. ‘E disse-lhes: E [vós] conheceis Labão, filho de Nahor’;que signifique: ‘Será que neles está o bem dessa estirpe?’, é o que se vê pela representação de ‘Labão’, que é o bem colateral de uma estirpe comum (n. 3612, 3665); e pela representação de ‘Nahor’, que é essa estirpe comum de onde provém o bem que é [representado por] Labão; que ‘conhecer’, no sentido interno, é ser daí proveniente, isso é evidente pela série. Cumpre dizer aqui, em poucas palavras, o que acontece com a representação do bem colateral por Nahor, Bethuel e Labão: Terah, que foi pai de três filhos, a saber, Abrão, Nahor e Harã (Gn. 11:27), representa a estirpe comum de que provêm as igrejas. Terah em pessoa foi de fato idólatra, mas os representativos dizem respeito a coisa e não à pessoa, (ver n. 1361); e porque a igreja representativa judaica começa em Abrahão, e foi instaurada entre os seus descendentes procedentes de Jacó, Terah e os seus três filhos revestem a representação das igrejas: Abrão reveste a representação da igreja genuína tal qual ela é entre os que têm a Palavra; mas Nahor, seu irmão, reveste a representação da igreja tal qual ela é entre os gentios, que não têm a Palavra. Que a igreja do Senhor esteja espalhada por todo globo da Terra, e que ela esteja também entre os gentios que vivem na caridade, isso é evidente pelas coisas que foram demonstradas aqui e ali a respeito das nações. [2] Daí vem, pois, que Nahor, seu Filho, Bethuel, e seu neto, Labão, representem o bem colateral de uma estirpe comum, isto é, o bem no qual estão os que são pela igreja do Senhor entre as nações. Esse bem difere nisto do bem da estirpe comum em linha reta: que não haja veros genuínos aos quais são conjungidos o bem deles, mas que pela maior parte são aparências externas, que são chamadas falácias dos sentidos, porque eles não têm a Palavra pela qual eles possam ser iluminados. De fato o bem em sua essência é único, mas recebe uma qualidade pelos veros que neles são implantados, é isso que faz com que ele varie. Os veros que aparecem aos gentios como veros, consistem em geral no fato que eles adoram algum Deus, a quem eles [consideram] que [lhes] deu o seu bem e a quem eles o atribuem, e enquanto vivem no mundo eles ignoram que esse Deus é o Senhor; e também no fato que eles adoram o seu Deus sob imagens que eles têm como santas, além de muitas outras coisas. Mas mesmo assim, essas coisas não impedem que eles sejam salvos como os cristãos, contanto que eles vivam no amor ao seu Deus e no amor para com o próximo, pois deste modo eles estão na faculdade de receber os veros interiores na outra vida (ver n. 932, 1032, 1059, 2049, 2051, 2284, 2589 a 2604, 2861, 2863, 3263). Por esse modo se vê claramente o que se entende pelo bem colateral de uma estirpe comum. Que por ‘Nahor’ sejam representados os que, fora da igreja, estão na fraternidade proveniente do bem, foi visto (n. 2863, 2864, 2868); [viu-se também] que por ‘Bethuel’ é representado o bem das nações da primeira classe (n. 2863, 3665), [e] que por ‘Labão’, a afeição do bem externo ou corporal, e propriamente o bem colateral de uma estirpe comum (n. 3612, 3665). [3] Eis o que sucede com esse bem: é que antes de ele servir ao homem como meio de adquirir o bem espiritual, porque ele é externo-corporal, ele vem das aparências externas, que em si mesmas são falácias dos sentidos. Na meninice, o homem não reconhece por vero e por bem outra coisa mais, e embora se lhe ensine o que é o bem e o vero internos, ele nem por isso tem outra ideia senão uma ideia corporal; e porque tal é a primeira ideia, por isso tal bem e tal vero são o primeiro meio pelo qual os veros e os bens interiores são introduzidos, é esse arcano que é representado aqui por Jacó e Labão.