ac 3735

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E vestimenta para vestir’; que signifique a conjunção com o Divino Vero, vê-se pela significação da ‘vestimenta’, que é o vero (n. 1073, 2576), aqui, o Divino Vero, porque se trata do Senhor; e pela significação de ‘vestir’, que é ser-lhe apropriado e conjungido. Por estas palavras e todas as outras pode-se ver qual é o sentido interno da Palavra, a saber, que no sentido da letra, quando se trata do ‘pão’ e da ‘vestimenta’, e também quando isso é dito historicamente, como aqui — “se Deus me tiver dado pão para comer e vestimenta para vestir”— os anjos que estão então com o homem pensam não a respeito do pão, mas sim do bem do amor e, no sentido supremo, do Divino Bem do Senhor; e não da vestimenta, mas sim do vero e, no sentido supremo, a respeito do Divino Vero do Senhor. Para eles tais coisas que estão no sentido da letra são somente objetos para pensarem a respeito das coisas celestes e das Divinas, pois tais coisas são os vasos que estão no último da ordem.
[2] Assim, quando o homem, no momento em que ele está no [estado] santo, pensa a respeito do pão, por exemplo, do Pão na Santa Ceia, ou no Pão quotidiano na Oração do Senhor, então esse pensamento, que para o homem é sobre o pão, serve aos anjos que estão com ele como objetos para pensarem a respeito do bem do amor que procede do Senhor, pois os anjos nada recebem do pensamento do homem a respeito do pão, mas em lugar deste eles têm um pensamento a respeito do bem, porquanto é essa a correspondência. Do mesmo modo, quando o homem, no momento em que está no [estado] santo, pensa na vestimenta, o pensamento dos anjos se dirige então sobre o vero; o mesmo acontece com todas as outras coisas que estão na Palavra. Por esse modo, pode-se ver qual é a conjunção do céu e da terra, por meio da Palavra, a saber, que ela é tal, que o homem que lê santamente a Palavra está, por tais correspondências, estreitamente conjunto com o céu e, pelo céu, com o Senhor, ainda que o homem dirija somente o seu pensamento sobre as coisas que estão no sentido literal da Palavra. O [estado] santo mesmo, que então está no homem, vem do influxo dos pensamentos e das afeições celestes e espirituais que são tais nos anjos.
[3] É para que existisse tal influxo e, daí, tal conjunção do homem com o Senhor que o Senhor instituiu a Santa Ceia, em que se diz, com palavras abertas, que o Pão e o Vinho são o Senhor. Com efeito, o ‘Corpo’ do Senhor significa o Divino Amor do Senhor e um amor recíproco no homem, tal qual é o amor nos anjos celestes; e o ‘Sangue’ significa igualmente o Divino Amor d’Ele e um amor recíproco no homem, mas tal qual é o amor nos anjos espirituais. Daí se vê claramente quanto do Divino há em cada uma das coisas da Palavra, ainda que o homem ignore o que seja o Divino e qual seja a sua qualidade. Mas aqueles que estiveram na vida do bem quando estavam no mundo vêm, depois da morte, nas cognições e na percepção de todas essas coisas, porque eles despojam então as coisas terrestres e mundanas e revestem as celestes e, semelhantemente, estão na ideia espiritual e celeste em que estão os anjos.

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