ac 3796

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E sucedeu que, quando Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe’;que signifique o reconhecimento da afeição desse vero, de que origem ela era, vê-se pela significação de ‘ver’, que é reconhecer, como a série o mostra claramente; e pela representação de ‘Raquel’, que é a afeição do vero interior (n. 3793); ‘filha de Labão, irmão de sua mãe’ envolve a origem, a saber, que ela provinha do bem colateral, que tinha sido conjunto por fraternidade ao vero racional representado por Rebeca, mãe de Jacó.
[2] Com as afeições do vero e do bem acontece assim: As afeições genuínas do vero e do bem, que são percebidas pelo homem, são todas de origem Divina, porque procedem do Senhor; mas no caminho, quando descem, elas vão ter em regatos variados e diversos, e ali elas formam para si novas origens, pois como influem em afeições não genuínas e espúrias, e em afeições do mal e do falso no homem, assim são variadas. Na forma externa elas muitas vezes se apresentam semelhantes às afeições genuínas, contudo, na forma interna, elas são tais; o fim é o único indício pelo qual elas são conhecidas. Se as afeições têm por fim o próprio homem ou o mundo, elas não são genuínas; mas se têm por fim o bem do próximo, o bem das sociedades, o bem da pátria e, mais ainda, o bem da igreja e o bem do Reino do Senhor, elas são genuínas, porque então elas têm por fim o Senhor, pois o Senhor está nesses bens.
[3] Contudo, pertence ao homem sábio conhecer continuamente em si os fins; às vezes parece que os fins são em vista de si próprio, quando todavia não são, pois o homem é tal que em cada coisa ele reflete sobre si próprio, e isso por costume e por hábito. Mas se alguém quiser conhecer os fins consigo, preste somente atenção ao prazer que ele percebe em si pelo louvor de si e por sua própria glória, e ao prazer que percebe pelo uso separado de junto de si. Se ele perceber este último prazer, ele então está na afeição genuína. Ele deve, também, prestar atenção aos diferentes estados em que se acha, pois esses estados mesmos variam muito a percepção. O homem pode fazer esse exame consigo, mas com os outros ele não o pode, pois é unicamente o Senhor Quem conhece os fins da afeição de cada um; é por isso que o Senhor disse:
“Não julgueis, para não serdes julgados, não condeneis, para não serdes condenados” (Lucas, 6:37);
com efeito, mil homens podem parecer que estão em uma semelhante afeição quanto ao vero e ao bem, e, entretanto, cada um deles se achar em uma afeição dessemelhante quanto à origem, isto é, quanto à fé.
[4] Que o fim faça com que a afeição seja tal, isto é, que ela é genuína, ou corrupta, ou falsa, isso vem de que o fim é a vida mesma do homem, pois o homem tem por fim o que pertence à sua vida, ou, o que é o mesmo, o que pertence ao seu amor. Quando o bem do próximo, o bem comum, o bem da igreja e do Reino do Senhor é o fim, o homem então está, quanto à sua alma, no Reino do Senhor, assim, junto com o Senhor, porquanto o Reino do Senhor não é senão o reino dos fins e dos usos por causa do bem do gênero humano (n. 3645), os anjos mesmos que estão com os homens não estão senão em seus fins; quanto mais o homem estiver em um fim tal no qual está o Reino do Senhor, tanto mais os anjos acham nele as suas delícias e se conjungem a ele como a um irmão; mas quanto mais o homem estiver no fim de si próprio, tanto mais os anjos se retiram, e outro tanto se aproximam os maus espíritos provenientes do inferno, pois no inferno não reina outro fim. Pelo que acaba de ser exposto, pode-se ver quanto importa examinar e saber de que origem são as afeições, que só podem ser conhecidas pelo fim.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.