Texto
. ‘E pô-la por pilar’; que signifique o santo limite, é o que se vê pela significação do ‘pilar’, de que se tratará no que segue. Pelas coisas que precedem, pode-se ver o modo como essas coisas acontecem, a saber, que se trata da ordem em que o Senhor fez Divino o Seu Natural; e, no sentido representativo, do modo como o Senhor faz novo ou regenera o natural do homem. Acima foi dito e demonstrado, aqui e ali, qual é essa ordem, a saber, que ela é invertida quando o homem vai ser regenerado, e que o vero se põe em primeiro lugar, e que ela é restabelecida quando o homem foi regenerado, e o bem está então no primeiro lugar e o vero no último, coisa de que se tratou (ver n. 325, 3330, 3332, 3336, 3539, 3548, 3556, 3563, 3570, 3576, 3603, 3688). Isso foi representado por meio da escada sobre a qual os anjos subiam e desciam, em que primeiro se diz que eles subiam, e em seguida, que desciam (n. 3701). Trata-se agora da subida, a saber, que é feita desde o último da ordem, de que se tratou logo acima (n. 3720, 3721); aqui, agora, que seja o vero que é o último da ordem. Este último é o que é chamado santo limite, e é significado pela ‘pedra que Jacó tomou e pôs como pilar’. Que o vero seja o último da ordem, é o que se pode ver no fato que o bem não pode terminar no bem, mas sim no vero, pois o vero é o recipiente do bem (n. 2261, 2434, 3049, 3068, 3180, 3318, 3387, 3470, 3570).
[2] O bem (no homem) sem o vero, ou sem a conjunção com o vero, é o bem tal qual existe nas crianças, nas quais ainda não há nada da sabedoria porque não há nada da inteligência; mas quanto mais a criança, que avança em idade, recebe o vero proveniente do bem, ou quanto mais nela o vero é conjungido ao bem, tanto mais ela se torna homem. Daí, é evidente que o bem é o primeiro da ordem, e que o vero é o último; daí vem que o homem deve começar a partir dos conhecimentos, que são os veros do homem natural, e depois a partir dos doutrinais, que são os veros do homem espiritual em seu natural, a fim de ser iniciado na inteligência da sabedoria, isto é, para que entre na vida espiritual, em virtude da qual o homem se torna homem (n. 3504). Como exemplo: para que o homem possa, como homem espiritual, amar ao próximo, ele deve primeiro aprender o que é o amor espiritual (ou caridade) e quem é o próximo. Antes de ele conhecer essas coisas, ele pode de fato amar o próximo, mas como homem natural, não como espiritual, isto é, a partir do bem natural, e não do bem espiritual (n. 3470, 3471); mas depois que conhece essas coisas, então, nas cognições delas, pode ser implantado o bem espiritual procedente do Senhor. Assim acontece com todas as restantes coisas, que são denominadas cognições, ou coisas doutrinais, ou, em geral, veros.
[3] Diz-se que nas cognições pode ser implantado o bem procedente do Senhor, depois se diz que o vero é o recipiente do bem. Aqueles que não têm outra ideia a respeito das cognições, bem como dos veros, senão que sejam coisas abstratas, tal qual é também a ideia que a maioria tem das cognições, esses não podem de modo algum compreender o que é um bem ser implantado nas cognições, e o que é um vero ser o recipiente do bem. Mas, deve-se saber que as cognições e os veros não são coisas reais mais abstratas das substâncias mais puras pertencentes ao homem interior (ou ao espírito do homem) do que a visão é abstrata de seu órgão, ou do olho, ou do que a audição é abstrata de seu órgão, ou do ouvido; são substâncias mais puras, que são reais, a partir das quais eles existem, cujas variações de uma forma animada e modificada pelo influxo da vida procedente do Senhor os apresentam, e são as suas conformidades e harmonias sucessiva ou simultaneamente, que afetam e fazem aquilo que se chama beleza, amenidade e prazer.
[4] Os próprios espíritos são formas, isto é, consistem em formas contínuas, do mesmo modo que homens, porém, de formas mais puras e não visíveis à vista corporal, ou dos olhos. Como, porém, essas formas ou substâncias não são visíveis aos olhos corporais, o homem hoje não pode compreender de outro modo, senão que as cognições e os pensamentos são coisas abstratas. Daí também a loucura de nosso século, que não creiam ter em si um espírito que deve viver depois da morte do corpo, quando, todavia, esse espírito é uma substância muito mais real do que a substância material de seu corpo. Mais ainda, se quiseres crer, o espírito, depois do desprendimento das coisas corporais, é esse mesmo corpo purificado que muitos dizem que terão no tempo do juízo final, quando então eles creem que ressuscitarão. Que os espíritos, ou, o que é o mesmo, as almas, sejam dotados de um corpo, que eles se veem mutuamente como na claridade do dia, que conversam entre si, que ouvem uns aos outros, e que desfrutam de um sentido muito mais apurado do que quando eles estavam no corpo e no mundo, pode-se ver claramente pelas coisas que foram tão copiosamente relatadas pela experiência.