. ‘E temeu’; que signifique uma alteração santa, vê-se pela significação do ‘temor’, que é uma alteração santa, como é evidente pelas palavras que espontaneamente seguem, pois disse: “Quão terrível [é] este lugar! Este não [é] senão a casa de DEUS, e este é o portão do céu”. Palavras nas quais se pode ver que há uma alteração santa. Quanto ao que é o temor no sentido interno, foi visto (n. 2826); há em geral dois tipos: o temor no que não é santo e o temor no que é santo; o temor no que não é santo está nos que são maus, mas o temor no que é santo está nos que são bons. Este temor, a saber, nos que são bons, é denominado temor santo, e pertence à admiração pelo Divino e também ao amor; o amor sem um temor santo é, por assim dizer, uma coisa insossa, ou seja, como uma comida em que não há nada de sal e, por isso, não tem sabor; mas o amor com temor é, por assim dizer, uma comida temperada com sal, que todavia não é saborosa pelo sal. O temor do amor é o temor que o Senhor não seja de algum modo ofendido, nem que de algum modo o próximo, assim, nem de algum modo o bem e o vero, por conseguinte, de que não seja lesado o santo do amor e da fé e, daí, o culto. No entanto, esse temor varia, ele não é semelhante em um como em outro; em geral, quanto mais houver amor do bem e do vero em alguém, tanto mais há temor que o bem e o vero sejam lesados, mas mesmo assim este não aparece como temor. Ao contrário, quanto menos amor do bem e do vero houver, tanto menos há temor por isto, e tanto mais ele aparece não como amor, mas sim como temor, daí, com estes o temor do inferno; mas onde não há nada do amor do bem e do vero, ali não há temor santo, mas somente o temor de perder a honra, o ganho, a reputação que proporciona um e o outro, depois o temor das penas e da morte; esse temor é externo, e afeta principalmente o corpo e o homem natural e os pensamentos deste homem. Mas o outro temor, a saber, o temor santo afeta principalmente o espírito ou o homem interno e a consciência deste homem.