. ‘E foram aos olhos dele como alguns dias, por ele amá-la’; que signifique o estado do amor, que, a saber, é sem tédio, é o que se vê pela significação de ‘ser aos seus olhos’, que é aparecer assim; pela significação dos ‘dias’, que são os estados (n. 893, 2788, 3462, 3785); daí, ‘como alguns dias, por ele amá-la’ é o estado do amor. Quando o homem está no estado do amor, ou da afeição celeste, ele está então no estado angélico, a saber, por assim dizer não no tempo se não há impaciência em sua afeição, porquanto a impaciência é uma afeição corporal, e quanto mais o homem está nesta afeição, tanto mais ele está no tempo, mas tanto quanto não se está na impaciência, outro tanto não se está no tempo. Isso se manifesta claramente em uma sorte de imagem pelos prazeres e as alegrias que pertencem à afeição ou ao amor, no fato, que quando o homem está nesses prazeres e nessas alegrias não se lhe aparece o tempo, já que então ele está no homem interno. Pela afeição do amor genuíno fica-se separado [abstrahitur] das coisas corporais e mundanas, pois a mente se eleva para o céu, e, por conseguinte, se separa das coisas que pertencem ao tempo. O tempo é, com efeito, aquilo que provém de uma reflexão a respeito das coisas que não pertencem à afeição ou ao amor, e, portanto, que pertencem ao tédio. Daí também se torna evidente o que significam estas palavras, que “os sete anos foram aos seus olhos como alguns dias, por ele amá-la”.