. Mas aqueles que não estão no amor ao Senhor, nem no amor para com o próximo, nem, por consequência, na vida do bem e do vero, esses não podem reconhecer que há uma única vida que influi, e menos ainda que essa vida proceda do Senhor; mas todos eles ficam indignados e mesmo se avertem, quando se diz que eles não vivem por si próprios. É o amor de si que produz isso; e o que é surpreendente é que, na outra vida, ainda que se lhes mostre por vivas experiências que eles não vivem por si próprios, e embora, então, convencidos eles digam que assim seja, mesmo assim eles persistem depois na mesma opinião, e imaginam que se vivessem por um outro e não por si próprios, pereceria todo o prazer de sua vida, não sabendo que é absolutamente o contrário. Daí resulta que os maus se aproximam do mal por não crerem que os males procedem do inferno; daí resulta também que o bem não pode ser apropriado por eles, por crerem eles que o bem procede deles e não do Senhor. Apesar de tudo isso, os maus, e até os infernais, são formas recipientes da vida que procede do Senhor, mas em formas tais, que elas rejeitam ou sufocam, ou pervertem o bem e o vero; e assim, neles os bens e os veros que provêm da Vida do Senhor, tornam-se males e falsos. Acontece com isso como o que acontece com a luz do sol que, embora seja única e cândida, é, contudo, variada à medida que ela passa pelas formas ou que influi nelas; daí, cores belas e agradáveis e, também, cores não belas e desagradáveis.