Texto
. ‘Este não [é] senão a casa de DEUS’; que signifique o Reino do Senhor no último da ordem, vê-se pela significação da ‘casa de Deus’. Em muitas passagens na Palavra menciona-se ‘casa de Deus’, e no sentido externo, ou segundo a letra, ela significa um edifício onde se celebra um culto santo; mas no sentido interno ela significa a igreja, e em um sentido mais universal, o céu, e em um sentido universalíssimo, todo o Reino do Senhor; porém, no sentido supremo, o Senhor mesmo quanto ao Divino Humano. Contudo, na Palavra ora se diz ‘casa de Deus’, ora ‘templo’; ambos significam a mesma coisa, mas com esta diferença, que ‘casa de Deus’ se diz quando se trata do bem, e ‘templo’ quanto se trata do vero. Sendo assim, é evidente que a ‘casa de Deus’ significa a igreja celeste do Senhor; e em um sentido mais universal, o céu dos anjos celestes; no sentido universalíssimo, o Reino celeste do Senhor, e no sentido supremo, o Senhor quanto ao Divino Bem. E que pelo ‘templo’ é significada a igreja espiritual do Senhor; e em um sentido mais universal, o céu dos anjos espirituais; e no sentido universalíssimo, o Reino espiritual do Senhor, e no sentido supremo, o Senhor quanto ao Divino Vero (n. 2048). Que ‘casa de Deus’ signifique o celeste que pertence ao bem, e que ‘templo’, o espiritual que pertence ao vero, vem de que a ‘casa’, na Palavra, significa o bem (ver n. 710, 2233, 2234, 2559, 3128, 3652), e de que ela era construída de madeira entre os antiquíssimos, por essa causa, porque a madeira significava o bem (n. 643, 1110, 2784, 2812). O ‘templo’ por sua vez significa o vero, porque ele era construído de pedras; que as ‘pedras’ sejam os veros, foi visto (n. 643, 1296, 1298).
[2] Que as ‘madeiras’ e as ‘pedras’ tenham tais significações, vê-se não somente pela Palavra, em que são mencionadas, mas também pelos representativos na outra vida. Com efeito, aqueles que põem mérito nas boas obras, esses aparecem a si próprios como rachando madeira, e os que põem méritos nos veros, a saber, que creram conhecer melhor do que os outros os veros, e todavia viveram mal, aparecem a si próprios como fendendo pedras. Vi muitas vezes essas coisas; por esse modo pude ver qual a significação da ‘madeira’ e da ‘pedra’, a saber, que a ‘madeira’ significa o bem, e a ‘pedra’, o vero. Igualmente pelo fato que, quando eu via uma casa de madeira, logo, vinha-me a ideia do bem, e quando eu via uma casa de pedra, logo me vinha a ideia do vero; fui também instruído a respeito delas pelos anjos. Daí vem que, quando na Palavra se menciona ‘casa de Deus’, a ideia do bem sobrevém aos anjos, e de tal bem a respeito do qual se tratará na série. E quando se faz menção do ‘templo’, sobrevém-lhes a ideia do vero, e de um vero tal de que se tratará na série. Daí também se pode concluir quantos arcanos celestes estão íntima e profundamente encerrados na Palavra.
[3] Que pela ‘casa de Deus’ aqui seja significado o Reino do Senhor no último da ordem, é porque se trata de Jacó, por quem é representado o Divino Natural do Senhor, o que antes se demonstrou muitas vezes. O Natural está no último da ordem, pois no natural terminam todos os interiores, e eles ali estão simultaneamente, e porque eles ali estão simultaneamente e assim são vistas simultaneamente inumeráveis coisas como uma só, há ali o relativamente obscuro. A respeito do relativamente obscuro ali, também já se tratou antes algumas vezes.