. ‘E eu não soube’; que signifique no obscuro, pode-se ver sem necessidade de explicação. Com efeito, ‘não saber’ e ‘ignorar’ é o obscuro quanto às coisas que pertencem à vista intelectual. Em consequência de ‘não saber’ e ‘ignorar’, que é o obscuro, e de ‘despertar do sono’, que é ser iluminado, fica claro o que é o sentido interno e qual ele é, a saber, que as coisas que pertencem ao sentido literal são tais quais elas se mostram diante da vista externa ou diante de qualquer outro sentido, e são também compreendidas segundo esses sentidos, mas as coisas que pertencem ao sentido interno são tais quais elas se mostram diante da vista interna ou outro sentido ali. As coisas que estão, pois, no sentido literal e são compreendidas pelo homem segundo os sentidos externos, isto é, segundo as coisas que estão no mundo, ou segundo a ideia que o homem deriva delas, são percebidas pelos anjos segundo os sentidos internos, isto é, segundo as coisas que estão no céu ou segundo a ideia que delas derivam. Há entre as coisas no sentido literal e as coisas do sentido interno a mesma relação que há entre as coisas que estão na luz do mundo e as que estão na luz do céu: as que estão na luz do mundo são mortas relativamente às que estão na luz do céu, porquanto na luz do céu há a sabedoria e a inteligência que procedem do Senhor (n. 3636, 3643). É por isso que, quando as coisas que pertencem à luz do mundo são obliteradas ou apagadas, permanecem as que pertencem à luz do céu, assim, as celestes ficam em lugar das terrestres, e as espirituais em lugar das naturais. Conforme o que foi dito acima, que ‘não saber’ e ‘ignorar’ seja estar no estado obscuro a respeito do bem e do vero, e que ‘despertar do sono’ seja ser iluminado; o mesmo acontece em todas as coisas restantes.