. ‘Porque daquele poço davam de beber aos bandos’; que signifique que dali provinha o conhecimento, a saber, da Palavra, é o que se vê pela significação do ‘poço’, que é a Palavra (n. 3765); pela significação de ‘dar de beber’, ou ‘fazer beber’, que é instruir (n. 3069); e pela significação dos ‘bandos’, que são o conhecimento das coisas doutrinais, de que se tratou logo acima (n. 3767). A partir disto, é evidente que por ‘do poço davam de beber aos bandos’, é significado que o conhecimento dos doutrinais do bem e do vero provinha da Palavra. No que se segue a respeito Jacó, no sentido supremo, trata-se do Senhor, do modo como Ele mesmo fez Divino o Seu Natural, e neste capítulo se trata da iniciação; mas, no sentido interno representativo, trata-se dos que são regenerados, de que modo o Senhor renova o homem natural deles; e neste capítulo se trata de iniciação. Por isso aqui se trata da Palavra e da doutrina que é extraída da Palavra, pois é pela doutrina extraída da Palavra que há iniciação e regeneração. E porque é isso que é significado pelo ‘poço’ e pelos ‘três bandos de rebanhos’, por isso esses pormenores são historicamente lembrados. A não ser que essas coisas tivessem essas significações, elas seriam de muito pouca importância para que fossem lembradas na Palavra Divina. O que elas envolvem, pode-se ver, a saber, é que todo conhecimento e toda doutrina do bem e do vero provêm da Palavra. [2] O homem natural pode, de fato, saber e também perceber o que é o bem e vero, mas apenas o bem e vero natural e civil; porém o bem e vero espiritual não pode, este virá da revelação, portanto, da Palavra. Por exemplo: O homem pode saber, pelo racional que é dado a cada um, que se deve amar ao próximo, e que se deve adorar a Deus, mas somente pela Palavra que ele pode saber como se deve amar ao próximo e como se deve adorar a Deus, assim, o que é o bem e vero espiritual. E também somente pela Palavra que ele pode saber que é o bem mesmo que é o próximo, por conseguinte, que são os que estão no bem, e isto segundo o bem em que eles estão; e [pode saber] que é por isso que o bem é o próximo, porque no bem está o Senhor, e que assim ama-se ao Senhor amando o bem. [3] Igualmente, aqueles que não têm a Palavra não podem saber que todo o bem procede do Senhor, e que o bem influi no homem e nele produz a afeição do bem, e que essa afeição é chamada caridade. Aqueles que não têm a Palavra não podem também saber quem é o Deus do universo; que seja o Senhor, eles ignoram, quando, entretanto, o íntimo da afeição ou da caridade, por conseguinte, o íntimo do bem, deve visar o Senhor; daí é evidente o que é o bem espiritual, que não pode ser conhecido de outro lugar senão da Palavra. Quanto aos gentios, porém, enquanto eles estão no mundo, eles de fato não o sabem, mas o certo é que eles, quando vivem entre si em uma mútua caridade, então se acham por este fato na faculdade de, na outra vida, poderem ser instruídos em tais verdades, e eles até as recebem facilmente e são facilmente imbuídos delas (ver os n. do 2539 ao 2604).