. ‘E este [é] o portão do céu’; que signifique o último em que termina a ordem, último pelo qual há em aparência entrada do lado da natureza, vê-se pela significação do ‘portão’, que é aquilo por meio do que há saída e entrada. Que seja aqui o último em que termina a ordem, é porque se trata do natural, que é representado por ‘Jacó’. (O que é o ‘portão’, vê-se pelas coisas que foram ditas e demonstradas, n. 2851, 3187; e que o natural seja o último da ordem, pelas coisas que foram alegadas nos n. 775, 2182, 2987 a 3002, 3020, 3147, 3167, 3483, 3489, 3513, 3570, 3576, 3671.) Que por este último há, em aparência, como uma entrada do lado da natureza, é porque, no homem, é pela mente natural que as coisas que pertencem ao céu, isto é, ao Senhor, influem e descem à natureza, e que as que pertencem à natureza sobem pela mesma mente (ver n. 3702); mas que seja em aparência que há entrada do lado da natureza pela mente natural nos interiores, pode-se ver pelas coisas que foram ditas e demonstradas aqui e ali. [2] Perante o homem parece que os objetos do mundo entram pelos sentidos de seu corpo ou pelos sentidos externos, e afetam os interiores, e que assim há entrada pelo último da ordem nas coisas que estão por dentro; mas que isso seja uma aparência e uma ilusão [fallacia], vê-se claramente por uma regra geral, que os posteriores não podem influir nos anteriores, ou, em outros termos, os inferiores nos superiores, ou, o que dá no mesmo, os exteriores nos interiores; ou, o que é ainda a mesma coisa, o que pertence ao mundo e à natureza no que pertence ao céu e ao espírito. Com efeito, aqueles são mais grosseiros, estes mais puros; e essas coisas mais grosseiras, que pertencem ao homem externo ou natural, existem e subsistem pelas que pertencem ao homem interno ou racional, elas não podem afetar as que são mais puras, mas são afetadas por essas coisas mais puras. Contudo, porque a própria aparência e a falácia persuadem absolutamente do contrário, deve-se dizer o modo como acontece com este influxo, pela Divina Misericórdia do Senhor, no lugar em que se tratará do influxo. É, pois, por isso que se diz que, pelo último, no qual acaba a ordem, há em aparência como uma entrada do lado da natureza.