Texto
. ‘E Raquel vem com o rebanho’; que signifique a afeição do vero interior, a qual pertence à igreja e à doutrina, é o que se vê pela representação de ‘Raquel’, que é a afeição do vero interior; e pela significação do ‘rebanho’, que é a igreja e, também, a doutrina (n. 3767, 3768, 3783). Para que se saiba o que acontece com a representação de Raquel, que é a afeição do vero interior, e de Leah, que é a afeição do vero exterior, deve-se dizer algumas poucas palavras: O natural, que é representado por Jacó, consiste em bem e em vero; e nele, a saber, no natural, como em todas e em cada uma das coisas que estão no homem, e até em toda a natureza, deve haver o casamento do bem e do vero. Sem o casamento do bem e do vero nada se produz, toda produção e todo efeito vêm daí. No natural no homem, quando ele nasce, não há o casamento do bem e do vero, porque o homem é o único que não nasce na ordem Divina. Há de fato um bem da inocência e da caridade, que, na primeira infância, influi do Senhor, mas não há vero algum ao qual esse bem se ligue. À medida que ele avança em idade, esse bem que lhe foi ensinado na infância pelo Senhor é levado para os interiores, e ali é mantido pelo Senhor, a fim de que os estados de vida que o homem reveste posteriormente sejam temperados por esse bem. Daí vem que o homem sem o bem de toda sua infância e da primeira meninice seria mais perverso e mais cruel do que qualquer animal feroz. Quando esse bem da infância é levado para os interiores, então no natural do homem sucede e entra o mal ao qual se liga o falso, e opera-se uma conjunção e, por assim dizer, um casamento do mal e do falso nele. Para que o homem seja, portanto, salvo, é necessário que ele seja regenerado, o mal deve ser removido e o bem deve ser insinuado pelo Senhor; e segundo o bem que o homem recebe, o vero é insinuado nele, para que haja uma ligaçãoou como que um casamento do bem e do vero.
[2] Essas são as coisas que são representadas por Jacó e por suas duas esposas, a saber, Raquel e Leah. Jacó reveste, pois, agora a representação do bem natural, e Raquel, a representação do vero; porém, toda conjunção do vero com o bem se faz pela afeição; é a afeição do vero devendo se acoplar [ou conectar] ao bem que Raquel representa. Além disso, no natural há, como no racional, um interior e um exterior; Raquel representa a afeição do vero interior, e Leah, a afeição do vero exterior. Labão, que é o pai delas, representa o bem de uma estirpe comum, mas o bem colateral, como foi dito; este bem é o que está numa linha colateral, [ele] corresponde ao vero do racional, que é Rebeca (n. 3012, 3013, 3077). Daí, as filhas oriundas desse bem representam as afeições no natural, pois essas afeições são como filhas procedentes desse bem como de um pai; e porque essas afeições devem ser ligadas ao bem natural, por isso as filhas representam as afeições do vero, uma a afeição do vero interior, a outra a afeição do vero exterior.
[3] Acontece com a regeneração do homem, quanto ao seu natural, absolutamente o mesmo que com Jacó e com as duas filhas de Labão, Raquel e Leah. Aquele, pois, que pode ver e compreender aqui a Palavra segundo o seu sentido interno vê esse arcano descoberto para si, mas nenhum outro pode vê-lo senão aquele que está no bem e no vero; os outros, seja qual for a percepção que eles tenham das coisas no que diz respeito à vida moral e civil, e embora pareçam ser inteligentes, nada podem entretanto ver de semelhante para que haja o reconhecimento. Com efeito, eles não sabem o que é o bem e o vero, pois imaginam que o mal é o bem e que o falso é o vero; por isso, quando diante dele se nomeia o bem, logo se apresenta a ideia do mal, e quando se diz o vero logo se apresenta a ideia do falso. Daí vem que eles não percebem coisa alguma das que estão contidas no sentido interno, mas na primeira palavra que eles ouvem a respeito, espalham-se trevas que extinguem a luz.