. Quanto ao que diz respeito à significação do ‘pilar’, que seja o santo limite, portanto, o último da ordem, vem de que nos tempos antiquíssimos punham-se pedras nos lugares onde estavam os limites deles, que separavam a posse ou a herança de um da posse ou a herança de outro, e esses pilares eram como um sinal ou como um testemunho que ali ficavam os limites. Os antiquíssimos, que em cada um dos objetos e em cada um dos estatutos, pensavam em alguma coisa celeste e espiritual (n. 1977, 2995), pensavam também assim em relação a essas pedras que eles faziam de pilar, por elas eles pensavam a respeito dos últimos no homem, por conseguinte, do último da ordem, que é o vero no homem natural. Desses antiquíssimos, que existiram antes do dilúvio, os antigos que viveram depois do dilúvio tiveram esse costume (n. 920, 1409, 2179, 2896, 2897); e estes começaram a ter como santas essas pedras que eles erguiam como pilar nos limites. A causa disso, como foi dito, era porque elas significavam o santo vero que está no último da ordem; a essas pedras também chamavam pilares, de onde aconteceu que os pilares recebiam um culto, e que eram erguidos nos lugares onde tiveram bosques sagrados, e mais tarde, onde tiveram seus templos, e eles também os ungiam com azeite, do que se tratará no que logo se segue. Com efeito, o culto da Antiga Igreja consistia nos perceptivos e nos significativos dos antiquíssimos que viviam antes do dilúvio, como se tornará evidente pelas passagens que em breve serão citadas. Como os antiquíssimos falavam com os anjos, e que durante a sua vida na terra eles estavam ao mesmo tempo com eles, aprenderam do céu que as ‘pedras’ significavam os veros, e que a ‘madeira’, o bem (ver acima o n. 3720); vem, pois, daí que os pilares significam o santo limite, assim, o vero que é o último da ordem no homem. De fato, o bem que influi do Senhor por meio do homem interno termina no homem externo, e no vero que ali está. O pensamento do homem, a sua linguagem e ação, que são os últimos da ordem, não são outra coisa senão veros provenientes do bem; estes são de fato as imagens ou as formas do bem, pois pertencem à parte intelectual do homem; mas o bem que está neles e do qual eles provêm pertence à parte voluntária. [2] Que os pilares foram erguidos como sinal e como testemunho, e também como culto, e que, no sentido interno, eles significam o santo limite, ou o vero no natural do homem, que é o último da ordem, pode-se ver por outras passagens na Palavra, por exemplo, nas seguintes, onde se trata da aliança entre Labão e Jacó: “E agora, vai, firmemos uma aliança, eu e tu, e seja por testemunho entre mim e entre ti. E Jacó tomou uma pedra e a erigiu como pilar. [...] E disse Labão a Jacó: Eis este montão; e eis o pilar que erigi entre mim e entre ti. Este montão é testemunha, e o pilar é testemunha, que eu não passo este montão até ti, e que tu não passarás este montão até mim, e este pilar, para o mal” (Gn. 31:44, 45, 51, 52); Que aqui pelo ‘pilar’ seja significado o vero, ver-se-á na explicação desta passagem. [3] Em Isaías: “Neste dia haverá cinco cidades na terra do Egito falando pelos lábios de Canaã, e jurando a JEHOVAH Zebaoth. Neste dia haverá um Altar a JEHOVAH no meio da terra do Egito e um pilar junto ao seu limite, a JEHOVAH; este será como sinal e como testemunho a JEHOVAH Zebaoth na terra do Egito” (19:18, 19, 20); o ‘Egito’ está em lugar dos conhecimentos que pertencem ao homem natural; o ‘Altar’ está pelo culto Divino em geral, pois o altar tornou-se o principal representativo do culto na segunda Igreja Antiga começada por Éber (n. 921, 1343, 2777, 2811); o ‘meio da terra do Egito’ está pelo principal e o íntimo do culto (n. 2940, 2973, 3436); o ‘pilar’ está em lugar do vero que é o último da ordem no natural; que ele esteja no limite como sinal e como testemunho, é evidente. [4] Em Moisés: “Escreveu Moisés todas as palavras de JEHOVAH, e levantou-se pela manhã, e edificou um Altar perto do monte Sinai; e doze pilares para as doze Tribos de Israel” (Êx. 24:4); onde o ‘Altar’ era semelhantemente o representativo de todo culto, e na realidade o representativo do bem no culto; mas os ‘doze pilares’ eram os representativos do vero que provém do bem no culto. Que ‘doze’ sejam todas as coisas do vero em um só complexo, foi visto (n. 577, 2089, 2129, 2130 no fim, 3272); que as ‘doze tribos’ sejam igualmente todas as coisas do vero da igreja, demonstrar-se-á, pela Divina Misericórdia do Senhor, no capítulo seguinte. [5] Como os ‘altares’ foram os representativos de todo bem do culto, e como a Igreja Judaica foi instituída para que representasse a igreja celeste, que não reconheceu outro vero senão o que provém do bem, e que é chamado vero celeste, pois ela não queria separar na menor coisa o vero de junto do bem, a tal ponto que ela não queria sequer mencionar alguma coisa da fé ou do vero, a não ser que pensasse a respeito do bem, e isto a partir do bem (n. 302, 337, 2069, 2715, 2718, 3246), por isso houve representativo do vero por meio das pedras do altar, e foi proibido que o houvesse por pilares, para que por esse modo o vero não fosse separado do bem, e representativamente o vero não fosse cultuado em lugar do bem; razão por que se diz assim em Moisés: “Não plantarás para ti [imagem de] bosque265 de qualquer árvore perto do Altar de JEHOVAH, teu Deus, que fizeres para ti; e não erigirás para ti pilar, o que JEHOVAH, teus Deus odeia” (Dt. 16:21, 22); com efeito, cultuar o vero separado do bem, ou a fé separada da caridade, é contra o Divino, porque é contra a ordem, o que é significado por ‘Não erigirás para ti pilar, o que JEHOVAH, teus Deus, odeia’. [6] Mas que, apesar disso, os judeus os tenham erigido e tenham assim representado as coisas que são contra a ordem, vê-se em Oseias: “Israel, segundo o multiplicar do seu fruto, multiplica os altares, segundo o bem da sua terra, fazem bem pilares; ...mas derrubará os altares deles, devastará os pilares deles” (10:1, 2). No Primeiro Livro dos Reis: “Fez Judá o mal aos olhos de JEHOVAH, e edificaram para si lugares altos, e pilares, e [imagem de] bosques, sobre toda colina alta, e debaixo de toda árvore verde” (14:23). No Segundo Livro dos Reis: “Os filhos de Israel estabeleceram para si pilares, e bosques sobre toda colina alta e debaixo de toda árvore verde” (17:10); no mesmo livro: “Ezequias tirou os altos, e quebrou os pilares, cortou o bosque, e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera; porque lhe queimavam incenso” (2Rs. 18:4). [7] Como as nações, por tradição, também tiveram que o santo do culto era representado pelos altares e pelos pilares, e, entretanto, eles estavam no mal e no falso, por isso que com as nações os altares significam os males do culto, e os pilares, os falsos; razão por que se ordenou que fossem destruídos. Em Moisés: “Os altares das nações derrubareis, e os pilares deles quebrareis, e os bosques deles cortareis” (Êx. 34:13; Dt. 7:5; 12:3). No mesmo: “Não te encurvarás aos deuses das nações, e não os adorarás, e não farás segundo as obras deles, porque destruindo destrui-los-á, e quebrando quebrarás os pilares deles” (Êx. 23:24); os ‘deuses das nações’ estão em lugar dos falsos, as ‘obras’ estão pelos males; ‘quebrar os pilares’ está por destruir o culto proveniente do falso. [8] Em Jeremias: “Nabucodonosor, rei de Babel, quebrará os pilares da casa do sol na terra do Egito, e a casa dos deuses do Egito queimará no fogo” (43:13). Em Ezequiel: “Nabucodonosor, rei de Babel, pelos cascos dos seus cavalos calcará todas as tuas ruas, ao povo pela espada matará, e os pilares de tua força fará descer na terra” (26:11); onde se trata de Tiro; Nabucodonosor, rei de Babel, está pelo que devasta (n. 1327 no fim); os ‘cascos dos cavalos’ estão pelos intelectuais ínfimos, como são os conhecimentos provenientes meramente dos sensuais. Que os ‘cascos’ sejam os ínfimos, será confirmado em outra parte, pela Divina Misericórdia do Senhor; os ‘cavalos’ estão pelos intelectuais (n. 2760, 2761, 2762); as ‘ruas’ estão pelos veros e, no sentido oposto, pelos falsos (n. 2336); ‘calcá-las’ é destruir as cognições do vero, que são significadas por ‘Tiro’. Que ‘Tiro’, de que se trata aqui, sejam as cognições do vero, foi visto (n. 1201); ‘matar o povo pela espada’ está por destruir os veros pelos falsos, porque ‘povo’ se predica dos veros (n. 1259, 1260, 3295, 3581), e ‘espada’ é o falso que combate (n. 2799). Daí se vê claramente o que é ‘fazer descer na terra os pilares da força’. Que ‘força’ se predica do vero e do falso, também se vê pela Palavra.