ac 3820

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E os olhos de Leah eram fracos’; que signifique a afeição do vero externo quanto ao seu entendimento, que é tal, é o que se vê pela representação de ‘Leah’, que é a afeição do vero externo (n. 3793, e logo acima, n. 2701); e pela significação de ‘fracos’, que é relativamente tal. Que as afeições do vero externo sejam fracas quanto ao entendimento, ou o que é o mesmo, que aqueles que estão nessas afeições, pode-se ver pelos externos, isto é, pelas ideias gerais que ainda não foram esclarecidas pelas [ideias] singulares, ideias gerais essas que são fracas e vacilantes, e que , por assim dizer, se deixam ir a todo vento, isto é, arrastar-se a qualquer opinião, seja ela qual for, enquanto, quando essas mesmas ideias foram esclarecidas pelas singulares, elas se tornam firmes e têm consistência, pois por esse modo elas têm os essenciais e os formais, que são significados por ‘bela de forma e bela de aspecto’, como era Raquel, por quem são representadas as afeições do vero interior.
[2] O que são os veros externos e as afeições deles, e o que são os veros internos e as afeições deles, e que aqueles são relativamente ‘fracos dos olhos’, e estes, ‘belos de forma e de aspecto’, seja para exemplo: Os que estão nos veros externos sabem apenas este geral: ‘que se deve fazer o bem aos pobres’, não sabendo discernir quem são verdadeiramente os pobres, e menos ainda que pelos pobres, na Palavra, foram entendidos aqueles que são tais espiritualmente. Em consequência, eles fazem igualmente o bem aos maus como aos bons, não sabendo que fazer o bem aos maus é fazer o mal aos bons, pois é dar assim aos maus os meios de fazer mal aos bons, razão por que aqueles que estão em tal zelo simples são os que mais são infestados por astutos e dolosos. Mas os que estão nos veros internos sabem quem são os pobres, e discernem entre cada um deles, e fazem o bem a cada um segundo a sua qualidade.
[3] Seja também este exemplo: Os que estão nos veros externos conhecem apenas esta verdade geral: ‘que se deve amar o próximo’, e creem que qualquer um é o próximo em semelhante grau e, em consequência, que qualquer um deve ser acolhido no mesmo amor, e assim eles se deixam seduzir. Mas os que estão nos veros internos sabem em que grau cada um é o próximo, e que cada um é em um grau não semelhante; por esse modo, eles sabem inúmeras coisas que os outros ignoram, por conseguinte, eles não se deixam arrastar unicamente pelo nome de ‘próximo’, nem são levados a fazer o mal pela persuasão do bem que é introduzida pelo nome de próximo.
[4] Seja mais este exemplo: Os que estão nos veros externos imaginam que ‘os eruditos resplandecerão como estrelas na outra vida’, e que todos que trabalham na vinha do Senhor terão uma recompensa de preferência aos outros; mas os que estão nos veros internos sabem que os eruditos, os sábios e os inteligentes significam os que estão no bem, embora eles não estivessem em nenhuma sabedoria nem em nenhuma inteligência humanas, e que esses brilharão como estrelas; e que aqueles que trabalham na vinha obterão uma recompensa, cada um segundo a afeição do bem e do vero pela qual ele trabalha, e que os que trabalham por causa de si próprios e do mundo, isto é, para alcançarem a eminência e a opulência, têm a sua recompensa na vida do corpo, mas que a sua sorte na outra vida é de ali estarem com os maus (Mt. 7:22, 23). Daí se vê quão fracos de entendimento são aqueles que estão somente nos veros externos, e que os veros internos são os que lhes dão a essência e a forma, e que também qualificam o bem neles. Porém, ainda assim, aqueles que, enquanto vivem no mundo, estão nos veros exteriores e ao mesmo tempo no bem simples recebem na outra vida os veros internos e, daí, a sabedoria, pois pelo bem simples eles as acham no estado e na faculdade de recebê-los.

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