Texto
. ‘E disse Labão: Bom me [é] dá-la a ti mais do que me [é] dá-la a outro varão. Fica comigo’; que signifique o meio de conjunção pelo vero interior com esse bem, é o que se vê pela significação do ‘pagamento’, a respeito do qual aqui se responde e se afirma com essas palavras, que é o meio de conjunção de que se tratou (n. 3816). Que ‘Raquel’, que aqui é o ‘-la’, seja o vero interior, e que ‘Jacó’, que aqui é o ‘a ti’, seja o bem, é o que foi demonstrado. Quanto ao que se refere à conjunção do bem, que é ‘Jacó’, com o bem que é Labão, por meio do vero interior, que é ‘Raquel’, é um arcano que não pode ser facilmente descrito de modo a ser compreendido; seria necessário ter antes uma ideia clara de um e do outro bem e, também, da afeição do vero interior. Todo entendimento de uma coisa existe também de acordo com as ideias,nenhum entendimento há se não há nenhuma ideia da coisa: ele é obscuro se a ideia é obscura, pervertido se ela é pervertida, claro se a ideia é clara; e também conforme as afeições pelas quais a ideia, embora clara, também se torna variada. Apesar disso, serão ditas a respeito algumas palavras: Em todo homem que está sendo regenerado, o bem de seu natural, tal qual ele é aqui representado por Jacó, é conjungido primeiramente com um bem, qual o que Labão aqui representa, por meio da afeição do vero interior, que é representado aqui por Raquel, e depois, com o bem do racional e com o vero desse bem, que são Isaque e Rebeca. Por essa primeira conjunção, o homem se acha no estado de receber os veros internos, ou espirituais, que são os meios de conjunção do natural com o racional, ou do homem externo com o homem interno.