. ‘E ela correu e anunciou ao seu pai’; que signifique o reconhecimento por meio dos veros interiores, é o que se vê pela significação de ‘correu e anunciou’, que é a afeição de fazer conhecer; aqui, pelo reconhecimento; e pela significação de ‘seu pai’, que é o bem que Labão representa. Que seja por meio dos veros interiores, isso é representado por Raquel, que é a afeição do vero interior. Daí resulta que essas palavras significam o reconhecimento pelos veros interiores. Com essas coisas acontece assim: O bem que Jacó representa, e que é o bem do natural, é, como todo bem em geral, conhecido e reconhecido quanto à sua existência, mas não quanto à sua qualidade senão pelos veros, porquanto o bem recebe a sua qualidade pelos veros, e assim é por meio dos veros que ele é conhecido e reconhecido. Com efeito, o bem não se torna o bem que se chama bem da caridade antes que os veros tenham sido implantados nele, e tais quais são os veros que são nele implantados, tal se torna o bem. [2] Vem daí que o bem de um, embora parecido e semelhante, não é, todavia, como o de um outro, pois, por esse motivo o bem difere em todos e em cada um sobre todo o globo. Acontece com o bem o que acontece com as faces humanas, nas quais ordinariamente se imprimem as afeições [affectiones effigiant], que em todo o gênero humano não há uma que seja absolutamente semelhante; os veros mesmos fazem, por assim dizer, a face do bem, cuja beleza procede da forma do vero, mas o que afeta é o bem. Tais são todas as formas angélicas, e tal seria o homem se ele estivesse pela vida interior no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo. O homem foi criado em tais formas porque ele o foi à semelhança e imagem de Deus; e os que foram regenerados são tais formas quanto a seus espíritos, seja qual for a maneira que apareçam quanto aos corpos. Daí se pode ver o que se entende quando se diz que o bem é reconhecido por meio dos veros interiores.