão mais perto; que estes estejam à direita do Senhor, foi visto (n. 1274, 1276).
[11] Em Zacarias:
“Vi quatro carros saindo dentre os montes de bronze;... os cavalos deles eram ruivos, negros, brancos e os grisalhos [eram] robustos; ... disse o anjo: Estes são os quatro ventos do céu saindo de onde estavam de diante do Senhor de toda a terra; os cavalos negros saíam para a terra do norte, e os brancos saíam após eles, e os grisalhos saíram para a terra do sul; ... os que saem para a terra do norte fazem repousar o Meu espírito na terra do norte” (6:1 ao 8);
os ‘carros que saem dentre os dois montes de bronze’ estão em lugar dos doutrinais do bem; que os ‘carros sejam os doutrinais, ficará claro em outro lugar; que o ‘monte’ seja o amor, foi visto (n. 795, 1430, 2722); daí, os ‘dois montes’ são os dois amores: o celeste, que é o amor ao Senhor, e o espiritual, que é o amor para com o próximo. Que o ‘bronze’ seja o bem que daí provém, que está no natural, n. 425, 1551; que os ‘cavalos’ sejam as coisas intelectuais, assim, o entendimento dos doutrinais do bem, n. 2760, 2761, 2762, 3217; a ‘terra do sul’ está em lugar daqueles que estão nas cognições do bem e do vero, n. 1458, 3195; a ‘terra do norte’ está em lugar daqueles que estão na ignorância do bem e do vero, mas na vida do bem, nas quais estão as nações probas, nas quais, quando uma nova igreja é instaurada, do Espírito de Deus se diz ‘repousar’.
[12] Em Jeremias:
“JEHOVAH, Que fez subir, e que reconduziu a semente da casa de Israel da terra ao norte, e de todas as terras, de que foram eles expulsos, para que habitassem sobre a sua terra” (23:8);
‘da terra do norte’ está pelo [estado] obscuro da ignorância do bem e do vero. No mesmo:
“Quebrará o ferro, o ferro do norte e o bronze?” (Jr. 15:12);
o ‘ferro’ está em lugar do vero natural (n. 425, 426); o ‘bronze’, do bem natural (n. 425, 1551); esses metais se dizem ‘do norte’, porque procedem do natural em que está o relativamente obscuro e o limite. Que esse profético não signifique que o ferro e o bronze virão do norte, é evidente sem necessidade de explicação, pois o que haveria de Divino, e mesmo, o que haveria de coerente nisso com as coisas que antecedem e as que seguem caso se entendesse que o ferro e o bronze viriam do norte?
[13] Em Mateus:
“Digo-vos que muitos virão do oriente e do ocidente, e se assentarão com Abrahão, Isaque e Jacó” (8:11. Lc. 13:29);
‘muitos do oriente e do ocidente’ está pelos que estão nas cognições e na vida do bem, e os que estão no obscuro e na ignorância, assim, os que estão dentro da igreja e os que estão fora. Com efeito, foi dito acima que os estados do bem são significados pelo oriente e o ocidente; que ‘assentar-se com Abrahão, Isaque e Jacó’ seja estar com o Senhor, foi visto (n. 3305 no fim). Que semelhantemente os que hão de estar com o Senhor em Seu Reino ou em Sua igreja devem vir daí, a saber, do oriente e do ocidente, é o que se diz nos Profetas; por exemplo, em Isaías:
“Do oriente trarei a tua semente, e do ocidente reunir-te-ei” (43:5);
em outra passagem:
“Temerão desde o ocidente o Nome de JEHOVAH e desde o oriente a glória d’Ele” (Is. 59:19);
em outra:
“Conhecerão desde o nascente do sol e desde o ocaso, que [não há] nenhum [outro] além de Mim, Eu [sou] JEHOVAH e [não há] mais nenhum [outro]” (Is. 45:6);
e em outra:
“Excitarei do norte e virá, desde o nascente do sol invocará o Meu nome” (Is. 41:25).
[14] Além disso, que tais coisas sejam significadas pelo oriente, o ocidente, o sul e o norte, é o que se pode ver claramente pela construção do Tabernáculo; pelo acampamento e a caminhada dos Filhos de Israel, pela descrição da terra de Canaã, depois, pela descrição do Novo Templo, da Nova Jerusalém e da nova terra. PELA CONSTRUÇÃO DO TABERNÁCULO, que todas as coisas ali foram ordenadas segundo as plagas (ver Êx. 38); por exemplo, o que devia estar para ângulo do oriente e do ocidente, e o que devia estar para ângulo do sul e do norte (Êx. 26:18, 20, 21, 22, 27; cap. 27:9, 12, 14); e que o Castiçal devia estar da região da mesa ao lado do habitáculo para o sul, mas a mesa para o lado do norte (Êx. 26:35; 40:22).
[15] PELO ACAMPAMENTO E A CAMINHADA DOS FILHOS DE ISRAEL, também segundo as plagas, a saber, que deviam acampar ao redor da Tenda da Convenção; a tribo de Judá, a tribo de Issascar, a tribo de Zebulon, para o oriente; as tribos de Rúben, de Simão e de Gad, para o sul; as tribos de Efraim, de Manassés e de Benjamin, para o ocidente; as tribos de Dã, de Asser e de Naftali para o norte (Nm. 2:1 ao fim). Depois, que dentre os Levitas, os gersonitas deviam colocar-se para o ocidente, os coatitas para o sul, os meraritas para o norte, e Moisés, Aharão e seus filhos diante do habitáculo para o oriente (Nm. 3:23 ao 38); por meio dessas coisas era representada a ordem celeste que está no Reino do Senhor segundo os estados do bem e do vero. E no fato que deviam tocar um som de trombeta para o sul às caminhadas261 (Nm. 10:6); e no fato que conforme estavam acampados, também assim [na mesma ordem] eles partiam262 (Nm. 2:34).
[16] PELA DESCRIÇÃO DA TERRA DE CANAÃ, que foi primeiro descrita por Moisés quanto aos seus limites ao redor, e de fato até o ângulo do sul, ao ângulo do ocidente, ao ângulo do norte e ao ângulo do oriente (Nm. 34:2 ao 12); depois, quando ela foi pela sorte dada às tribos (Js. 15, 16, 17, 18 e 19); daí e também por causa dos antiquíssimos que tinham habitado na terra de Canaã, todos os lugares ali se tinham tornado representativos e significados conforme a posição, a distância e os limites quanto às plagas (n. 1607, 1866).
[17] PELA DESCRIÇÃO DO NOVO TEMPLO, DA NOVA JERUSALÉM E DA NOVA TERRA, também segundo as plagas, em Ezequiel: assim, ali se diz que a estrutura da cidade era desde o lado do sul, e a respeito do portão do edifício, cujas faces eram para o oriente, para o norte e para o sul (Ez. 40:2, 6, 19, 20 ao 46); da medida do Templo e da sua entrada, para o norte e o sul (Ez. 41:11); do átrio para o norte, o oriente, o sul e o ocidente (Ez. 42:1, 4, 10, 11, 17, 18, 19, 20); e que a glória de JEHOVAH, Deus de Israel, entrava pelo caminho do oriente (Ez. 43:1, 2, 4); do portão do átrio (Ez. 43:1, 2, 4; 44:1, 9, 10, 19, 20; dos limites da Terra Santa (cap. 47): do lado do norte (vers. 15, 16, 17); do oriente (vers. 18); do sul (vers. 19); do ocidente (vers. 20); e das heranças para cada Tribo segundo as plagas (cap. 48); e dos portões da Santa Jerusalém, desde o oriente, do norte, do sul, e do ocidente (Apocalipse, 21:13). De tudo isso, fica manifestamente claro que as quatro plagas do mundo, segundo as quais essas coisas santas ou esses representativos do santo foram ordenados, significam, no sentido interno, não essas plagas, mas os estados do bem e do vero no Reino do Senhor.
[18] Que o ‘norte’ e o ‘ocidente’, no sentido oposto, signifiquem o falso e o mal, pode-se ver pelas seguintes passagens: Em Jeremias:
“Veio a palavra de JEHOVAH a mim pela segunda vez, dizendo: O que tu vês? Disse: O que vejo [é] uma panela aberta, a face dela para o norte. E disse JEHOVAH: Do norte será aberto o mal sobre todos os habitantes da terra. Eis, Eu chamo todos os familiares do norte para que venham” (1:13, 14, 15).
No mesmo:
“Levantai o estandarte para Sião; reuni[-vos], não [vos] detenhais, porque o mal Eu estou trazendo do norte, e uma ruptura grande” (Jr. 4:6).
No mesmo:
“Uma voz do estrépito eis que vem, e um tumulto grande da terra do norte, para reduzir as cidades de Judá a devastação” (Jr. 10:22).
No mesmo:
“Em Tekoa tocai buzina, ...porque o mal olha do norte, é uma fratura grande; ...eis vem um povo vindo da terra do norte, e uma nação grande será suscitada dos lados da terra” (Jr. 6:1, 22).
No mesmo:
“Tomei um cálice da mão de JEHOVAH, e fiz beber a todas as nações, a Jerusalém e as cidades de JEHOVAH, e aos reis dela, a faraó, rei do Egito, e a toda turba ocidental, a todos os reis da Arábia, e a todos os reis do ocidente que habitam no deserto, e a todos os reis do norte, próximos e longínquos” (Jr. 25:17 ao 26).
[19] No mesmo:
“Não fugirá o veloz, e não escapará o forte, para o norte, junto à margem do rio Eufrates, tropeçaram e caíram. Quem é este [que] sobe como o rio? ... o Egito sobe como um rio, ... pois disse: Subirei, cobrirei a terra, destruirei a cidade, e os que habitam nela. [...] Mas esse é o dia do Senhor JEHOVIH Zebaoth, dia de vingança263, porque o Senhor JEHOVIH Zebaoth tem um sacrifício na terra do norte, junto ao rio Eufrates. [...] Bezerra belíssima é o Egito; a destruição vem do norte. [...] A filha do Egito foi envergonhada; foi entregue na mão do povo do norte” (Jr. 46:6, 7, 8, 10, 20, 24).
No mesmo:
“Assim disse JEHOVAH: Eis águas que sobem do norte, as quais [são] como um rio inundante, e inundarão a terra e a plenitude dela, a cidade e os habitantes nela” (Jr. 47:2).
[20] No mesmo:
“Falou JEHOVAH contra Babel: Subirá contra ela uma nação do norte, esta porá a terra dela em desolação, para que não haja habitante nela” (Jr. 50:3).
No mesmo:
“Eis Eu que atiço e que faço subir contra Babel uma congregação de nações grandes da terra do norte; e instruir-se-ão em batalha contra ela, por isso será tomada; eis um povo que vem do norte, e uma nação grande, e muitos reis serão atiçados dos lados da terra” (Jr. 50:9, 41).
No mesmo:
“Então cantaram sobre Babel os céus e a terra, e tudo que [está] neles, porque do norte virão a ela os devastadores” (Jr. 51:48).
Em Ezequiel:
“[...] Diz a Gog: ...Virás do teu lugar, dos lados do norte, [tu] e muitos povos contigo, ...subirás contra o meu povo, Israel, como uma nuvem, para cobrir a terra” (38:14, 15, 16).
No mesmo:
“Eis, Eu contra Gog, príncipe; ... far-te-ei voltar, reduzir-te-ei ao sexto, e te farei descer dos lados do norte, e levar-te-ei sobre as montanhas de Israel; ... sobre as montanhas de Israel cairás, ... sobre as faces do campo cairás” (Ez. 39:1, 2, 4, 5).
Em Zacarias:
“Ah! Fugi da terra do norte, dito de JEHOVAH, pois como os quatro ventos dos céus dispensar-vos-ei. Ah! Sião, escapa-te, [tu] que habitas com a filha de Babel” (2:10, 11).
[21] Por essas passagens fica claro o que é significado pelo ‘norte’ no sentido oposto, a saber, que significa o falso do qual provém o mal, e o falso que procede do mal. O falso do qual provém o mal, porque é oriundo do raciocínio (a respeito dos Divinos e contra os Divinos) proveniente dos conhecimentos que pertencem ao homem natural, é dito ‘povo do norte vindo do Egito’. Que o ‘Egito’ seja tal conhecimento, foi visto (n. 1164, 1165, 2588 no fim). O falso que provém do mal, porque é oriundo de um culto externo aparentemente santo, cujos interiores são profanos, é dito ‘nação do norte vindo de Babel’. Que ‘Babel’ seja tal culto, foi visto (n. 1182, 1283, 1295, 1304, 1306, 1307, 1308, 1321, 1322, 1326); que ‘Babel’ também seja o que devasta (n. 1327). Um e outro, a saber, o falso do qual provém o mal, e o falso que provém do mal se diz vir de Gog, pois ‘Gog’ é o culto nos externos sem o interno, e, daí, o idolátrico, tal qual foi por todo o tempo o culto dos judeus. Que ‘Gog’ seja tal culto, foi visto (n. 1151).
[22] Do obscuro, que pertence ao homem natural, sai tanto o vero quanto o falso; quando o homem se deixa iluminar pelo Senhor por meio da Palavra, então o seu obscuro se torna luminoso, porquanto a via interna é aberta, assim, faz-se um influxo e uma comunicação do Senhor pelo céu. Quando, porém, o homem não se deixa iluminar pelo Senhor por meio da Palavra, mas sim por meio da [sua] própria inteligência, então o seu obscuro se torna tenebroso, assim, o falso, porquanto a via interna está fechada; e então não há influxo e comunicação por meio do céu pelo Senhor, exceto tal, que faz que ele possa aparecer como um homem na forma externa, pensando a partir do mal e do falso, e também falando.
[23] Daí vem que o ‘norte’ naqueles significa o vero, e nestes, o falso, uma vez que aqueles sobem do obscuro, isto é, elevam-se para a luz, enquanto estes descem ao obscuro, isto é, afastam-se da luz; assim, aqueles se dirigem para o sul, estes porém para o tártaro. Que o ‘norte’ seja a escuridão do falso, e o sul a luz do vero, evidencia-se com clareza em Daniel, onde se trata do carneiro e do bode das cabras; bem como onde se trata do rei do sul e do rei do norte. A respeito do carneiro e do bode das cabras, que
“o carneiro feria com o chifre para o ocidente e para o norte e para o sul, de sorte que todas as bestas não ficavam diante dele; ...e que o bode das cabras vinha do ocidente sobre todas as faces da terra; ...e que de um de seus chifres saiu um chifre que cresceu muito para o sul e para o nascente, e para o esplendor” (Dn. 8:4, 5, 9).
Trata-se do rei do sul e do rei do norte, pelo ‘rei do sul’ são significados aqueles que estão nas cognições do vero, e pelo ‘rei do norte’, os que estão no falso, que:
“Ao fim dos anos consociaram-se, de sorte que a filha do Rei do sul virá para o Rei do norte, para fazer tratados, mas o braço não obterá forças: ... elevar-se-á do tronco ... que virá na fortaleza do rei do norte, ... e prevalecerá; ...e os cativos levará ao Egito; ...virá no reino o rei do sul, ...e pelejará contra o rei do norte; ...voltará o rei do norte, apresentará uma multidão grande maior do que a primeira;... muitos estarão contra o Rei do sul; ... virá o Rei do norte ...e tomará a cidade fortificada, ...e destruirá muitas coisas; ...o Rei do sul se aliará para guerra com um exército grande, mas não resistirá, porque pensarão contra ele pensamentos; ...depois voltará, ...mas não será como antes; ...o povo dos que conhecem o seu Deus se confirmará; ...finalmente, no tempo do fim, estará em colisão com ele o Rei do sul, por isso, assim como uma tempestade, contra ele se arremessará o Rei do norte com carro e cavaleiros; ...na terra do esplendor muitos desabarão; ...mas rumores o aterrorizarão desde o nascente e desde o norte, para que saia com ira grande; ...chegará até o seu fim, e ninguém para ajudá-lo” (Dn. 11:1 ao fim).
Que o ‘rei do sul’ sejam aqueles que estão na luz do vero, e o ‘rei do norte’, os que estão a princípio na sombra e, depois, na escuridão do falso, pode-se ver por cada uma das coisas aí, assim, que é o estado da igreja e o modo como ela foi sucessivamente pervertida que se descreve; eles são chamados ‘reis do sul e do norte’ porque pelos ‘reis’, no sentido interno da Palavra, são significados os veros, e, no sentido oposto, os falsos (n. 1672, 2015, 2069); e pelos ‘reinos’ são significadas as coisas que pertencem ao vero, e, no sentido oposto, as que pertencem ao falso (n. 1672, 2547).