. ‘E Jacó anunciava a Raquel’; que signifique a afinidade do bem que é Jacó e a afinidade do bem que é Labão, é o que vê pela significação ‘anunciar’, que é dar a conhecer; pela representação de ‘Jacó’, que é o bem, do que se tratou anteriormente; pela representação de ‘Raquel’, a quem ele deu a conhecer, que é a afeição do vero interior (n. 3793); pela significação do ‘irmão’, que é aqui Jacó, que é o bem (n. 367, 2360, 3303, 3459); e pela significação do ‘pai’, que é aqui Labão, que é também o bem (n. 3703). Daí e pela série, é evidente que por “Jacó anunciava a Raquel que ele era irmão do pai dela” é significada a afinidade do bem que é Jacó e do bem que é Labão; mas expor a afinidade mesma e, daí, a conjunção de uma e da outra pela afeição do vero interior, que é Raquel, seria pôr a coisa na obscuridade, pois há poucos que saibam o que é o bem do natural, e que este bem foi discriminado do bem do racional, e poucos que saibam o que é o bem de uma estirpe comum colateral, e também o que é uma afeição do vero interior. Aquele que não tiver adquirido ideia alguma destas coisas por sua própria investigação recebe uma ligeira ideia a partir de uma descrição, se recebeu alguma, uma vez que o homem recebe de outros o tanto quanto já tem, seja vindo dele próprio, seja por meio da intuição consigo da coisa, intuição adquirida por ele mesmo, o restante escapa; é suficiente saber que há inúmeras afinidades do bem e do vero, e que as sociedades celestes são segundo essas afinidades (ver os n. 685, 917, 2739, 3612). [2] Que Jacó se diga irmão de Labão, quando, todavia, ele era o filho de sua irmã, é porque todos são irmãos provêm do bem; vem daí que Labão por sua vez também chama Jacó de seu irmão (vers. 15). Com efeito, é o bem que faz o consanguíneo e que conjunge, pois o bem pertence ao amor; e o amor é a conjunção espiritual. Daí vinha que, nas igrejas antigas, todos aqueles que estiveram no bem se chamavam irmãos; isso também na Igreja Judaica, mas, como os da Igreja Judaica desprezavam todos os outros e se acreditavam os únicos eleitos, eles não chamavam de irmãos senão os que tinham nascido judeus; e chamavam todos outros, ou companheiros ou estrangeiros. A Igreja Cristã Primitiva chamava também irmãos a todos os que estavam no bem; contudo, ela não chamou assim senão os que estavam dentro de sua congregação; mas o nome de irmão se dissipou junto com o bem entre os cristãos, e quando o vero foi posto no lugar do bem, ou, quando a fé tomou o lugar da caridade, eles não puderam mais, pelo bem, dizerem-se irmãos, mas se serviram da palavra próximo. A doutrina da fé sem a vida da caridade também tem isso consigo, que a fraternidade parece estar abaixo de si com um homem de uma convicção mais baixa do que a que se ocupa [cum viliore se]; entre esses, com efeito, a fraternidade tira a sua origem não do Senhor nem, portanto, do bem, mas de si próprio e, daí, da honra e do ganho. *3803a. ‘E que ele [era] filho de Rebeca’; que signifique a conjunção das afinidades, é o que se pode ver sem necessidade de explicação; com efeito, era de Rebeca, que era mãe de Jacó irmã de Labão, que vinha a conjunção.